Florbela Espanca, 1894-1930

Fanatismo Minh’alma, de sonhar-te, anda perdidaMeus olhos andam cegos de te ver!Não és sequer a razão do meu viver,Pois que tu és já toda a minha vida! Não vejo nada assim enlouquecida…Passo no mundo, meu Amor, a lerNo misterioso livro do teu serA mesma história tantas vezes lida! “Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”QuandoContinuar lendo “Florbela Espanca, 1894-1930”

“Quando o mundo te coloca de joelhos, você está na posição perfeita para orar” (Rumi)

O persa Jalal-al-Din Rumi viveu entre 1207 e 1273. Era místico, dervixe e poeta. “Quando eu voltar ao mar absoluto, meus átomos irão resplandecer. Eu ardo como a vela da paixão. Hei de viver o instante para sempre.” “Não chores o passado, Ó, filho do presente. A pura juventude triunfa sobre o tempo.” “Ó vida,Continuar lendo ““Quando o mundo te coloca de joelhos, você está na posição perfeita para orar” (Rumi)”

Conta-me, ó Cisne (Poema 12 de Kabir)

Conta-me, ó Cisne, tua velha história. De onde viestes? Para onde vais? Em que margem pousarás para descansar? A qual meta entregastes o coração? Esta é a manhã da consciência! Voemos juntos! Desperta! Segue-me! Há um lugar livre da dúvida e da tristeza, Onde o terror da morte não impera. Lá, florescem bosques em eternaContinuar lendo “Conta-me, ó Cisne (Poema 12 de Kabir)”

Habitado pela poesia

Lugares sobre um planeta Os semelhantes florescem mínimo pássaro do tempo Nós continuamos, indizíveis cristais, tremores O fabuloso desfilando o extraordinário, comum mas a penitência da incerteza permanece Novas margens desmoronadas esforços liliputianos É preciso apressar-se A História vai fechar-se Henri Michaux foi poeta, pintor e viajante “imaginário”. Como Aldous Huxley, experimentou drogas alucinógenas, comoContinuar lendo “Habitado pela poesia”

O Homem; As Viagens (Carlos Drummond de Andrade)

O homem, bicho da terra tão pequenoChateia-se na terraLugar de muita miséria e pouca diversão,Faz um foguete, uma cápsula, um móduloToca para a luaDesce cauteloso na luaPisa na luaPlanta bandeirola na luaExperimenta a luaColoniza a luaCiviliza a luaHumaniza a lua.Lua humanizada: tão igual à terra.O homem chateia-se na lua.Vamos para Marte – ordena a suasContinuar lendo “O Homem; As Viagens (Carlos Drummond de Andrade)”

Wislawa Szymborska – a natureza em nós

Conversa com a pedra Bato à por­ta da pe­dra.– Sou eu, de­ixa-me en­trar.Qu­ero pe­ne­trar no teu in­te­rior,ol­har ao re­dor,pren­der-te como a re­spi­ra­ção. – Sai – diz a pe­dra.Sou her­me­ti­ca­men­te fe­cha­da.Me­smo qu­ebra­das em pe­da­çosva­mos fi­car her­me­ti­ca­men­te fe­cha­das.Me­smo tri­tu­ra­das em grãosnão va­mos de­ixar nin­gu­ém en­trar. Bato à por­ta da pe­dra.– Sou eu, de­ixa-me en­trar.Ven­ho por cu­rio­si­da­de pura.AContinuar lendo “Wislawa Szymborska – a natureza em nós”

Saadi

(Trechos de O Jardim das Rosas, na tradução de Aurelio Buarque de Hollanda, 1952) O Idiota Certo vizir tinha um filho idiota. Mandou-o estudar com um sábio, a quem disse: – Cuida desse menino. Talvez ele se torne inteligente. Durante alguns meses o sábio ensinou à criança, sem nenhum resultado. Desiludido, escreveu ao pai: “TeuContinuar lendo “Saadi”

Há metafísica bastante em não pensar em nada (Alberto Caeiro)

O que penso eu do Mundo?Sei lá o que penso do Mundo!Se eu adoecesse pensaria nisso.Que ideia tenho eu das coisas?Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?Que tenho eu meditado sobre Deus e a almaE sobre a criação do Mundo?Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhosE não pensar. É correrContinuar lendo “Há metafísica bastante em não pensar em nada (Alberto Caeiro)”

A evolução da forma

(Poema de Jalâl ad-Din Rûmî)   Toda forma que vêstem seu arquétipo no mundo sem-lugar.Se a forma esvanece, não importa,permanece o original. As belas figuras que viste,as sábias palavras que escutaste,não te entristeças se pereceram. Enquanto a fonte é abundante,o rio dá água sem cessar.Por que te lamentas se nenhum dos dois se detém? AContinuar lendo “A evolução da forma”