Esperançar é ir atrás, é não desistir.

Palacete das Artes recebe exposição de pinturas de Maria Kruchewsky | Bahia  | G1
(Pintura de Maria Kruschewsky)

Amar quem temos, a pessoa com quem vivemos, não é comum. A maioria lamenta – sente-se “infeliz” – por não ter ao lado a pessoa que “nos falta”, por quem alguns se “apaixonam”.

Outros não admitem “perder” o que têm, embora não haja amor nessa relação, só posse.

Schopenhauer, que gostava de colocar água no chope, dizia que quando se deseja o que não se tem, isto é falta, frustração; é “sofrimento”. Quando o desejo é satisfeito, acaba o sofrimento, uma vez que não há mais falta, mas não é felicidade! Ele diz que é “tédio”, essa ausência de felicidade no lugar mesmo da sua presença esperada.

Quando se é aviltado, menosprezado, desconsiderado e, depois faz-se justiça, ninguém fica “feliz”, só aliviado. É como livrar-se de uma dor de dente. É o restabelecimento (ou estabelecimento) da normalidade.

“Há duas catástrofes na existência, a primeira é quando nossos desejos não são satisfeitos; a segunda é quando são.” (George Bernard Shaw)

Abrindo um parêntese:

Num ambiente profissional, por exemplo, há fatores higiênicos e motivacionais, no linguajar de Frederick Irving Herzberg. Os motivacionais trazem satisfação; sua ausência, insatisfação.

O que motiva são fatores intrínsecos, internalizados, desejados pelos próprios profissionais. Não se lhes impõem. Fatores como o reconhecimento pelo trabalho feito, seu crescimento profissional, autorrealização, a capacidade de poder realizar desafios, a liberdade de decidir como realizar suas atividades e o uso pleno de suas habilidades pessoais.

Salário, ambiente empresarial, políticas da empresa, oportunidades de crescimento, a relação dos superiores com os demais funcionários e os benefícios sociais, clima organizacional, oportunidades de crescimento e condições físicas do ambiente de forma geral, são fatores “higiênicos”. Esses, quando ausentes, causam insatisfação, mas quando presentes, apesar de satisfatórios, não causam necessariamente a motivação do funcionário.

Fechando o parêntese.

Não confundamos satisfação com felicidade – esse símbolo de “sentido para a vida” -, a menos que nos contentemos com a felicidade dos pequenos e fugazes prazeres.

Como diz André Comte-Sponville, são as armadilhas da esperança – sendo a esperança a própria falta no tempo e na ignorância. Só esperamos o que não temos. Mas, há tantos que esperam sentados! Ao esperarmos sentados, portanto, somos tanto menos felizes quando mais esperamos ser felizes. Somos, dessa forma, constantemente separados da felicidade pela própria esperança que a busca.

Para Paulo Freire, repetido por Mário Sérgio Cortella, é preciso ter esperança para chegar ao inédito viável e ao sonho. Mas, há pessoas que têm esperança do verbo “esperar”.

Freire falava da esperança do verbo “esperançar”. Esperar é: “Ah,  eu espero que dê certo, espero que aconteça, espero que resolva”. Esperançar é ir atrás, é não desistir. Esperançar é ser capaz de buscar o que é viável para fazer o inédito. Esperançar significa não se conformar.

Woody Allen brincava: “Como eu seria feliz se fosse feliz!”. Quer dizer: é impossível que ele o seja algum dia, já que está constantemente esperando vir a sê-lo.

Pascal fala dessa busca. Entendia que jamais vivemos para o presente: vivemos um pouco para o passado e, principalmente muito, muito para o futuro. “Assim, nunca vivemos, esperamos viver; e, dispondo-nos sempre a ser felizes, é inevitável que nunca o sejamos.”

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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