Concentração fundiária

“Precisamos, precisamos esquecer o Brasil! Tão majestoso, tão sem limites, tão despropositado, ele quer repousar de nossos terríveis carinhos. O Brasil não nos quer! Está farto de nós! Nosso Brasil é no outro mundo. Este não é o Brasil. Nenhum Brasil existe. E acaso existirão os brasileiros?” (Trecho de Hino Nacional, de Carlos Drummond deContinuar lendo “Concentração fundiária”

“Amanhã ainda não será outro dia”

O Brasil, contrariando os mandatários atuais, que nem perdem tempo em classificar a “poesia” (imaginem: se acham o temor à pandemia uma frescura!), tem duas datas comemorativas para os que acham que “para viajar basta existir“. A tradicional homenageia Castro Alves, que nasceu em 14 de março de 1847. Depois, oficializou-se o 31 de outubro,Continuar lendo ““Amanhã ainda não será outro dia””

“As glórias que vêm tarde já vêm frias” (Dirceu, de Marília)

Lygia Fagundes Telles é uma autora completa. Aos 97 anos, é a “dama da literatura brasileira”. Numa entrevista com Clarice Lispector, fala sobre o processo de criação: ” A gente exagera, inventa uma transparência que não existe porque – no fundo sabemos disso perfeitamente – tudo é sombra. Mistério. O artista é um visionário. UmContinuar lendo ““As glórias que vêm tarde já vêm frias” (Dirceu, de Marília)”

O Homem; As Viagens (Carlos Drummond de Andrade)

O homem, bicho da terra tão pequenoChateia-se na terraLugar de muita miséria e pouca diversão,Faz um foguete, uma cápsula, um móduloToca para a luaDesce cauteloso na luaPisa na luaPlanta bandeirola na luaExperimenta a luaColoniza a luaCiviliza a luaHumaniza a lua.Lua humanizada: tão igual à terra.O homem chateia-se na lua.Vamos para Marte – ordena a suasContinuar lendo “O Homem; As Viagens (Carlos Drummond de Andrade)”