“Nuvem tenebrosa”

Heráclito: o pré-socrático e a filosofia do movimento
(Heráclito)

O homem não é o centro do mundo; ele terminará por assimilar isso. A interdependência é o que rege a natureza – o homem é parte.

Nada é durável; a impermanência dita o ritmo: não adianta apegar-se a ideias, coisas ou pessoas. A segurança está na adaptação.

A vida flui e deve ser fruída. Ela se consome e se renova a cada momento.

Visão sem atenção é como comer algo insípido. As cores se combinam, se graduam, se omitem para acabar com a monotonia. A fala se alterna, se inventa, muda de tom para se insinuar.

Aprender é um jogo de superposições; às vezes a lição está acima, ainda não chegou; noutras, é uma carta a ser recuperada e combinada.

Glória é um princípio de loucura, de perda de si. Sucesso é o reencontro consigo, ou a centralização da consciência.

A riqueza está na frugalidade, no não precisar. Acumular é, além de desequilibrante, um fetichismo consumista insensato.

O poder é a capacidade de influência; ele não é outorgado, emana.

Dinheiro, valor de troca, não troca valor, mas o uso. Dinheiro, como reserva de valor, reserva falsos valores; valoriza a falta de reservas – morais, inclusive.

Ser o melhor é consequência do fazer melhor, fruto do pensar, da prática e da oportunidade.

O sentido da nossa existência, mesmo não evidente, é compor, agregar, multiplicar por divisão, diminuir arestas, aceitar o diferente como igual, não desprezar os menores, apoiar o erguimento dos necessitados, tudo com abnegação. Os que agem diferentemente, estão perdidos: procuram o sentido apenas nos sentidos.

“O mais alto objeto de criação nos aponta hoje o impensável, com o qual devemos agora aprender a viver da maneira mais humana e completa possível” (Patrick Chamoiseau)

A ignorância não nos deve angustiar, é parte do aprendizado: “Quem aumenta seu conhecimento aumenta sua ignorância”, dizia Schlegel.

“O espanto ininterrupto leva à interrogação ininterrupta”, lema de Morin.

“… quanto mais ele se elevava

menos ele entendia

o que era a nuvem tenebrosa

que iluminava a noite” (João da Cruz)

O mistério está na “nuvem tenebrosa”, que está fora de nosso alcance. É uma alegria, entretanto, persegui-lo.

“O homem é um mistério. Se dedicarmos nossa vida inteira a esclarecê-lo, não teremos perdido nosso tempo.

Eu me ocupo desse mistério, pois quero ser um homem.” (Dostoiévski)

Para Heráclito, cinco séculos a.C., a harmonia e a desarmonia se combinam, o que concorda e o que discorda se unem, e, se o conflito não é o pai único de todas as coisas, pois é inseparável da união, Eros e Tânatos estão, ao mesmo tempo, em complementaridade e antagonismo permanentes.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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