A educação não é tudo; sem ela, porém, não se funda um futuro

A educação não garante, por si, um futuro promissor, equitativo e aspiracional. Entretanto, uma comunidade sem educação condena-se à dependência, escraviza-se aos detentores do saber, internos e externos. “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”, resumia Paulo Freire. Educação, frisemos, não é mera reprodução de um conhecimento padronizado,Continuar lendo “A educação não é tudo; sem ela, porém, não se funda um futuro”

Quem sabe o que se é?

A vida parece simples, para os simples. Da mesma forma, organismos simples, em meios adequados, requerem pouco conhecimento e nenhum planejamento para manterem a vida, apenas reagindo. Bastam alguns mecanismos sensitivos e um conjunto de pré-configurações para reagir conforme o que for percebido e dispor de algum recurso para executar a reação selecionada. Organismos complexos,Continuar lendo “Quem sabe o que se é?”

Educação, cultura e sociologia

Aleksandr Luria (1902-1977), neurologista russo, via os pensamentos simbólico e narrativo como fundadores do processo de hominização. Oliver Sacks (1933-2015) era um de seus seguidores. Luria foi um dos criadores da psicologia cultural-histórica, que enfatiza o papel mediador da cultura, particularmente da linguagem, no desenvolvimento de funções mentais superiores. Criar narrativas, dizia, significou e significaContinuar lendo “Educação, cultura e sociologia”

Complexidade

“Não basta unir o saber (a ciência) à alma (à consciência); é preciso incorporá-la àquele; não basta regá-lo, é indispensável com ela tingi-lo.” (Montaigne) Em 1982, Edgar Morin publicou “Ciência com consciência”, que deu origem ao Paradigma da Complexidade, já exposto nos primeiros volumes de “O Método”. Defendia, já então, o desenvolvimento de uma ciênciaContinuar lendo “Complexidade”

Por que não?

Nosso centenário Edgar Morin procura nos alertar sobre o chamado processo de “racionalização”. Este processo gera uma espécie de desatenção seletiva, de normalização, de remoção, que são gerados “pela exigência integralmente humana de se defender das angústias provocadas pela incerteza, que impulsionam cada indivíduo a buscar ‘certezas’, ‘ordem’, ‘definitividade’, tudo que possa evitar os dolorososContinuar lendo “Por que não?”

“… como é fácil se deixar levar” (Morin)

“Entramos na era das grandes incertezas”, diz Morin – que no próximo 8 de julho completará insuficientes 100 anos – querendo nos lembrar que nós, e principalmente os governantes, estamos sem bússola. Aliás, as bússolas indicam: “mudemos de rumo”, há precipícios à frente! Essa pandemia poderia nos ensinar alguma coisas sobre a solidariedade, a inteligência,Continuar lendo ““… como é fácil se deixar levar” (Morin)”

“Nuvem tenebrosa”

O homem não é o centro do mundo; ele terminará por assimilar isso. A interdependência é o que rege a natureza – o homem é parte. Nada é durável; a impermanência dita o ritmo: não adianta apegar-se a ideias, coisas ou pessoas. A segurança está na adaptação. A vida flui e deve ser fruída. ElaContinuar lendo ““Nuvem tenebrosa””

“aquilo que é tecido em conjunto”

“O Espírito do Vale nunca morreIsso se chama Orifício Misterioso A porta do Orifício Misterioso é a raiz do céu e da terra Seja suave e constante Usufruindo sem se apressar” (Tao Te Ching, capítulo 6) (“Espírito do Vale” representa a consciência do Vazio; “Orifício Misterioso” é o espaço onde o universo se cria eContinuar lendo ““aquilo que é tecido em conjunto””

“Quem aumenta seu conhecimento aumenta sua ignorância.” (F. Schlegel)

O que podemos conhecer da realidade? Muito, muito pouco. Quanto mais nos interessamos pelo saber, mais interesses consequentes, correlatos, aprofundados, aparecem. É uma aventura sem fim, felizmente. É uma lição de que o que importa é o caminho, não o destino. Quanto mais vemos o que existe de racional, mais é necessário ver também oContinuar lendo ““Quem aumenta seu conhecimento aumenta sua ignorância.” (F. Schlegel)”

“Não se pode odiar duvidando do ódio.” (Carolin Emcke)

“Afundo num lodo profundo, sem nada que me afirme; entro no mais fundo das águas, e a correnteza me arrastando … Esgoto-me de gritar, minha garganta queima, meus olhos se consomem esperando por meu Deus. Mais que os cabelos da minha cabeça são os que me odeiam sem motivo …” (Salmos 69: 3-5) O ódio,Continuar lendo ““Não se pode odiar duvidando do ódio.” (Carolin Emcke)”