Intocáveis

Falei noutro dia sobre os invisíveis; agora, abordo os intocáveis. Temos por aqui os que são intocáveis porque são inalcançáveis, inatingíveis, ninguém pode lhes tocar e, há aqueles que são intocáveis porque ninguém lhes quer tocar, e eles não tocam nosso coração. Os primeiros são os poderosos, principalmente os políticos, os magistrados, altos empresários, herdeiros,Continuar lendo “Intocáveis”

Invisíveis

A vertiginosa velocidade das mudanças em curso, em todos os meios humanos, tem tornado, a muitos de nós, desassociados com o ambiente ao redor e, até consigo mesmos. Há um deslocamento, um distanciamento crescente, entre nossas aspirações, desejos, sonhos e a nossa realidade. Mesmo quando parte desses desejos é atingido, a insatisfação (a infelicidade) éContinuar lendo “Invisíveis”

O Positivismo resultou no negacionismo

O Positivismo influenciou, em parte, a Proclamação da República. Pouco falado é que os principais líderes do chamado Apostolado Positivista do Brasil imaginavam, de acordo com seus princípios, uma república ditatorial, enquanto os verdadeiros republicanos defendiam uma democracia liberal. A palavra ditadura, segundo Pedro Laffitte, que sucedeu Auguste Comte, “não dá de modo nenhum oContinuar lendo “O Positivismo resultou no negacionismo”

O massacre do navio Zong

A comida e a água não eram suficientes para a tripulação e os africanos escravizados. O encarregado da logística não era preparado. Algo precisava ser feito. Adivinhem! Numa reunião, a tripulação concordou por unanimidade: os negros alimentariam os tubarões. Começaram pelos considerados de retorno menos imediato: 54 mulheres e crianças foram jogadas ao mar. DoisContinuar lendo “O massacre do navio Zong”

O discurso da meritocracia

Declaração Universal dos Direitos Humanos Artigo 1Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade. Artigo 21. Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinçãoContinuar lendo “O discurso da meritocracia”

Insulto não é argumento

O ministro Barroso faz uma análise pertinente e detalhada sobre o movimento de rompimento constitucional em curso – que visa assentar no poder absoluto um incompetente e suspeito de corrupção, que pelo seu combate se elegeu – e derruba cada uma das falsas acusações feitas ao sistema eleitoral. É um texto para estudo, porém ineficaz.Continuar lendo “Insulto não é argumento”

A revolução, segundo Alceu Amoroso Lima

Em 2019, o presidente chileno Sebastián Piñera pronunciou-se a respeito dos crescentes protestos nas ruas. Lamentou não ter se antecipado à insatisfação popular: “Reconheço essa falta de visão e peço desculpas a meus compatriotas … recebo com humildade e clareza a mensagem que os chilenos nos deram”. Quando, por aqui, ocorreram os protestos de 2013,Continuar lendo “A revolução, segundo Alceu Amoroso Lima”

A história como farsa, ou tragédia?

Carlos Heitor Cony estava ameaçado de prisão, enquadrado na Lei de Segurança Nacional; a pena poderia chegar a trinta anos de cadeia. Ele havia escrito um texto que desagradara aos novos poderosos, ironizando a bravura dos militares. Felizmente, conseguiu os serviços de Nelson Hungria, que havia sido presidente do STF. Hungria pediu um habeas corpusContinuar lendo “A história como farsa, ou tragédia?”

A ética do cuidado e a questão de gênero

“Uma mulher é morta a cada nove horas durante a pandemia no Brasil”, era manchete no Brasil no ano passado. O país acumulou 4.936 mulheres mortas em 2019, o maior número registrado na série histórica do levantamento. Deixando claro: feminicídio refere-se aos assassinatos de mulheres em que o fato de serem mulheres tenha sido oContinuar lendo “A ética do cuidado e a questão de gênero”

“Felizes as nações que não esperaram que revoluções lentas e vicissitudes incertas fizessem do exceder-se do mal uma norma para o bem …” (Beccaria)

Cesare Beccaria era um marquês. Porém, era um pensador – um iluminista. Não se acomodou ao status quo, que favorecia aos aristocratas. Pregou a igualdade dos criminosos responsáveis pelo mesmo crime. Que se lhes aplicasse a mesma pena, independentemente da condição social. “Sejam aplicáveis as mesmas penas às pessoas da mais alta categoria e aoContinuar lendo ““Felizes as nações que não esperaram que revoluções lentas e vicissitudes incertas fizessem do exceder-se do mal uma norma para o bem …” (Beccaria)”