As preocupações do governo em 1876

Em 1824, a constituição outorgada por Dom Pedro I determinava a realização de eleições para a escolha de representantes dos poderes legislativo e executivo. Claro que só as elites votavam. Eram requisitos: idade superior a 25 anos e ser do sexo masculino, além de comprovar uma renda mínima anual proveniente de empregos, comércio, indústria eContinuar lendo “As preocupações do governo em 1876”

“Os detentores do poder ficam tão ansiosos por estabelecer o mito da sua infalibilidade que se esforçam ao máximo para ignorar a verdade”. (Boris Pasternak)

Em 1997, Ariano Suassuna escreveu a seguinte carta para o amigo Francisco Brennand: “’É preciso cerrar os dentes e compartilhar a sorte do nosso país’, escreveu, um dia, o grande poeta que foi Bóris Pasternak.  Era um tempo em que sua pátria, a Rússia, vivia a opressão violenta, aberta e declarada do Stalinismo. Hoje, oContinuar lendo ““Os detentores do poder ficam tão ansiosos por estabelecer o mito da sua infalibilidade que se esforçam ao máximo para ignorar a verdade”. (Boris Pasternak)”

A estupidez salva

Lembro de épocas em que gostos idênticos nos aproximavam. Hoje, notei, participo mais de grupos cujas características são desgostos comuns: o que nos une é o que desagrada, o que inquieta. O que separa nos une. Muita tensão. Provocações, desvios de foco, fumaça em vários tons para que não se veja o incêndio, diversionismo, estradasContinuar lendo “A estupidez salva”

Obviedades

A democracia não é garantia de baixa desigualdade. Depende da força de seus atores. Ela é facilmente e comumente dominada pelos poderosos, políticos e seus financiadores. Temos uma democracia dos 1%, para os 1% e pelos 1%. Da mesma forma, também os regimes autoritários – mesmo os de fachada socialista. Óbvio. Na democracia, pelo menos,Continuar lendo “Obviedades”

Petit pois

Um pouco das (prováveis) memórias de Jean Giraudoux, do seu livro “Duas Existências”, com sua fantasia poética: “Junho de 1888. Clotilde Marsaudon decidiu me enfiar pelo nariz um petit pois (ervilha). O que vai me livrar de todas as doenças, impedirá meu cabelo de encrespar-se, e ela me dará um pedaço de chocolate. Ela temContinuar lendo “Petit pois”

Temos demasiados meios para escassos e raquíticos fins

Volto à encíclica Laudato si’ (“Louvado sejas”), do papa Francisco, de 2015. Nela, o pontífice critica o consumo obsessivo e o desenvolvimento irresponsável e, apela à unificação global para o combate da degradação ambiental e às alterações climáticas. “Quando as pessoas se tornam autorreferenciais e se isolam na própria consciência, aumentam a sua voracidade: quantoContinuar lendo “Temos demasiados meios para escassos e raquíticos fins”

Patriarcado

Gerda Lerner fugiu do nazismo em 1939, e radicou-se nos EUA. Aos 40 anos pôde iniciar sua educação superior, após criar os filhos, e obteve o Ph.D. na Universidade de Columbia. Virou referência no estudo da História da Mulher. Para ela, era importante distinguir sexo de gênero: sexo é biológico; gênero é uma definição culturalContinuar lendo “Patriarcado”

Um itinerário

A paraense Eneida de Moraes foi jornalista, escritora, militante política e pesquisadora brasileira. Um pessoa infame (de má fama) por enfrentar regimes autoritários e manter a coragem de defender ideias comunistas. Não defendo suas ideias, claro, mas sua renitência é impressionante: 11 prisões durante o Estado Novo, com direito a torturas, clandestinidade e exílio. “Considero-meContinuar lendo “Um itinerário”

Cosima

Cosima Wagner morreu aos 93 anos de idade. Ao sentar, nunca se apoiava no espaldar de uma cadeira. Fora educada para sentar-se direito: aquilo que causa dor faz bem, aprendeu. Seus pais não eram casados. Só aos nove anos pôde ter um sobrenome, quando seu pai resolveu reconhecê-la: Franz Liszt. Fruto dos amores adúlteros deContinuar lendo “Cosima”

Quando acaba a saliva, tem que ter pólvora

“Nesta última noite, a Câmara Superior do Parlamento foi inspecionada por Sir Thomas Knevett, e ali foi capturado um certo Johnson (Guy Fawkes), empregado do Sr. Thomas Percy, que pusera 36 barris de pólvora na galeria arqueada debaixo da Câmara com o propósito de explodir o rei e toda a comitiva, quando ali estivessem reunidos.Continuar lendo “Quando acaba a saliva, tem que ter pólvora”