Existe, e somos os atores

O IPCC – Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima – não faz ciência; ele compila trabalhos científicos feitos por inumeráveis cientistas por todo o mundo. Ele prepara sínteses sobre esses estudos; essas sínteses são avaliadas por praticamente todos os países. Cabe ao IPCC determinar o estado do conhecimento sobre a mudança do clima, identificar ondeContinuar lendo “Existe, e somos os atores”

Histórico da indiferença

“Por que eu sempre nado contra a corrente? Porque só assim se chega às nascentes”. (José Lutzenberger) “Sou pessimista quanto à raça humana, porque ela é tão engenhosa que acaba se voltando contra si mesma. Nosso modo de lidar com a natureza é obrigá-la à submissão. Teríamos mais possibilidades de sobrevivência se nos acomodássemos aContinuar lendo “Histórico da indiferença”

Vejam: isso logo será arqueologia

Não. A extinção dos nossos índios não será objeto de estudo da arqueologia. Uma nova ciência será criada, a recenslogia (de recente) – sugiro – um braço da etnologia para povos extintos. Lembro do incêndio do Museu Nacional – alguém se lembra? Os indígenas da Aldeia Maracanã correram até o prédio, a dois quilômetros. SaltaramContinuar lendo “Vejam: isso logo será arqueologia”

Legibilidade

James C. Scott, em seu livro Seeing like a State, apresenta o conceito de “Legibilidade“: “Centenas de anos atrás, as florestas serviam para muitas coisas – eram locais onde as pessoas colhiam madeira, mas também onde os habitantes locais procuravam alimentos e caçavam, bem como um ecossistema para animais e plantas. De acordo com aContinuar lendo “Legibilidade”

O fim de mais uma etnia

Aruká Juma tinha entre 86 e 90 anos. Era o último falante da língua do povo Juma. Ele morreu de Covid-19 em fevereiro, em Porto Velho, Rondônia. Com ele desaparece a etnia Juma. O povo Juma contava com cerca de 15 mil pessoas no século XVIII. Foi sendo devastado por doenças e conflitos com seringueiros,Continuar lendo “O fim de mais uma etnia”

Povos primitivos?

Em 1960, Claude Lévi-Strauss foi entrevistado por Georges Charbonnier. Selecionei um trecho de suas respostas quando questionado sobre “povos primitivos”. Ele faz uma analogia: considera os “primitivos” como uma máquina mecânica e, as sociedades “modernas” como termodinâmicas, movidas a vapor. “… As primeiras (primitivas) são as que utilizam a energia que lhes foi fornecida inicialmenteContinuar lendo “Povos primitivos?”

Uma visão “economicista”

“O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, tem uma visão ‘economicista da questão do meio ambiente e correta das coisas’”, disse Hamilton Mourão há poucos dias. O que significa “economicista”, para o ministro? Qual o seu objetivo, para além do discurso do “interesse nacional”? Após mais uma aparente “reviravolta” no encaminhamento da política ambiental, oContinuar lendo “Uma visão “economicista””

Temos demasiados meios para escassos e raquíticos fins

Volto à encíclica Laudato si’ (“Louvado sejas”), do papa Francisco, de 2015. Nela, o pontífice critica o consumo obsessivo e o desenvolvimento irresponsável e, apela à unificação global para o combate da degradação ambiental e às alterações climáticas. “Quando as pessoas se tornam autorreferenciais e se isolam na própria consciência, aumentam a sua voracidade: quantoContinuar lendo “Temos demasiados meios para escassos e raquíticos fins”

Sua Profundidade, Dra. Sylvia Earle

“Mesmo que você nunca tenha a chance de ver ou tocar o oceano, o oceano toca você a cada respiração, cada gota de água que você bebe, cada mordida do que você consome. Todos, em todos os lugares, estão inextricavelmente conectados e totalmente dependentes da existência do mar. ” – (Dra. Sylvia A. Earle) SylviaContinuar lendo “Sua Profundidade, Dra. Sylvia Earle”

“… a atmosfera teria sido feita transparente com esta intenção: brindar ao homem, nos corpos celestes, com a presença perpétua do sublime.”

Ralph Waldo Emerson era um pastor, até discordar sobre a “eucaristia” como um ato de fé: “Este modo de comemorar Cristo não serve para mim”, justificou. Juntamente com Henry David Thoreau e a impressionante Margaret Fuller desenvolveram o “transcendentalismo“, que defende a existência de um estado espiritual ideal que “transcende” o físico e o empírico,Continuar lendo ““… a atmosfera teria sido feita transparente com esta intenção: brindar ao homem, nos corpos celestes, com a presença perpétua do sublime.””