O metaverso será nosso universo?

O que é metaverso, a nova aposta das gigantes de tecnologia - BBC News  Brasil

“Daquilo de que os outros não sabem sobre mim, disso eu vivo.” (Peter Handke)

Estamos perdendo nossos segredos, nossa individualidade, nossas idiossincrasias. Viramos um caldo cultural, mas com pouca especificidade.

Somos acompanhados e, monitorados. Sem percebermos, estamos nos entregando e nos deixando manipular. Que coisa! Que coisa nos tornamos!

A transparência de nossos atos, preferências, “convicções”, ideologias, gostos, preconceitos, fraquezas, sonhos, imaginações, dores … é um requisito das redes, sendo captada como nas “confissões” católicas.

As confissões aliviam, até absolvem. No caso das redes, como as respostas são diversas e muitas contraditórias, não há alívio, só o aumento da ansiedade.

Esquecemos que diabo (diábolos) significava, originalmente, o que dá temor, o que desune.

A liberdade de informação que as redes sociais propiciam é uma teia que nos envolve e aprisiona.

As pessoas não se reconhecem como são e se projetam como se imaginam. Mas, esse ser imaginado é o que somos, intimamente – em termos de desejos e recalques.

Em nome da liberdade de informação abrimos mão de nossa liberdade. Nossa liberdade torna-se uma nova forma de submissão – voluntária (olá Étienne de La Boétie).

Servidão voluntária. Do que trata este discurso?

Byung-Chul Han, um bom leitor do momento atual, diz que estamos nos “dissolvendo” num mundo de “informação”, de “não-coisas”.

Não-coisas que continuamos desejando, comprando e vendendo, que continuam nos influenciando. O mundo digital cada vez se hibridiza de modo mais notório com o que ainda consideramos mundo real, ao ponto de confundirem-se entre si, fazendo a existência cada vez mais intangível e fugaz. 

“Uma nova forma de submissão sucede à libertação. É esse o destino do sujeito, que literalmente significa ‘estar submetido’.

Hoje, acreditamos que não somos ‘sujeitos’ submissos, mas ‘projetos’ livres.” (Byung-Chul Han)

Projetos, nas mãos das plataformas que sabem o que “somos”, mais até do que sabemos.

Estamos nos tornando um “alguém anônimo”, pertencendo à topologia das massas.

E, lembrando Gustave Le Bon, “o direito divino das massas substituirá o direito divino dos reis”. Porém, acentuava que a insurgência das massas leva tanto à crise da soberania como ao declínio da cultura.

Não é à toa que empresas como o Facebook têm investido maciçamente no Metaverso.

Metaverso geralmente se refere a ambientes de mundo virtual compartilhados que as pessoas podem acessar via Internet.

Diz respeito a espaços digitais que se tornam mais realistas com o uso de realidade virtual (RV) ou realidade aumentada (RA), jogos, ou a transações com ativos digitais e terrenos digitais, com apoio da blockchain.

Parece que certos acontecimentos terão seus sentidos “perturbados” ou diluídos. Os gregos precisarão substituir certas expressões, como um fato (pragma), um acaso (tyché), um fim (telos), uma surpresa (apodeston) e uma ação (drama). O mundo virtual (alternativo, fugaz, falso) requererá novos referenciais.

O mundo real nos atropelará, como aconteceu com Roland Barthes (vítima de uma caminhonete de lavanderia), após um almoço com François Mitterrand, em 1980?

Barthes, que acreditava que o mundo é feito de um sistema de signos, que não comunicamos coisas, mas significações, como leria o mundo que se cria?

Há em curso, como adverte Ronaldo Lemos, uma ‘Grande Ruptura‘.

Essa ruptura é que o cânone, o autoral, é irrelevante – não tem significado textual, apenas instrumental.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

2 comentários em “O metaverso será nosso universo?

  1. Não existe “universo”. Nós vivemos no verso do Uno. O termo “universo” foi criado para confundir a humanidade e dar a sensação que existe a união perfeita.
    Se assim fosse, não haveria multi versos. E isso é o que realmente existe. Vivemos em versos paralelos. Vivemos na parte escura da terra,parte sombra. Assim como o sol central é um buraco negro e é de lá que vem a energia para o “planeta”. Assim como a energia também é lá transformada. O boraco negro tem a frequência zero. Ou seja,nem é positivo nem negativo. Apenas neutro.
    Daí a terra se tratar de um “planeta” prisão. Um planeta de experiências humanas (principalmente genéticas) por parte de seres não humanos habitantes e de outros seres não humanos fora do planeta.
    Daí a existência de Karma,de encarnações,de roda de Samsara,de submundos,etc. Isto só acontece na terra…..
    A humanidade vive como os ratinhos de laboratório,sempre na roda, á milhares de anos.
    Também não existe o ying e o yang, como os ocidentais (filosofias espiritualistas), nos projectam.
    Nada disso faz sentido, quando sabemos que o “planeta” é dominado somente pela energia masculina e de domínio.
    Tudo uma farsa bem arquitectada para manter a humanidade na ignorância e lhe dar a ilusão (véus de Maia), de liberdade e criador de sua própria realidade. Quanto ao “livre arbítrio”, seria outra questão….
    Mas, de acordo com o que foi exposto, poderá tirar as suas conclusões quanto a esse facto.

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