A ordem das ideias deve seguir a ordem das coisas.

23 giugno 1668: nasce Giambattista Vico… la sua filosofia una boccata di  aria pura tra tanta ammorbata di razionalismo – Il Cammino dei Tre Sentieri
(Giambattista Vico, 1668-1744)

Giambattista Vico viveu durante o iluminismo e, de certa forma, criticava a preponderância na razão sobre o destino humano. O iluminismo foi importante por tirar do centro da vida humana os dogmatismos, quer religiosos, quer políticos e colocar a ciência (a razão) no seu lugar.

A posição de Vico era – e nisso é muito atual – que a razão não basta. Para ele existem verdades humanas que não podem ser demonstradas através das evidências racionais como as verdades da história, da poesia, da pedagogia, da medicina, do direito, da política, da arte e da moral. Algo próximo do que chamamos de complexidade – efeitos não lineares.

Considerava que Descartes errara na sua ênfase da razão.

Entendia que “a razão é a consciência do ser, mas não o conhecimento dele. A razão humana não é a causa da existência do homem, não foi a razão que criou o meu corpo, portanto não é ela que vai entendê-lo. A razão também não é a causa da minha mente pois a nossa reflexão é um vestígio, um recurso utilizado pela mente para tentar conhecer, mas não é a totalidade da nossa mente. O pensar nos dá o conhecimento da nossa existência, mas não nos garante o conhecimento total de quem realmente somos”, resume Arildo Luiz Marconatto.

Sobre o dilema das paixões individuais e seus efeitos na sociedade, escreveu:

“Devido à ferocidade, avareza e ambição, os três vícios que desencaminhavam toda a humanidade, a sociedade cria a defesa nacional, o comércio e a política, e dessa forma produz a força, a riqueza e a sabedoria das repúblicas. Devido a esses três grandes vícios que certamente destruiriam o homem sobre a terra, a sociedade faz assim com que surja a felicidade civil.

Esse princípio prova a existência da divina providência: através das suas leis inteligentes, as paixões dos homens que estão inteiramente ocupadas com a busca da sua utilidade particular são transformadas numa ordem civil que permite aos homens viver na sociedade humana.”

Nestas poucas frases, deixando de lado o recurso à ‘divina providência’, Vico antecipou a ‘Mão Invisível‘ de Adam Smith, a ‘Astúcia da Razão‘ de Hegel, e, o conceito freudiano da ‘sublimação‘.

Simplificadamente, a sublimação é um tipo de mecanismo de defesa maduro, no qual impulsos ou idealizações socialmente inaceitáveis ​​são transformados em ações ou comportamentos socialmente aceitáveis.

Com relação à Astúcia da Razão, Hegel dizia que a relação entre interesse particular e o universal é inseparável e se dá por participação. As paixões atuando por si mesmas, experimentam perdas e danos para que nessa luta e nessa perda sempre sobressaia algo, sempre exceda algo positivo, afirmativo. Dialética.

A Mão Invisível, não é a do corrupto; é a que trata da formação de preços no mercado: se a economia for livre, sem intervenção alguma de órgãos externos ou do governo, ela irá se regular de forma automática, como se houvesse uma mão invisível por trás de tudo.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: