“O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo.”

A crônica abaixo, de Rubem Alves é provocadora, polêmica. Ao desacreditar o povo como expressão da vontade da nação – portanto, da democracia – (por ser manipulável), pode alimentar argumentos caros a alguns: alguém tem que falar em seu lugar, um autocrata, talvez. No final ele se redime e diz ter esperança num povo capazContinuar lendo ““O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo.””

O futuro é desdobramento do presente

O futuro está na esquina, dobrando a esquina. O Brasil é riquíssimo, senão não desperdiçaria todas as oportunidades que surgem. Stefan Zweig veio três vezes ao Brasil. Na última, escolheu-o para estabelecer-se, fugindo da fúria nazista. Em 1941, escreveu o simbólico “Brasil, País do Futuro”. Há boatos de que ele teria sido “estimulado” a encherContinuar lendo “O futuro é desdobramento do presente”

Uma existência não pode surgir de uma não-existência

Empédocles era poeta, médico, engenheiro, naturalista, reformador religioso e uma espécie de campeão da democracia: era filho de um político “fundador” da democracia em Agrigento, Sicília, e se envolveu nas lutas democráticas de sua cidade e, como prova da sua fé na democracia e respeito à igualdade cívica, recusou a coroa real que lhe ofereceram.Continuar lendo “Uma existência não pode surgir de uma não-existência”

Em que tempo nós vivemos?

Vivemos todos no presente? Não, sabemos. O presente não é onipresente. Por mais que o presente esteja a nosso redor, cobrando nossa atenção e fruição, nossa cabeça está entulhada de pensamentos, ora nostálgicos, ora tristes. Alegrias saudosas, remorsos ou perdas incrustados. Quando não é o passado a nos alugar, é o futuro a nos convocar.Continuar lendo “Em que tempo nós vivemos?”

Sobre o bem e o mal

“Do bem e do malTodos tem seu encanto: os santos e os corruptos.Não há coisa na vida inteiramente má.Tu dizes que a verdade produz frutos…Já viste as flores que a mentira dá?” (Mário Quintana) “O bem é um mal necessário. Se não existisse o bem, ou a ideia dele, não conheceríamos o mal, portanto oContinuar lendo “Sobre o bem e o mal”

O político Platão

Quando Platão se aproximava dos quarenta anos, ele visitou vários locais, entre os quais, a cidade-estado de língua grega de Siracusa, na ilha da Sicília. Em sua juventude, Platão havia considerado entrar na turbulenta política de Atenas, mas percebeu que suas reformas, pensadas para a constituição da cidade e nas práticas educacionais eram muito improváveisContinuar lendo “O político Platão”

Felicidade e ressentimento

Para Nietzsche, o ser humano declina. Seu grande medo é que o ressentimento se torne de tal forma contagioso e perigoso que consiga operar uma inversão dos valores. O ressentido exala vingança e impotência. Vivemos à busca da felicidade, mercadoria rara. Inexistente. Não existe a tal ‘felicidade’. Nem um ‘modelo de sucesso’ que a garanta.Continuar lendo “Felicidade e ressentimento”

Para o que serve o poeta?

“Se alguém, vendo Deus, compreende o que viu, não viu Deus.” (Pseudo-Dionísio) “A poesia talvez não diga nada. A rigor, não diz. O uso que faz das palavras não é paradizer o que as palavras dizem, mas o que elas não são capazes de dizer. Como a música,a poesia também não encontra palavras que aContinuar lendo “Para o que serve o poeta?”

O tempo

Jean-Marie Guyau era poeta e filósofo. Alguns o consideram o Nietzsche francês. Nietzsche e Bergson o tinham em alta conta. Ficou conhecido como “filósofo da vida”, pois nutria uma paixão profunda pela existência. Refletia sobre o “tempo”, mas esse lhe foi ingrato: morreu em 1888, aos 33 anos, da doença dos poetas. Abraçou o estoicismoContinuar lendo “O tempo”

“Basta arranharmos a superfície de um indivíduo adulto para encontrarmos uma criança” (M. Kets de Vries)

“No indivíduo, a insanidade é rara; contudo, em grupos e partidos, em nações e ao longo das mais diferentes épocas, ela é uma regra.” (Nietzsche) Manfred Kets de Vries trouxe a visão psicanalítica para o estudo das organizações, em especial para a ‘liderança’. A psicanálise aliada à psicologia evolutiva, à neuropsiquiatria e às teorias sistêmicaContinuar lendo ““Basta arranharmos a superfície de um indivíduo adulto para encontrarmos uma criança” (M. Kets de Vries)”