Angústia de não pertencer a lugar nenhum, mas ao mesmo tempo, a todos os lugares

Os judeus passaram por várias diásporas, expulsões forçadas pelo mundo. A justificativa estaria em desobedecerem a voz de Iahweh: “Iahweh te entregará, já vencido, aos teus inimigos: sairás ao encontro deles por um caminho, e por sete caminhos deles fugirás!” (Deuteronômio 28, 25). Talvez a primeira diáspora tenha sido a expulsão de Eva e AdãoContinuar lendo “Angústia de não pertencer a lugar nenhum, mas ao mesmo tempo, a todos os lugares”

“Duas estradas num bosque se bifurcavam, e eu/ A menos percorrida trilhei,/ E isto fez toda a diferença” (Robert Frost)

Robert Lee Frost (1874-1963) foi um dos mais importantes poetas americanos do século XX. Recebeu quatro prêmios Pulitzer. Seus poemas falam da solidão e da melancólica transitoriedade da vida. A ESTRADA NÃO PERCORRIDA (Tradução de Henry Alfred Bugalho) Estradas se bifurcavam num amarelado bosque,/ E me ressenti não poder ambas percorrer/ Sendo um só viajante, porContinuar lendo ““Duas estradas num bosque se bifurcavam, e eu/ A menos percorrida trilhei,/ E isto fez toda a diferença” (Robert Frost)”

“A irrealidade do que é visto dá realidade ao olhar” (Octavio Paz)

O mexicano Octavio Paz (1914-1998) era poeta, ensaísta, tradutor, crítico literário e diplomata. Certeza    “Se é real a luz brancadesta lâmpada, reala mão que escreve, são reaisos olhos que olham o escrito? Duma palavra à outrao que digo desvanece-se.Sei que estou vivoentre dois parênteses.” Paz relaciona Religião com Poesia. Ambas tendem à comunhão; as duasContinuar lendo ““A irrealidade do que é visto dá realidade ao olhar” (Octavio Paz)”

“Por mais bela que seja cada coisa/ Tem um monstro em si suspenso”

Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu no Porto, Portugal, em 1919 e viveu até 2004. QUANDO (Sophia de Mello Breyner) Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta Continuará o jardim, o céu e o mar, E como hoje igualmente hão-de bailar As quatro estações à minha porta. Outros em Abril passarão no pomarContinuar lendo ““Por mais bela que seja cada coisa/ Tem um monstro em si suspenso””

Ainda resta a poesia

ANOITECER (Carlos Drummond de Andrade) É a hora em que o sino toca,mas aqui não há sinos;há somente buzinas,sirenes roucas, apitosaflitos, pungentes, trágicos,uivando escuro segredo;desta hora tenho medo. É a hora em que o pássaro volta,mas de há muito não há pássaros;só multidões compactasescorrendo exaustascomo espesso óleoque impregna o lajedo;desta hora tenho medo. É aContinuar lendo “Ainda resta a poesia”

Há crianças na rua

Um amigo me apresentou a poesia abaixo, publicada em 1955, de Armando Tejada (1929-1992). Até quando nossa “humanidade” continuará ignorando a miséria? Por que muitos, ao invés de se solidarizarem, temem crianças abandonadas à sorte das ruas? Elas são violentas? E a sociedade? É natural, é a vontade de Deus, é incompetência das famílias queContinuar lendo “Há crianças na rua”

“O que não foi/ tocado é o que/ deixou sua marca/ mais nítida na mão.”

Volto com Ruy Espinheira Filho, o poeta baiano (quase um pleonasmo) que traz toda a complexidade da vida num lirismo nunca abandonado. À sua memória, aflora o eterno fluir, com nossa pegada – visível, indelével ou fugaz, efêmera – no tempo. Talvez por isso tenha recebido a alcunha de “poeta da memória”. “Com que contundênciaContinuar lendo ““O que não foi/ tocado é o que/ deixou sua marca/ mais nítida na mão.””

“Incerto, incauto renasço a cada dia” (Adonis)

Ali Ahmad Said Esber é um poeta sírio. Adotou o pseudônimo de Adonis em referência a uma fábula fenícia que se irradiou na mitologia grega. Na mitologia, Adonis atraiu o amor de Afrodite e de Perséfone. Problemas. Uma mulher só já requer atenção; duas desestabilizam. Vocês viram o debate de ontem. Ares, amante de AfroditeContinuar lendo ““Incerto, incauto renasço a cada dia” (Adonis)”

“Como guardará/ Esta noite e outras e manhãs e tardes e nossas vozes que aos poucos cessarão” (Ruy Espinheira)

Ruy Alberto de Assis Espinheira Filho nasceu em 1942, em Salvador. É jornalista, poeta, romancista, contista, ensaísta e cronista. É membro da Academia de Letras da Bahia. Ele é um dos mais importantes poetas líricos brasileiros da modernidade, na opinião de Miguel Sanches Neto. NESTA VARANDA (Ruy Espinheira Filho) Logo mais não estaremosAqui nesta varanda, emContinuar lendo ““Como guardará/ Esta noite e outras e manhãs e tardes e nossas vozes que aos poucos cessarão” (Ruy Espinheira)”

Tem gente com fome

Convenhamos, termos gente passando fome atualmente é um escárnio, uma maldade, uma ignorância do que é a vida. Você pode passar toda a sua vida bem nutrido, ignorando a fome que nos rodeia, mas nunca será alimentado de humanidade, a não ser que adquira uma sensibilidade pela dor alheia. A fome é atroz! Só quemContinuar lendo “Tem gente com fome”