Angústia de não pertencer a lugar nenhum, mas ao mesmo tempo, a todos os lugares

Os judeus passaram por várias diásporas, expulsões forçadas pelo mundo. A justificativa estaria em desobedecerem a voz de Iahweh: “Iahweh te entregará, já vencido, aos teus inimigos: sairás ao encontro deles por um caminho, e por sete caminhos deles fugirás!” (Deuteronômio 28, 25). Talvez a primeira diáspora tenha sido a expulsão de Eva e AdãoContinuar lendo “Angústia de não pertencer a lugar nenhum, mas ao mesmo tempo, a todos os lugares”

Ainda resta a poesia

ANOITECER (Carlos Drummond de Andrade) É a hora em que o sino toca,mas aqui não há sinos;há somente buzinas,sirenes roucas, apitosaflitos, pungentes, trágicos,uivando escuro segredo;desta hora tenho medo. É a hora em que o pássaro volta,mas de há muito não há pássaros;só multidões compactasescorrendo exaustascomo espesso óleoque impregna o lajedo;desta hora tenho medo. É aContinuar lendo “Ainda resta a poesia”

Tudo é esforço neste mundo onde se querem coisas

A inquietação de Fernando Pessoa – um marco na nossa vulgar existência – tinha sempre uma motivação filosófica: a busca do autoconhecimento, as relações entre o Eu e o mundo, os dilemas entre subjetividade e pertencimento, a busca por uma existência com sentido. “MEU CORAÇÃO NÃO APRENDEU NADA” (Álvaro de Campos, 1928) Mestre, meu mestreContinuar lendo “Tudo é esforço neste mundo onde se querem coisas”

A fissura da nossa democracia

“… O sono da vontade de dormir, O sono de ser sono. Mas é mais, mais de dentro, mais de cima: É o sono da soma de todas as desilusões, É o sono da síntese de todas as desesperanças …” (Álvaro de Campos) 2021. Os muros da iniciante democracia foram testados ultimamente; têm resistido, masContinuar lendo “A fissura da nossa democracia”

“… só depois de amanhã…”

AdiamentoDepois de amanhã, sim, só depois de amanhã…Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,E assim será possível; mas hoje não…Não, hoje nada; hoje não posso. A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,O sono da minha vida real, intercalado,O cansaço antecipado e infinito,Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico…Esta espécie de alma…Só depois deContinuar lendo ““… só depois de amanhã…””

Para o que serve o poeta?

“Se alguém, vendo Deus, compreende o que viu, não viu Deus.” (Pseudo-Dionísio) “A poesia talvez não diga nada. A rigor, não diz. O uso que faz das palavras não é paradizer o que as palavras dizem, mas o que elas não são capazes de dizer. Como a música,a poesia também não encontra palavras que aContinuar lendo “Para o que serve o poeta?”