“Inocentes … culpados de viver”

Meninos de rua (de Martha Lazzeri Ugolini, poetisa florentina) “Além do teto do céu, uma cama coberta vos espera … meninos de rua presentes no mundo, à procura de um Deus protetor, que vos acompanhe pela mão no templo de amor! Inocentes … culpados de viver, que uma vida perversa caça e afasta todo diaContinuar lendo ““Inocentes … culpados de viver””

“… nós também somos oceanos”

Amanda Gorman, poeta e ativista, nasceu em Los Angeles, Califórnia, em 1998 e foi criada por sua mãe, junto com seus dois irmãos e uma irmã. Ela tem uma irmã gêmea chamada Gabrielle, que também é ativista. Quando criança, ela foi diagnosticada com um distúrbio de processamento de som e um problema de fala queContinuar lendo ““… nós também somos oceanos””

“A poesia é a crise existencial das palavras”

Pedro Salomão é formado em Geografia. Liderou um grupo de palhaços no Hospital do Câncer de Presidente Prudente em 2017. Quando perdeu um importante amigo e mentor de palhaçadas em um acidente de carro, seu luto se transformou em poesia, num processo de cura. “Às vezes, eu deixo de existir Para conseguir sobreviver.” “Mentir éContinuar lendo ““A poesia é a crise existencial das palavras””

Na morte, não. Na vida./Está na vida o mistério.

Henriqueta Lisboa: mineira, diáfana, esquiva, equilibrada, sensível … Modelagem – Mulher (1982) Assim foi modelado o objeto:para subserviência.Tem olhos de ver e apenasentrevê. Não vai longeseu pensamento cortadoao meio pela ferrugemdas tesouras. É um mitosem asas, condicionadoàs fainas da lareiraSeria uma cântaro de barro afeitoa movimentos incipientessob tutela. Ergue a cabeça por instantese logo esmoreceContinuar lendo “Na morte, não. Na vida./Está na vida o mistério.”

Não fosse a obrigação, a Criação teria sido bem perfeita

Escapismo “Tristezas podem ficar caladas. É só não puxar por elas. Enquanto dormem, abastecemos a barca de sonhos, aquietamos o rio das indagações. Quando a tristeza acordar pálida do pó de seus porões, é nossa vez de descansar. O ponteiro do desencontro torna possível navegar.” Momento mole de uma tarde de abril “Cheiro de caféContinuar lendo “Não fosse a obrigação, a Criação teria sido bem perfeita”

“… Fui feita para objetivos maiores e ando com graça e estilo”

“Quando anoitecer espera pela minha visitapois a noite é quem mais guarda segredo.O que sinto por ti é tal que se fosse o Sol, não nascia,e a lua cheia não se erguia e as estrelas deixavam de girar.” (Wallada Bint Mustakfi) (tradução de Nádia Bentahar e André Simões) Wallada Bint Mustakfi era filha de MuhammadContinuar lendo ““… Fui feita para objetivos maiores e ando com graça e estilo””

“A inconsistência frágil das horas turbulentas”

Maria do Sameiro Barroso, nasceu em Braga (Portugal), em 1951. É médica, tradutora, ensaísta e poetisa. Noite Dissecada Já não pernoitas no jardim luminosodas quimeras inocentes.Com os olhos vazados e a íris sem cor,persegues os laços negros, a lua negra,alheio aos subterfúgios da luz e da doçura.Com os pulmões cheios de águae os olhos esvaziadosContinuar lendo ““A inconsistência frágil das horas turbulentas””

O tempo e suas perspectivas

Maria Rita Kehl é psicanalista, crítica literária, jornalista, escritora e poetisa. Tem 69 anos. Imprevisões do tempo (1980) “Eu era muito velha. Aos quinze anos podia jurar que as noites de sábado foram feitas para se pintar os olhos e ter um namorado. Aos dezoito a maior batalha consistia em encher a semana de responsabilidadesContinuar lendo “O tempo e suas perspectivas”

“Meu quarto está cheio de vigas quebradas de luz”

Nas colinas do amanhecer (Alexander Posey) “Veja, a taça azul-celeste da ipomeiaÉ minha para beber o néctarNaquela manhã, derramamento de orvalho prateado,E música sobre os ventos que cortejamE suspirar seus votosEntre os ramos! Eis que sou rico em diamantes raros,E pérolas, e respirar um ar dourado;Meu quarto está cheio de vigas quebradasDe luz; minha vidaContinuar lendo ““Meu quarto está cheio de vigas quebradas de luz””

A imperfeição é nosso paraíso

“Mesmo que esta simplicidade completa Pudesse afastar todo tormento, ocultar Esse composto perverso e vital, o eu, Fizesse dele coisa nova num mundo De água clara, branco e nítido, ainda assim Seria preferível, necessário, mais, Mais que um mundo de neve e cheiros brancos. Haveria ainda a consciência inquieta: Daí a vontade de fugir, voltarContinuar lendo “A imperfeição é nosso paraíso”