“… Fui feita para objetivos maiores e ando com graça e estilo”

“Quando anoitecer espera pela minha visitapois a noite é quem mais guarda segredo.O que sinto por ti é tal que se fosse o Sol, não nascia,e a lua cheia não se erguia e as estrelas deixavam de girar.” (Wallada Bint Mustakfi) (tradução de Nádia Bentahar e André Simões) Wallada Bint Mustakfi era filha de MuhammadContinuar lendo ““… Fui feita para objetivos maiores e ando com graça e estilo””

“A inconsistência frágil das horas turbulentas”

Maria do Sameiro Barroso, nasceu em Braga (Portugal), em 1951. É médica, tradutora, ensaísta e poetisa. Noite Dissecada Já não pernoitas no jardim luminosodas quimeras inocentes.Com os olhos vazados e a íris sem cor,persegues os laços negros, a lua negra,alheio aos subterfúgios da luz e da doçura.Com os pulmões cheios de águae os olhos esvaziadosContinuar lendo ““A inconsistência frágil das horas turbulentas””

O tempo e suas perspectivas

Maria Rita Kehl é psicanalista, crítica literária, jornalista, escritora e poetisa. Tem 69 anos. Imprevisões do tempo (1980) “Eu era muito velha. Aos quinze anos podia jurar que as noites de sábado foram feitas para se pintar os olhos e ter um namorado. Aos dezoito a maior batalha consistia em encher a semana de responsabilidadesContinuar lendo “O tempo e suas perspectivas”

“Meu quarto está cheio de vigas quebradas de luz”

Nas colinas do amanhecer (Alexander Posey) “Veja, a taça azul-celeste da ipomeiaÉ minha para beber o néctarNaquela manhã, derramamento de orvalho prateado,E música sobre os ventos que cortejamE suspirar seus votosEntre os ramos! Eis que sou rico em diamantes raros,E pérolas, e respirar um ar dourado;Meu quarto está cheio de vigas quebradasDe luz; minha vidaContinuar lendo ““Meu quarto está cheio de vigas quebradas de luz””

A imperfeição é nosso paraíso

“Mesmo que esta simplicidade completa Pudesse afastar todo tormento, ocultar Esse composto perverso e vital, o eu, Fizesse dele coisa nova num mundo De água clara, branco e nítido, ainda assim Seria preferível, necessário, mais, Mais que um mundo de neve e cheiros brancos. Haveria ainda a consciência inquieta: Daí a vontade de fugir, voltarContinuar lendo “A imperfeição é nosso paraíso”

“O poema tem que resistir à inteligência, até quase conseguir”

“Não há mudança de morte no paraíso?A fruta madura nunca cai? Ou faça os ramosPendure sempre pesado naquele céu perfeito,Imutável, mas tão parecido com nossa terra perecendo,Com rios como o nosso que procuram maresEles nunca encontram, as mesmas margens recuandoQue nunca toque com angústia inarticulada?Por que colocar a pera nas margens do rioOu temperar asContinuar lendo ““O poema tem que resistir à inteligência, até quase conseguir””

“Haverá canto” (poesia de Juliana Spahr)

Durante esses dias,Eu acordava e minha cabeça doíae então eu percebia que no meu sonhoEu dizia a mim mesma que deveria escrever um pouco de poesia.Mas meus sonhos nunca me explicavam por quê.Ou como.Como cantar nestes tempos sombrios?É verdade que estou há muito tempo com a poesia.Desde adolescente.Esses amores de muitos anos e nossos corposContinuar lendo ““Haverá canto” (poesia de Juliana Spahr)”

“Certa vez olhamos para o mundo, na infância. O resto é memória.”

Louise Glück foi a vencedora do Prêmio Nobel de Literatura deste ano. Não conhecia. “… ela se inspira em mitos e motifs clássicos, presentes na maior parte do seu trabalho. As vozes de Dido, Perséfone e Eurídice — a abandonada, a punida, a traída — são máscaras para um eu lírico em transformação, tão pessoalContinuar lendo ““Certa vez olhamos para o mundo, na infância. O resto é memória.””

Isso posto (Luci Collin)

impecável como uma aurora instala um dia como o botão abriga a rosa aberta implícito como a lua define a decisão da vazante e como o sol define a indulgência da lua infinito como o entusiasmo dessa tempestade e como o pardal abrange o telheiro algo como o primeiro olhar da mãe pro filho eContinuar lendo “Isso posto (Luci Collin)”

Levaram os caminhos

“Há muitos anos que os caminhos se arrastavamSubindo para as montanhas.Percorriam as florestas perseguindo a distância,Lentos e longos deslizavam nas planícies. Passaram chuvas, passaram ventos,Passaram sombras aladas… Um dia os aviões surgiram e libertaram a distância,Os aviões desceram e levaram os caminhos”. “No tempo dos profetasEram eles que prediziamo que hoje predizem os poetas.” JoaquimContinuar lendo “Levaram os caminhos”