Sabemos mesmo?

Havia um seriado na TV, nos anos 50, que fez muito sucesso: Papai Sabe Tudo. O título original era mais apropriado: Father Knows Best. Vi algumas reprises nos anos 80. O fato é que, na minha visão, ninguém “sabe” nada, a rigor. O que julgamos saber é precário e provisório. É “sabido” que Sócrates afirmavaContinuar lendo “Sabemos mesmo?”

Por que abrir mão da liberdade?

“Não espalharás notícias falsas, nem darás a mão ao ímpio para seres testemunhas de injustiça. Não tomarás o partido da maioria para fazeres o mal, nem deporás num processo, inclinando-se para a maioria, para torcer o direito, nem serás parcial com o desvalido no seu processo.” (Êxodo 23 1-5) A mentira é o argumento dosContinuar lendo “Por que abrir mão da liberdade?”

O inconsciente e seus efeitos sobre nossas atitudes

“Você já teve um sonho, Neo, que parecia ser verdadeiro? E se você não conseguisse acordar desse sonho? Como você saberia a diferença entre o mundo dos sonhos e o mundo real?” (Diálogo entre Morpheus e Neo, na trilogia do filme Matrix). António Damásio, no livro O Erro de Descartes, procurou destacar que a emoçãoContinuar lendo “O inconsciente e seus efeitos sobre nossas atitudes”

A Guerra Oriental, ou da Criméia

“A única definição de macho alfa: se você tentar ser um macho alfa, nunca será um.” Aforismo de Nassim Taleb, a partir da sua leitura de Aristóteles (“Ética a Nicômaco”), para quem a pessoa “magnificente” considera a si mesmo como alguém digno de grandes coisas e, consciente de sua posição na vida, age de acordoContinuar lendo “A Guerra Oriental, ou da Criméia”

As mulheres e a usurpação de seu espaço

“Se as mulheres são melhores do que os homens não poderia dizer. Mas posso dizer que certamente não são piores.” Esta frase é atribuída a Golda Meir. No entanto, elas foram e ainda são discriminadas nos espaços político, econômico e cultural. Admiro a rebeldia dos que não se aceitam subjugar por conta de seu sexoContinuar lendo “As mulheres e a usurpação de seu espaço”

“Sobre o nada eu tenho profundidades”

Manoel de Barros tinha “um olhar de fonte, um olhar de primeira água”, no dizer de Paulinho Assunção. Era o próprio sentimento, numa vertente sempre da infância, da curiosidade e da reverência. Um cultor da palavra e da simplicidade. Fazia um esforço para nada explicar; o que se consegue explicar, satisfatória e completamente? Ele amavaContinuar lendo ““Sobre o nada eu tenho profundidades””

Boécio

Boécio foi um teólogo, poeta, político e filósofo romano. Acusado de apoiar um traidor, foi preso, torturado e executado em 525, a mando de Teodorico, o Grande. Seu livro “A Consolação da Filosofia” foi escrito na prisão, concebido entre duas sessões de tortura, enquanto esperava sua morte. É o testemunho da grandeza à qual umContinuar lendo “Boécio”

Estratégia

A criatividade existe porque nossos modelos sempre têm inconsistências inerentes, diz Sara Walker. Se nossos modelos de nós mesmos ou do universo em que estamos inseridos fossem completos ou exatos, nada de interessante aconteceria. Não é? O que está perfeito precisa mudar? Mas, nada está perfeito, felizmente. A perfeição é uma ilusão. Perguntem às modelosContinuar lendo “Estratégia”

O discurso da meritocracia

Declaração Universal dos Direitos Humanos Artigo 1Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade. Artigo 21. Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinçãoContinuar lendo “O discurso da meritocracia”

“A instrução é como a liberdade: ela não se dá, conquista-se” (Jacotot)

Joseph Jacotot era um pedagogo extravagante, do início do século XIX. No período pós-revolucionário, era aceito que a instrução seria um instrumento para a redução das desigualdades. O governo ficaria nas mãos da elite instruída, que se empenharia em desenvolver formas de instrução para os homens do povo, repassando os conhecimentos – só os necessáriosContinuar lendo ““A instrução é como a liberdade: ela não se dá, conquista-se” (Jacotot)”