O lobo da estepe

Ontem, 9 de agosto, alguns lembraram da morte de Hermann Hesse, há exatos 60 anos. Seus livros me acompanharam na juventude e me ajudaram a ver o mundo sob outras perspectivas. Ele buscava a sabedoria, não como erudição, mas como o desnudamento da oculta santidade da vida, a sacralidade do existir. Ele fora muito influenciadoContinuar lendo “O lobo da estepe”

O triunfo do fracasso

Em fevereiro de 1949, Arthur Miller, muito tenso, aguardava a estreia de sua peça “A Morte do Caixeiro Viajante” na Broadway. Imaginava: que importância teria para aquela multidão, vivendo no clima de prosperidade do após-guerra, a vida e a morte de um homem tão simples e insignificante como um caixeiro-viajante? Foi um sucesso, inclusive deContinuar lendo “O triunfo do fracasso”

A vaidade coroa a tolice

Há menos diferença entre os animais que entre um homem e outro homem, dizia Plutarco. Claro, além da nossa base instintiva, temos uma carga cultural, imaginação, sonhos e pesadelos. Porém, o humano é vaidoso e confunde, muitas das vezes, o ornamento como imagem do ser. Como nunca é demais, resgato um trecho dos Ensaios deContinuar lendo “A vaidade coroa a tolice”

A parábola dos talentos

Muitos conhecem a Parábola dos Talentos, enunciada em Mateus 25 e, de forma assemelhada, na Parábola das Dez Minas, em Lucas 19. Sua leitura rápida parece endossar as atuais práticas capitalistas, o sistema bancário, os juros, a infatigável busca dos lucros e a meritocracia. Darei minha opinião, ao final, mas gostaria de conhecer outras. ParábolaContinuar lendo “A parábola dos talentos”

O estelionato do nosso futuro

Publiquei o texto abaixo em 17 de abril de 2021. Poucos leram, como é natural. Como o assunto permanece atual, resolvi republica-lo. Claro que a dinâmica geopolítica já agregou novos elementos – assim é a História. É um preparativo sobre um artigo que pretendo escrever sobre o bicentenário da nossa Independência. Sonhos são as maioresContinuar lendo “O estelionato do nosso futuro”

“Nunca é meio-dia na floresta”

Gonçalo M. Tavares é um fenômeno literário. Seu primeiro trabalho foi publicado em 2011; depois, desembestou: como dramaturgo, poeta, romancista, ensaísta contei mais de 40 obras! Coleciona prêmios: 11. Suas poesias tratam da vida, com agudo poder de observação e síntese. AS DUAS VELHAS São duas velhas, lado a lado, no café. Não se olham:Continuar lendo ““Nunca é meio-dia na floresta””

“Como descobrir lugar aonde me agradasse descer para principiar minha vida”

Não podemos esquecer Agostinho da Silva, o filósofo português que dedicou 22 anos de sua vida ao Brasil e optou por perder a nacionalidade portuguesa ao escolher a brasileira. Além de filósofo, era professor, filólogo, tradutor, poeta, ensaísta e pedagogo. Ensinou no Rio, Paraíba, Pernambuco e Bahia. Estudou entomologia no Instituto Oswaldo Cruz. Foi umContinuar lendo ““Como descobrir lugar aonde me agradasse descer para principiar minha vida””

A humanidade sempre expulsou seus “loucos”

“O inimigo deve ser feio, pois o belo é identificado com o bom. Uma das características fundamentais da beleza sempre foi aquilo que a Idade Média chamava de “integritas“, isto é, ter tudo o que é exigido para ser um representante médio daquela espécie. Os bárbaros, na Roma antiga, eram os que tinham, por exemplo,Continuar lendo “A humanidade sempre expulsou seus “loucos””

A antropologia acabará?

Mark David Pagel é membro da Royal Society e professor de biologia evolutiva na Reading University, no Reino Unido. É conhecido por seu trabalho na construção de modelos estatísticos destinados a examinar os processos evolutivos do comportamento animal e humano, da genômica ao surgimento de sistemas complexos, à linguagem e cultura. O que explica aContinuar lendo “A antropologia acabará?”

O caos e as organizações

Uma das primeiras imagens feitas pelo Hubble mostra a colisão entre duas galáxias. Esse encontro lançou uma violenta onda de energia no espaço. Uma destruição fantástica estava em curso. Porém, dentro do anel externo de gases quentes nasciam bilhões de novas estrelas. Este é um exemplo de que o caos é tanto morte como nascimento,Continuar lendo “O caos e as organizações”