“Ninguém – Também?/ Então somos um par?”

Mais poesias. Algo que valha a pena, neste mundo sufocante. Algo inútil. Aquilo que antes de contrariar, possa expandir. Cercar-se de ares frescos, mesmo pútridos. Poesia como via João Cabral: “Isto não presta para nada, e no entanto está aqui a minha vida inteira.” Ou, como protestava Maria Tsvietáieva: “Não amo o mar; o marContinuar lendo ““Ninguém – Também?/ Então somos um par?””

A vida é poesia e terror

“Entre a ideia/ E a realidade/ Entre o movimento/ E o ato/ Cai a sombra …” (T. S. Eliot) “Ser Flor, é profunda Responsabilidade” (Emily Dickinson) “A floresta precede os povos./ E o deserto os segue.” (François-René de Chateaubriand) “Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta.” (Jung) ESPAÇO “Ainda há espaço paraContinuar lendo “A vida é poesia e terror”

Limiares

O irlandês John O’Donohue era poeta e padre. Formou-se em Inglês, Filosofia e Teologia. Na Alemanha fez doutorado em Teologia Filosófica, dissertando sobre Hegel e, pós-doutorado sobre a mística de Mestre Eckhart, um expoente do neoplatonismo, como Plotino. Morreu dormindo, dois dias após seu aniversário de 52 anos. “A qualquer momento você pode se perguntar:Continuar lendo “Limiares”

Gente simpática e pacífica – de bem!

É possível chegarmos ao conhecimento sobre as coisas que nos rodeiam? Husserl, o fundador da Fenomenologia, perguntava-se sobre “as perplexidades em que se enreda a reflexão sobre a possibilidade de um conhecimento atinente às próprias coisas; como pode o conhecimento estar certo da sua consonância com as coisas que existem em si, de as ‘atingir’?”Continuar lendo “Gente simpática e pacífica – de bem!”

“Os deuses, quando amam, prendem o frêmito do cosmos”

Volto a mostrar mais um pouco da poesia de Khliébnikov. Abaixo há um link para uma publicação anterior. Após uma permanência no Irã, Khliébnikov regressou a Moscou, em 1921. A atmosfera da Nova Política Económica, de Lenin, que encontrou, com a sua essência mercantil, parecia profundamente alheia à sua natureza . Este não era oContinuar lendo ““Os deuses, quando amam, prendem o frêmito do cosmos””

Poesias, quase preces

Adriana Zarri foi teóloga e poetisa. Morreu em 2010, aos 91 anos. Tinha uma forma quase mística de se expressar. “Por que você não vem/ nessas noites solitárias, / quando o vidro brilha/ o último vermelho do pôr do sol? Por que você não vem, nestas noites silenciosas/ quando não vem mais barulho; / e, naContinuar lendo “Poesias, quase preces”

“o potencial que me pertence”

A literatura, a poesia em especial, nos permite ver outras realidades e, fazermos questionamentos do “real”. Real é o que acreditamos que exista, conforme nossas lentes mentais. Assim como nos sonhos, a imaginação nos transporta para realidades virtuais, aumentadas ou mistas, desde sempre; multiversos à nossa disposição, baseados nos nossos próprios algoritmos inconscientes. Ao abandonoContinuar lendo ““o potencial que me pertence””

“Sobre o nada eu tenho profundidades”

Manoel de Barros tinha “um olhar de fonte, um olhar de primeira água”, no dizer de Paulinho Assunção. Era o próprio sentimento, numa vertente sempre da infância, da curiosidade e da reverência. Um cultor da palavra e da simplicidade. Fazia um esforço para nada explicar; o que se consegue explicar, satisfatória e completamente? Ele amavaContinuar lendo ““Sobre o nada eu tenho profundidades””

JANDIRA (Murilo Mendes)

O mundo começava nos seios de Jandira. Depois surgiram outras peças da criação:Surgiram os cabelos para cobrir o corpo,(Às vezes o braço esquerdo desaparecia no caos).E surgiram os olhos para vigiar o resto do corpo.E surgiram sereias da garganta de Jandira:O ar inteirinho ficou rodeado de sonsMais palpáveis do que pássaros. E as antenas dasContinuar lendo “JANDIRA (Murilo Mendes)”

Calma: é só um poema!

A poesia de Cláudio Guimarães dos Santos é um emblema de nosso tempo, angustiado, saturado de ruídos, com a sensação de que a pressão atmosférica se eleva acima de 1 atmosfera, esmagando-nos, à medida em que afundamos. Trago aqui um dos poemas de seu novo livro, Gaugamela. O CÉU DE DEUS O céu de DeusContinuar lendo “Calma: é só um poema!”