“Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços” (CDA)

SONETO DA PERDIDA ESPERANÇA Perdi o bonde e a esperança. Volto pálido para casa. A rua é inútil e nenhum auto passaria sobre meu corpo. Vou subir a ladeira lenta em que os caminhos se fundem. Todos eles conduzem ao princípio do drama e da flora. Não sei se estou sofrendo ou se é alguémContinuar lendo ““Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços” (CDA)”

A história como farsa, ou tragédia?

Carlos Heitor Cony estava ameaçado de prisão, enquadrado na Lei de Segurança Nacional; a pena poderia chegar a trinta anos de cadeia. Ele havia escrito um texto que desagradara aos novos poderosos, ironizando a bravura dos militares. Felizmente, conseguiu os serviços de Nelson Hungria, que havia sido presidente do STF. Hungria pediu um habeas corpusContinuar lendo “A história como farsa, ou tragédia?”

Amendoeira

Para fugir desse ambiente tóxico da política (argh!), dos descaminhos econômicos, da falta de gestão na infraestrutura, à exceção dos puxadinhos – louváveis – do Tarcísio Freitas, dos desmontes dos poucos pontos em que avançamo-nos (combate aos desmatamentos, proteção aos indígenas, direitos à diversidade, inclusão social …), nada como procurar nosso leitor do cotidiano, CarlosContinuar lendo “Amendoeira”

Concentração fundiária

“Precisamos, precisamos esquecer o Brasil! Tão majestoso, tão sem limites, tão despropositado, ele quer repousar de nossos terríveis carinhos. O Brasil não nos quer! Está farto de nós! Nosso Brasil é no outro mundo. Este não é o Brasil. Nenhum Brasil existe. E acaso existirão os brasileiros?” (Trecho de Hino Nacional, de Carlos Drummond deContinuar lendo “Concentração fundiária”

“Amanhã ainda não será outro dia”

O Brasil, contrariando os mandatários atuais, que nem perdem tempo em classificar a “poesia” (imaginem: se acham o temor à pandemia uma frescura!), tem duas datas comemorativas para os que acham que “para viajar basta existir“. A tradicional homenageia Castro Alves, que nasceu em 14 de março de 1847. Depois, oficializou-se o 31 de outubro,Continuar lendo ““Amanhã ainda não será outro dia””

“As glórias que vêm tarde já vêm frias” (Dirceu, de Marília)

Lygia Fagundes Telles é uma autora completa. Aos 97 anos, é a “dama da literatura brasileira”. Numa entrevista com Clarice Lispector, fala sobre o processo de criação: ” A gente exagera, inventa uma transparência que não existe porque – no fundo sabemos disso perfeitamente – tudo é sombra. Mistério. O artista é um visionário. UmContinuar lendo ““As glórias que vêm tarde já vêm frias” (Dirceu, de Marília)”

O Homem; As Viagens (Carlos Drummond de Andrade)

O homem, bicho da terra tão pequenoChateia-se na terraLugar de muita miséria e pouca diversão,Faz um foguete, uma cápsula, um móduloToca para a luaDesce cauteloso na luaPisa na luaPlanta bandeirola na luaExperimenta a luaColoniza a luaCiviliza a luaHumaniza a lua.Lua humanizada: tão igual à terra.O homem chateia-se na lua.Vamos para Marte – ordena a suasContinuar lendo “O Homem; As Viagens (Carlos Drummond de Andrade)”