Hidrogênio é a saída?

(Ilustração: Revista MT)

De acordo com o estudo “Scaling up”, produzido pelo Hydrogen Council, o hidrogênio verde pode representar 18% de toda a energia consumida mundialmente em 2050, reduzindo anualmente 6 Gt de emissões de CO2 e eliminando os principais poluentes do ar, como dióxido de enxofre, óxido de nitrogênio e materiais particulados, além de diminuir o nível de ruído nas cidades.

“Com essa tecnologia, o setor de transporte irá consumir 20 milhões a menos de barris de petróleo por dia, aumentando significativamente a segurança energética dos países”, aposta Monica Saraiva Panik

Há vinte anos, Jeremy Rifkin escreveu “A economia do hidrogênio”, com um subtítulo ambicioso: “A criação de uma nova fonte de energia e a redistribuição do poder na Terra”.

Nele, previa o fim da economia centralizada, alicerçada em combustíveis fósseis, e a emergência de uma rede internacional de hidrogênio (que batizou, pomposamente, de HEW – Worldwide Hydrogen Energy Web).

Esta rede – microusinas de força junto ao consumidor final, interligadas às redes de distribuição, como já ocorre com a energia fotovoltaica – mudaria as feições econômica (se tornaria mais difundida) e social (desagregaria os conglomerados humanos). Além, claro, de mitigar os efeitos do aquecimento global.

Bom, vamos devagar.

O fato é que o hidrogênio é o mais onipresente dos elementos do universo e se pudermos viabilizar economicamente seu uso como fonte de energia, poderemos ter uma fonte inesgotável.

O problema é que ele raramente existe na natureza em estado puro; deve ser extraído de alguma fonte natural – o que consome energia.

Há uma corrida tecnológica em busca de processos que tornem acessível sua extração, com pouco rastro de emissão de GEE. O santo graal é o “hidrogênio verde“.

Há hidrogênio de várias “cores”: cinza, preto, azul, e o verde, conforme sua rota e impacto ambiental.

Os cinza e preto são os obtidos pela queima de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás natural). O azul segue a mesma trilha, mas o gás carbônico associado à produção é capturado e estocado. O verde é o gerado a partir da eletrólise da água, desde que se utilize como fonte de energia as fontes renováveis.

Uma ideia que está sendo trabalhada (inclusive no Brasil) é utilizar a energia renovável (eólica, fotovoltaica ou biomassa) excedente ao consumo imediato para produção de hidrogênio, via eletrólise.

Esse é o propósito, por exemplo, do audacioso “HUB do Hidrogênio Verde“, que será instalado no Ceará.

Nem tudo está pacificado. Há o risco competitivo das baterias (um sucedâneo para o problema da intermitência das fontes alternativas), cujos custos têm baixado, mas que tem suas próprias restrições: o lítio usado nessas baterias demanda muita água e energia em seu processo de extração, além de potenciais litígios geopolíticos.

Outra dificuldade é o transporte do hidrogênio para os centros de consumo; ele é de difícil compressão, é inflamável e, para ser estocado em temperatura ambiente precisa ser mesclado com o nitrogênio, por exemplo, o que resulta em amônia.

E há o principal entrave – como vejo: a reação dos produtores de petróleo (inclusive o extraído de areia betuminosa) e carvão, com reservas ainda enormes, que não se entregarão facilmente. Só se houver uma honesta precificação do carbono.

Para a mobilidade urbana, há vários caminhos sendo testados, entre eles, está a célula a combustível via etanol, tão claramente defendida por Gonçalo Pereira, um arauto da bioeconomia.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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