Os homens não morrem de amor; matam!

STF libera homem que esfaqueou esposa por "defesa da honra" | Brasil |  Pleno.News

Claro, não quero generalizar; há casos em que mulheres também matam; e, nem todos os homens matam.

O fato, entretanto, é que há muitos homens que parecem se sentir no direito de matar as mulheres que não lhes amem ou não os suportem.

No primeiro semestre deste ano, 648 mulheres foram assassinadas no Brasil por motivação relacionada ao gênero. Em 2019, foram 1326 assassinadas!

“Legítima” defesa da honra. Quem não conhece essa história? Por que é legítima? Por que, normalmente, temos um homem – ofendido – e uma mulher, que o traiu?

“Até décadas atrás no Brasil, a legítima defesa da honra era o argumento que mais absolvia os homens violentos que mataram suas namoradas e esposas, o que fez o país campeão de feminicídio.” (Alexandre de Moraes)

“… surpreende saber que ainda se postula a absolvição sumária de quem retira a vida da companheira por, supostamente, ter sua honra ferida pelo comportamento da vítima. Em um país que registrou, em 2018, a quantidade de 1.206 mulheres vítimas de feminicídio, soa no mínimo anacrônico alguém ainda sustentar a possibilidade de que se mate uma mulher em nome da honra do seu consorte“, argumentou Rogerio Schietti Cruz, ministro do STJ.

O que acontece? Em outubro, a Primeira Turma do STF rejeitou a realização de um segundo Tribunal de Júri contra um homem que, no primeiro júri, foi absolvido da acusação de tentar matar a esposa com golpes de faca por imaginar ser traído.

Marco Aurélio, o relator, defendeu que o jurado pode absolver o réu “com base na livre convicção e independentemente das teses veiculadas …” Dias Toffoli e Rosa Weber acompanharam o voto. Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes votaram contra.

Agora, o pleno do STF julga um recurso similar. Vão decidir se cabe ou não recurso contra julgamento do Tribunal de Júri que absolva o réu mesmo que contrarie as provas apresentadas no processo. É como se o STF autorizasse o restabelecimento da vingança e da justiça com as próprias mãos.

Significa que, muitas vezes, o Júri decide inocentar o réu por ‘clemência’, ‘piedade’ ou ‘compaixão’, mesmo negando as provas incriminatórias. Neste rol entra a ‘legítima defesa da honra’.

Honra ferida! Que honra tem um assassino?

Como combater o machismo se a morte por ‘amor’ for legítima? Por que as mulheres não são inocentadas por esse argumento?

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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