América

ilustração de navio chines

O historiador mexicano Edmundo O’Gorman (1906-1995) insistia na ideia de que a América não foi “descoberta”, mas “inventada”.

1492 foi um ano marcante para o Ocidente. Além da “descoberta” da América por Colombo, houve o fim do domínio islâmico na Península Ibérica, a expulsão dos judeus da Espanha e, a publicação da primeira gramática em língua espanhola.

“É nesta época que a Europa começa realmente a existir”, na avaliação de Consuelo Varela, uma das mais respeitadas ‘colombistas’ espanholas.

Colombo, ao chegar no dia 12 de outubro de 1492 a uma pequena ilha, acreditava ter chegado a um arquipélago próximo ao Japão. Era a América, que se interpôs no caminho. Ainda hoje continua com essa mania.

Mas, chegar a uma ilha que se acreditava próxima do Japão não é a mesma coisa que revelar a existência de um continente que, apenas se suspeitava que existisse.

Existia, sim, uma lenda à época, a “lenda do piloto anônimo“, segundo o padre Bartolomeu de las Casas. Ele dizia que o motivo que levou Colombo a fazer a travessia foi o desejo de mostrar terras desconhecidas, das quais tinha notícia por informações que lhe dera um piloto, cuja embarcação havia sido lançada às praias por uma tempestade.

Navegantes portugueses asseguravam que ventos do oeste traziam cadáveres estranhos e às vezes arrastavam troncos curiosamente talhados, mas ninguém suspeitava de onde viriam, escreveu Eduardo Galeano.

Teria Colombo se inspirado na lenda grega das Hespérides, as filhas do entardecer, donas de um jardim situado no extremo ocidental do mundo?

Há também a hipótese de que os vikings, liderados por Leif Ericson, tenham ido da Groenlândia para a América do Norte há mil anos, cerca de 500 anos antes de Cristóvão Colombo. Essa história permanecia na tradição oral nórdica.

Esses vikings teriam assentado colônias no litoral do Canadá.

Outra hipótese é a citada por um capitão fenício, por volta de 500 a.C., que fala de uma “grande terra, fértil e de clima delicioso”, supostamente encontrada (e descrita) por ele, naquelas bandas.

Ainda, há a possibilidade – já comentada aqui – de que frotas encabeçadas por dois almirantes chineses, Zhou Man e Hong Bao, tenham navegado da África até a foz do Rio Orenoco, na atual Venezuela, descendo depois por toda a costa do continente até o Estreito de Magalhães, em 1421. 71 anos antes da viagem de Cristóvão Colombo. Eles tinham sido treinados e eram liderados pelo grande navegador chinês daquela época: o eunuco muçulmano Zheng He.

Finalmente, há o “conectado” Américo Vespúcio, cujo nome batizou o continente. Porquê, ninguém sabe direito. Até a metade do século XVII, a Espanha se referia às Américas como Índias Ocidentais.

Não, ele não descobriu a América, mas talvez tenha dado a dica para a Coroa Portuguesa sobre “aquilo” que viria a ser o Brasil.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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