Simetria burra

Organograma de empresa: 5 tipos e como criar o melhor!

A vaidade tem várias expressões. A estética pessoal normalmente é uma preocupação daqueles voltados à beleza formal ou exterior, aparente.

Ela está associada à arte, mas nem sempre. Vemos muitos apegados a aspectos estéticos apenas para capturarem admiração e ‘aprovação’ dos outros, ao invés de um genuíno prazer artístico.

Fernando Sabino, no livro “A Mulher do Vizinho”, traz um conto que aborda a pavonice de um funcionário público que subordina a funcionalidade à forma:

ORGANOGRAMA

Dizem que em matéria de organização aquele Ministério é de amargar. De vez em quando um processo cai no vazio e desaparece para nunca mais.

Por que? Porque o único Ministro que se lembrou de organizá-lo, segundo me contaram, tinha mania de organização.

Mania oriunda de uma sensibilidade estética, um tanto exacerbada, capaz de exteriorizar-se em requintes de planejamento burocrático. Aparentemente, essa marca de sua personalidade condizia com as altas funções que lhe cabiam.

Mas só aparentemente: a primazia do fator estético, feito de equilíbrio, proporção e harmonia, passou a ser a determinante principal de todos os seus atos – tudo mais no Ministério que se danasse.

Como no remédio para nascer cabelo: não nascia, mas dava brilho.

Dizem que, quando tomou posse do cargo, a primeira coisa que fez foi encomendar a confecção de um artístico organograma.

– De um artístico o quê, Sr. Ministro?

Um organograma, ó imbecil: não sabia o que vinha a ser organograma?

A distribuição gráfica dos diversos departamentos e serviços sob sua gestão.

– Mas quero coisa caprichada, está entendendo?

Quando lhe trouxeram o trabalho, encomendado no Departamento do Pessoal, que por sua vez o encomendou a um desenhista particular, o Ministro não fez mais nada a não ser estudar a galharia daquela árvore geométrica, em função da qual as atividades de sua Pasta passariam a desenvolver-se.

Notou, todavia, que as divisões e subdivisões de cada repartição eram muito mais numerosas do lado esquerdo que do lado direito.

Acontecia que a primeira grande divisão à direita não tinha a mesma importância de sua correspondente à esquerda e se desdobrava em poucos serviços.

– Este organograma está uma droga. Não posso pendurar uma coisa destas na parede de meu Gabinete.

Pôs-se imediatamente a inventar novas repartições, serviços disso e daquilo – tudo fictício, irreal, imaginário – para restabelecer o equilíbrio organogramático: Departamento do Controle Administrativo, Serviço de Fiscalização Interna, Seção do Controle Processual:

– Se for preciso, a gente cria mesmo os serviços, faz as nomeações.

Não sei se chegou a fazê-lo; o certo é que novo organograma foi executado, e todo aquele que tivesse a ventura de penetrar em seu Gabinete podia admirá-lo:

– Tudo isso sob seu controle, Ministro?

E o Ministro, num gesto resignado:

– Para você ver, meu filho; não fosse eu, todo esse complexo administrativo já teria desabado para um lado, como uma árvore desgalhada.

Dizem, mesmo, que até hoje o magnífico organograma figura no tal Ministério, como uma das mais importantes realizações de sua gestão.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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