Angústia de não pertencer a lugar nenhum, mas ao mesmo tempo, a todos os lugares

Os judeus passaram por várias diásporas, expulsões forçadas pelo mundo. A justificativa estaria em desobedecerem a voz de Iahweh: “Iahweh te entregará, já vencido, aos teus inimigos: sairás ao encontro deles por um caminho, e por sete caminhos deles fugirás!” (Deuteronômio 28, 25). Talvez a primeira diáspora tenha sido a expulsão de Eva e AdãoContinuar lendo “Angústia de não pertencer a lugar nenhum, mas ao mesmo tempo, a todos os lugares”

Ainda resta a poesia

ANOITECER (Carlos Drummond de Andrade) É a hora em que o sino toca,mas aqui não há sinos;há somente buzinas,sirenes roucas, apitosaflitos, pungentes, trágicos,uivando escuro segredo;desta hora tenho medo. É a hora em que o pássaro volta,mas de há muito não há pássaros;só multidões compactasescorrendo exaustascomo espesso óleoque impregna o lajedo;desta hora tenho medo. É aContinuar lendo “Ainda resta a poesia”

O coração que treme diante do sofrimento

OS OLHOS DOS POBRES (Charles Baudelaire) “Ah! Você quer saber por que eu a odeio hoje. Será, certamente, menos fácil para você compreender do que para mim, explicar; porque você é, creio, o mais belo exemplo da impermeabilidade feminina que se possa encontrar. Tínhamos passado juntos um longo dia que me parecera curto. Nós nosContinuar lendo “O coração que treme diante do sofrimento”

Tudo é esforço neste mundo onde se querem coisas

A inquietação de Fernando Pessoa – um marco na nossa vulgar existência – tinha sempre uma motivação filosófica: a busca do autoconhecimento, as relações entre o Eu e o mundo, os dilemas entre subjetividade e pertencimento, a busca por uma existência com sentido. “MEU CORAÇÃO NÃO APRENDEU NADA” (Álvaro de Campos, 1928) Mestre, meu mestreContinuar lendo “Tudo é esforço neste mundo onde se querem coisas”

O futuro como repetição

“… frequentemente os gregos parecem não ter acreditado muito em seus mitos políticos e eram os primeiros a rir deles quando os apresentavam em cerimônias”, comenta Paul Veyne. Porém, a procura da verdade é uma aquisição que a humanidade faz com extrema lentidão, lamentava Nietzsche, em 1873. Ferreira Gullar, sabia que “O mito é nadaContinuar lendo “O futuro como repetição”

“Sobre o nada eu tenho profundidades”

Manoel de Barros tinha “um olhar de fonte, um olhar de primeira água”, no dizer de Paulinho Assunção. Era o próprio sentimento, numa vertente sempre da infância, da curiosidade e da reverência. Um cultor da palavra e da simplicidade. Fazia um esforço para nada explicar; o que se consegue explicar, satisfatória e completamente? Ele amavaContinuar lendo ““Sobre o nada eu tenho profundidades””

Sobre o bem e o mal

“Do bem e do malTodos tem seu encanto: os santos e os corruptos.Não há coisa na vida inteiramente má.Tu dizes que a verdade produz frutos…Já viste as flores que a mentira dá?” (Mário Quintana) “O bem é um mal necessário. Se não existisse o bem, ou a ideia dele, não conheceríamos o mal, portanto oContinuar lendo “Sobre o bem e o mal”

O transcendentalismo absoluto, por Fernando Pessoa

Classificação dos sistemas filosóficos (Fernando Pessoa) “Na classificação dos sistemas filosóficos temos a considerar duas coisas: a constituição do espírito e a natureza da ideação metafísica. O espírito humano, por sua própria natureza de duplamente — interiormente e exteriormente — percipiente, nunca pode pensar senão em termos de um dualismo qualquer; mesmo que chegue aContinuar lendo “O transcendentalismo absoluto, por Fernando Pessoa”

O egoísmo no centro do pensamento filosófico de Fernando Pessoa

A única realidade social é o indivíduo (Fernando Pessoa) 1. A única realidade social é o indivíduo, por isso mesmo que ele é a única realidade. O conceito de sociedade é um puro conceito; o de humanidade uma simples ideia. Só o indivíduo vive, só o indivíduo pensa e sente. Só por metáfora ou emContinuar lendo “O egoísmo no centro do pensamento filosófico de Fernando Pessoa”

“Sê plural como o universo” (Pessoa)

Senhor, meu passo está no Limiar (Fernando Pessoa) Senhor, meu passo está no Limiar Da Tua Porta. Faz-me humilde ante o que vou legar… Meu mero ser que importa? Sombra de Ti aos meus pés tens, desenho De Ti em mim, Faz que eu seja o claro e humilde engenho Que revela o teu Fim.Continuar lendo ““Sê plural como o universo” (Pessoa)”