Ausência presente – poesias de Ana Martins Marques

Poesias de Ana Martins Marques: “Porque um barco volta a ser madeira e mesmo uma casa volta a ser pedra porque as coisas tecidas um dia se destecem porque não é eterno o amor entre as coisas porque mesmo o vidro mesmo o metal perecerão os seus olhos lentos a sua carne violenta a eletricidadeContinuar lendo “Ausência presente – poesias de Ana Martins Marques”

“Uma poça … que viveu alguns segundos”

Tempos nebulosos, sem memória, descompensados, extremados, centrífugos … requerem poesia. Ana Martins Marques é poesia. EM BRANCO Dizem que Cézannequando certa vez pintou um quadrodeixando inacabada parte de uma maçãpintou apenas a parte da maçãque compreendia. É por issomeu amorque eu dedico a vocêeste poemaem branco. HISTÓRIA “Tenho 39 anos. Meus dentes têm cerca deContinuar lendo ““Uma poça … que viveu alguns segundos””

Viver é aprender a conjugar o verbo perder (Bishop)

Elizabeth Bishop parou, acidentalmente, no Brasil; ficou por mais de 15 anos. Apaixonou-se pela geografia e por Lotta (Maria Carlota Costallat de Macedo Soares), arquiteta e paisagista. O desenlace é trágico – Lotta morreu de overdose durante uma visita à ex-amante, em Nova Iorque. Era mais uma tragédia na vida de Elizabeth: seu pai morreuContinuar lendo “Viver é aprender a conjugar o verbo perder (Bishop)”

“Sê plural como o universo” (Pessoa)

Senhor, meu passo está no Limiar (Fernando Pessoa) Senhor, meu passo está no Limiar Da Tua Porta. Faz-me humilde ante o que vou legar… Meu mero ser que importa? Sombra de Ti aos meus pés tens, desenho De Ti em mim, Faz que eu seja o claro e humilde engenho Que revela o teu Fim.Continuar lendo ““Sê plural como o universo” (Pessoa)”

E a multidão vendo atônita/ Ainda que tarde/ O seu despertar

Simbolicamente, a Rosa dos Ventos representa luz e sorte. Significa também a necessidade de mudanças, de se encontrar uma direção, um caminho a seguir. Rosa-dos-Ventos (Chico Buarque) E do amor gritou-se o escândaloDo medo criou-se o trágicoNo rosto pintou-se o pálidoE não rolou uma lágrimaNem uma lástimaPra socorrer E na gente deu o hábitoDe caminhar pelas trevasDe murmurar entre as pregasDeContinuar lendo “E a multidão vendo atônita/ Ainda que tarde/ O seu despertar”

O poeta-operário

ESTRELA (Maiakóvski, 1913) “Escutai! Se as estrelas se acendem será porque alguém precisa delas? Por que alguém as quer lá em cima? Será que alguém por elas clama, por essas cuspidelas de pérolas? Ei-lo aqui, pois, sufocado, ao meio-dia, no coração dos turbilhões de poeira; ei-lo, pois, que corre para o bom Deus, temendo chegarContinuar lendo “O poeta-operário”

“A noite é um rosário de horas sem resposta”

Insomnia mi (Meus sonhos) (Poema de Ariel Francisco) “O néon faz um buraco no meio da noitee o freon abre um buraco no céu” (Dessa Darling) “Escuridão a noite todaconstrói sua cidadela inquestionávelde pensamentos intrusivos se você ouvir com atençãovocê pode ouviro sussurro da subida das águas se você cobrir seus ouvidosvocê vai ouvir tambémContinuar lendo ““A noite é um rosário de horas sem resposta””

“aventura é ser mãe e pai”

Quantos sentidos temos? Alguns, nenhum. Outros, seis ou sete. Além dos cinco tradicionais, supõem-se que haja um sexto sentido, o “feeling“, a intuição, o pressentimento – a integração de todos os cinco, ou a emergência de um sentimento agregado, segundo o neurologista Martin Portner. Pode, ainda, haver um sétimo, a sinestesia, que alguns preferem entenderContinuar lendo ““aventura é ser mãe e pai””

Tem gente com fome

O pernambucano Francisco Solano Trindade era cineasta, teatrólogo, pintor, ator, folclorista e poeta. Era, também, militante do Movimento Negro. Morreu num asilo, pobre e esquecido. “ia falar do seu corpo/ de suas mãos/ amada/ quando soube que a polícia espancou um companheiro/ e o poema não saiu’’. (década de 1920) “mataram o Ozeias/ um sujeitoContinuar lendo “Tem gente com fome”

Vento

Gwendolyn B. Bennett foi uma artista, escritora, poeta e jornalista americana. Foi, também, uma forte influenciadora dos direitos das mulheres afro-americanas. EPITÁFIO Quando eu estiver morta, esculpe isto na minha pedra: Aqui jaz uma mulher, raiz adequada para flores e árvores, Cuja carne viva, agora se desfazendo em volta do osso, Não quer nada maisContinuar lendo “Vento”