Não há mistério maior que a miséria (Oscar Wilde)

Há uma ânsia por “felicidade”, esse maná moderno. E, achamos que esta felicidade está nos outros, na sua atenção, no reconhecimento, nos afetos e cuidados demonstrados, naquilo que fortaleça nosso ego. A felicidade – curtos momentos de paz interior – está em nós mesmos. Daí, quebramos a cara, pois procuramos onde não se está. EsquecemosContinuar lendo “Não há mistério maior que a miséria (Oscar Wilde)”

Nossa natureza é competitiva ou cooperativa?

Somos maus por natureza (ou pela quebra da confiança divina, a partir do pecado original) ou, nada disso, somos bons e podemos nos corromper em decorrência das agruras do mundo? Para John Locke, “O homem nasce como uma folha em branco, destituído de caracteres ou ideias.” Ele discordava de que Deus decida o destino dosContinuar lendo “Nossa natureza é competitiva ou cooperativa?”

O anel de Polícrates

Vejo as notícias sobre Elon Musk, inevitáveis. O sujeito tem muito dinheiro, dizem que mais que qualquer outro. Há muitos que o admiram como símbolo do sucesso, mérito, intrepidez, capitalismo, liberdade, visão de mundo e de futuro etc. Onde outros veem arrogância, dizem que é assertividade; não seria controverso, mas objetivo e lúcido acima dosContinuar lendo “O anel de Polícrates”

Existe “um” povo brasileiro?

A pátria é apenas o solo natal ou requer que haja uma identidade cultural entre os nascidos num território? Existem traços característicos que nos tornam brasileiros? Outros povos reconhecem essas manifestações culturais que carregamos como típicas do brasileiro? Como agrupar pessoas com trajetórias próprias, únicas, num coletivo chamado “povo”? Talvez seja perda de tempo juntarContinuar lendo “Existe “um” povo brasileiro?”

Ansiedade e burnout

Não há “controle” sobre a vida. Nossa vida é permeável e sujeita a intervenções externas fora de qualquer controle. Isso não é desesperador, como alguns acham; sempre foi assim, embora ultimamente esteja se insinuando como parte da realidade. Cerca de 19 milhões de pessoas sofrem de ansiedade no Brasil, segundo dados da OMS, o queContinuar lendo “Ansiedade e burnout”

À posteridade

Sobre o tempo retratado no poema abaixo, Hannah Arendt escreveu: “Tudo era suficientemente real na medida em que ocorreu publicamente; nada havia de secreto ou misterioso sobre isso. E no entanto não era em absoluto visível para todos, nem foi tão fácil percebê-lo; pois, no momento mesmo em que a catástrofe surpreendeu a tudo eContinuar lendo “À posteridade”

Nossas crenças

Acreditar numa possibilidade e transformá-la em “fato”, numa “verdade”, torna-nos reféns da mesma e pauta nossas atitudes. Tudo precisa ser feito de forma a vir confirmá-la. Darei dois exemplos. O primeiro é uma ficção. Imagine um lugarejo na fronteira de um império sem nome. Nele, um magistrado cumpre seus deveres cotidianos, esperando a aposentadoria próxima,Continuar lendo “Nossas crenças”

O assustador ser humano

“A maioria das pessoas não é realmente livre. Estão confinadas a um nicho no mundo que esculpiram para si mesmas. Elas limitam-se a poucas possibilidades devido à estreiteza da sua visão.” (V. S. Naipaul) Falar de política no Brasil está ficando algo surreal, distópico. Mudemos de assunto; falemos do humano. Há dois tipos de agressão:Continuar lendo “O assustador ser humano”

Paixão e razão

Sempre há quem confunda amor com paixão, embora sejam motivações e sensações muito diferentes. O amor é um sentimento puro e desprendido de desejo, de resultado e de interesses pessoais. O amor é altruísta, nada quer em troca; a paixão é egoísta, tudo precisa retornar para o desfrute do “amante”. A paixão é uma “exigência”Continuar lendo “Paixão e razão”

O mal entre nós

Quem começou a escantear de fato o pensamento cartesiano (racional e consciente) foi o Freud, quando inseriu o inconsciente no processo. Descartes não saberia explicar o comportamento de multidões que abrem mão de suas individualidades e do pensar para ladrarem pelo fim da democracia, pela instauração de uma ditadura! Na multidão, o indivíduo tem suaContinuar lendo “O mal entre nós”