Limiares

O irlandês John O’Donohue era poeta e padre. Formou-se em Inglês, Filosofia e Teologia. Na Alemanha fez doutorado em Teologia Filosófica, dissertando sobre Hegel e, pós-doutorado sobre a mística de Mestre Eckhart, um expoente do neoplatonismo, como Plotino. Morreu dormindo, dois dias após seu aniversário de 52 anos. “A qualquer momento você pode se perguntar:Continuar lendo “Limiares”

A Guerra Oriental, ou da Criméia

“A única definição de macho alfa: se você tentar ser um macho alfa, nunca será um.” Aforismo de Nassim Taleb, a partir da sua leitura de Aristóteles (“Ética a Nicômaco”), para quem a pessoa “magnificente” considera a si mesmo como alguém digno de grandes coisas e, consciente de sua posição na vida, age de acordoContinuar lendo “A Guerra Oriental, ou da Criméia”

A história é renitente

Em 1989, o historiador neoliberal Francis Fukuyama se empolgou com a concomitante derrocada de regimes totalitários, de esquerda e direita, e escreveu sobre o fim da história. Em 1992 saiu o livro (O Fim da História e o Último Homem), sucesso de crítica (favoráveis e destruidoras). Ele se apoiou nas ideias de Hegel (e depois,Continuar lendo “A história é renitente”

O rei está morrendo!

Há um rei, consciente de seu papel como rei. Moribundo, tenta segurar tudo nas mãos. Ele está no poder há séculos mas, não se apercebeu, o tempo passou e, inexoravelmente, terá que morrer. Quando nota que sua hora chegou, junto com a agonia, começa a perder todos os seus poderes. “Eu tentei acender a calefação,Continuar lendo “O rei está morrendo!”

Quem sabe o que se é?

A vida parece simples, para os simples. Da mesma forma, organismos simples, em meios adequados, requerem pouco conhecimento e nenhum planejamento para manterem a vida, apenas reagindo. Bastam alguns mecanismos sensitivos e um conjunto de pré-configurações para reagir conforme o que for percebido e dispor de algum recurso para executar a reação selecionada. Organismos complexos,Continuar lendo “Quem sabe o que se é?”

Bruno, o perturbador

Segundo Lucrécio, a filosofia está “destinada a libertar o homem do medo da morte e dos deuses”. Poucos levaram isso tão a sério como Giordano Bruno. Giordano Bruno não se contentava com pouco; não era parcimonioso quanto às ideias. Sua vida representava “uma rejeição ousada de todas as crenças católicas, baseadas na mera autoridade”, disse Hegel.Continuar lendo “Bruno, o perturbador”

“Uma ação é boa na medida em que respeita a pessoa humana e contribui para sua realização; caso contrário, a ação é má”

Não dá para assistir como se não dissesse respeito a nós. O Brasil patina há tempos; agora podemos retroceder também no espaço político. Essa democracia pífia que temos – mas que é como o pão dormido que não podemos descartar – está ameaçada, como sempre ocorre periodicamente neste país, que ainda não aprendeu a amarContinuar lendo ““Uma ação é boa na medida em que respeita a pessoa humana e contribui para sua realização; caso contrário, a ação é má””

A ordem das ideias deve seguir a ordem das coisas.

Giambattista Vico viveu durante o iluminismo e, de certa forma, criticava a preponderância na razão sobre o destino humano. O iluminismo foi importante por tirar do centro da vida humana os dogmatismos, quer religiosos, quer políticos e colocar a ciência (a razão) no seu lugar. A posição de Vico era – e nisso é muitoContinuar lendo “A ordem das ideias deve seguir a ordem das coisas.”

“Os que se dedicam à filosofia são homens que se estão preparando para morrer”

“Pétalas voam Todas elas fazem o Galho mais velho” (Yosa Buson, 1716-1783) Em Fédon, Platão insinua que a morte não é nenhum ponto-final catastrófico. Ela seria um ponto extraordinário de virada que leva a um ser superior. Ela aproximaria a alma do “invisível”, do “divino”, do “racional” e do “uniforme” que, como o imutável, permaneceContinuar lendo ““Os que se dedicam à filosofia são homens que se estão preparando para morrer””