As preocupações do governo em 1876

Em 1824, a constituição outorgada por Dom Pedro I determinava a realização de eleições para a escolha de representantes dos poderes legislativo e executivo. Claro que só as elites votavam. Eram requisitos: idade superior a 25 anos e ser do sexo masculino, além de comprovar uma renda mínima anual proveniente de empregos, comércio, indústria eContinuar lendo “As preocupações do governo em 1876”

Obviedades

A democracia não é garantia de baixa desigualdade. Depende da força de seus atores. Ela é facilmente e comumente dominada pelos poderosos, políticos e seus financiadores. Temos uma democracia dos 1%, para os 1% e pelos 1%. Da mesma forma, também os regimes autoritários – mesmo os de fachada socialista. Óbvio. Na democracia, pelo menos,Continuar lendo “Obviedades”

Quando acaba a saliva, tem que ter pólvora

“Nesta última noite, a Câmara Superior do Parlamento foi inspecionada por Sir Thomas Knevett, e ali foi capturado um certo Johnson (Guy Fawkes), empregado do Sr. Thomas Percy, que pusera 36 barris de pólvora na galeria arqueada debaixo da Câmara com o propósito de explodir o rei e toda a comitiva, quando ali estivessem reunidos.Continuar lendo “Quando acaba a saliva, tem que ter pólvora”

Os excluídos

A foto acima, de 1935, traz um jovem que supostamente manteve relações com uma judia, o que era proibido pelos nazistas, carregando um cartaz que diz: “Sou um poluidor da raça (ariana)”. A ideia dessas ações de propaganda era intimidar os que não concordavam com a teoria racial nazista. O que une, num regime autoritário,Continuar lendo “Os excluídos”

Judas merece uma chance?

“Sentido da minha obra: Tantos homens privados da graça? Como viver sem a graça? Devemos nos dedicar a isso E fazer o que o cristianismo nunca fez: ocupar-nos dos malditos.” (Albert Camus) Hoje, sábado de Aleluia, há a tradição da Malhação de Judas, trazida pelos portugueses. Costuma-se colocar máscaras ou nomes de políticos num bonecoContinuar lendo “Judas merece uma chance?”

“Um Tupi não chora nunca/ e tu choraste! … parte; não queremos/ com carne vil enfraquecer os fortes” (Gonçalves Dias)

Anthony Knivet (1560-1649) era inglês, ruivo, alfabetizado, barbudo – e escravo. Filho bastardo de um nobre inglês, se engajou na expedição de Cavendish em busca de fortuna. Era um observador arguto e possuía grande facilidade para as línguas. Foi capturado em Santos e permaneceu no Brasil como escravo de Martim Correia de Sá, por dezContinuar lendo ““Um Tupi não chora nunca/ e tu choraste! … parte; não queremos/ com carne vil enfraquecer os fortes” (Gonçalves Dias)”

Torço para que o espírito altivo, benigno, solidário prevaleça. Que possamos subir alguns degraus.

Em 1895, Gustave Le Bon publicou o clássico “Psicologia das Multidões”. Era médico, mas se interessava por psicologia, sociologia, antropologia e física. Seria, com licença da palavra, polímata. Há quem afirme que ele antecipou a teoria da relatividade de Einstein. Influenciou muitos políticos e pensadores, como Lenin, Hitler, Ortega y Gasset, Freud, Mussolini, Roosevelt, Churchill,Continuar lendo “Torço para que o espírito altivo, benigno, solidário prevaleça. Que possamos subir alguns degraus.”

“A verdadeira imagem do passado passa rapidamente” (Benjamin)

Walter Benjamin (1892-1940), como muitos à frente de seu tempo, só obteve fama após a morte. Um vida atormentada e sem reconhecimento, como Kafka. Só a posteridade os ergueria à fama. “Como tudo seria diferente se vencessem na vida aqueles que venceram na morte.” (Cícero) Para os que se antecipam, a “história se passa comoContinuar lendo ““A verdadeira imagem do passado passa rapidamente” (Benjamin)”

O terror não se controla

“Se a história passada fosse tudo o que importa no jogo, as pessoas mais ricas seriam os bibliotecários” ironiza Warren Buffett. Ele está certo. O passado só nos é útil se usado como prisma do presente. A história não é um fóssil. Ela é radioativa – emite sinais que podem ser captados. Aliás, os fósseisContinuar lendo “O terror não se controla”

Concentração fundiária

“Precisamos, precisamos esquecer o Brasil! Tão majestoso, tão sem limites, tão despropositado, ele quer repousar de nossos terríveis carinhos. O Brasil não nos quer! Está farto de nós! Nosso Brasil é no outro mundo. Este não é o Brasil. Nenhum Brasil existe. E acaso existirão os brasileiros?” (Trecho de Hino Nacional, de Carlos Drummond deContinuar lendo “Concentração fundiária”