O que falta?

O Brasil convive – pacificamente – com várias crises, que afetam a maioria da população, em maior ou menor grau; a elite não é incomodada. Não é para qualquer país. A quietude do povo se explica, talvez, não por sua suposta índole mansa e ordeira, mas pela preocupação diária com a manutenção de sua subsistência.Continuar lendo “O que falta?”

Bichinhos curiosos …

Duas curiosidades sobre insetos (há muitas), começando pelos besouros rola-bosta, coprófagos (se alimentam de fezes de animais). Eles chegam até o monte de cocô e fazem uma esfera, empurrando-a para longe o mais rapidamente possível. Nele, enterram seus ovos. Quando surgem as larvas, estas se alimentam do rico bolo de fezes. Eles são ativos atoresContinuar lendo “Bichinhos curiosos …”

Existe, e somos os atores

O IPCC – Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima – não faz ciência; ele compila trabalhos científicos feitos por inumeráveis cientistas por todo o mundo. Ele prepara sínteses sobre esses estudos; essas sínteses são avaliadas por praticamente todos os países. Cabe ao IPCC determinar o estado do conhecimento sobre a mudança do clima, identificar ondeContinuar lendo “Existe, e somos os atores”

I-Juca-Pirama

I-Juca-Pirama significa “o que há de ser morto”, em tupi. É um dos poemas de Gonçalves Dias (1823-1864), da sua fase indianista. Narra a história de um índio tupi que, após uma batalha contra os timbiras, é preso e seu destino é a morte, para ser devorado. É exigido que ele faça o seu cantoContinuar lendo “I-Juca-Pirama”

Amendoeira

Para fugir desse ambiente tóxico da política (argh!), dos descaminhos econômicos, da falta de gestão na infraestrutura, à exceção dos puxadinhos – louváveis – do Tarcísio Freitas, dos desmontes dos poucos pontos em que avançamo-nos (combate aos desmatamentos, proteção aos indígenas, direitos à diversidade, inclusão social …), nada como procurar nosso leitor do cotidiano, CarlosContinuar lendo “Amendoeira”

Histórico da indiferença

“Por que eu sempre nado contra a corrente? Porque só assim se chega às nascentes”. (José Lutzenberger) “Sou pessimista quanto à raça humana, porque ela é tão engenhosa que acaba se voltando contra si mesma. Nosso modo de lidar com a natureza é obrigá-la à submissão. Teríamos mais possibilidades de sobrevivência se nos acomodássemos aContinuar lendo “Histórico da indiferença”

Vejam: isso logo será arqueologia

Não. A extinção dos nossos índios não será objeto de estudo da arqueologia. Uma nova ciência será criada, a recenslogia (de recente) – sugiro – um braço da etnologia para povos extintos. Lembro do incêndio do Museu Nacional – alguém se lembra? Os indígenas da Aldeia Maracanã correram até o prédio, a dois quilômetros. SaltaramContinuar lendo “Vejam: isso logo será arqueologia”

Legibilidade

James C. Scott, em seu livro Seeing like a State, apresenta o conceito de “Legibilidade“: “Centenas de anos atrás, as florestas serviam para muitas coisas – eram locais onde as pessoas colhiam madeira, mas também onde os habitantes locais procuravam alimentos e caçavam, bem como um ecossistema para animais e plantas. De acordo com aContinuar lendo “Legibilidade”

“Com um movimento de recuo podemos perceber este mundo como um todo, dizem os aborígines australianos”

Philippe Descola é um antropólogo francês, agora professor no prestigiado Collège de France. Ele realizou um estudo etnográfico de 1976 a 1979 com o povo indígena Achuar, que vive na floresta amazônica entre o Peru e o Equador. Os Achuar fazem parte do grupo Jivaros, anteriormente conhecido como guerreiros e caçadores de cabeças. É comContinuar lendo ““Com um movimento de recuo podemos perceber este mundo como um todo, dizem os aborígines australianos””

O fim de mais uma etnia

Aruká Juma tinha entre 86 e 90 anos. Era o último falante da língua do povo Juma. Ele morreu de Covid-19 em fevereiro, em Porto Velho, Rondônia. Com ele desaparece a etnia Juma. O povo Juma contava com cerca de 15 mil pessoas no século XVIII. Foi sendo devastado por doenças e conflitos com seringueiros,Continuar lendo “O fim de mais uma etnia”