Saadi

(Trechos de O Jardim das Rosas, na tradução de Aurelio Buarque de Hollanda, 1952) O Idiota Certo vizir tinha um filho idiota. Mandou-o estudar com um sábio, a quem disse: – Cuida desse menino. Talvez ele se torne inteligente. Durante alguns meses o sábio ensinou à criança, sem nenhum resultado. Desiludido, escreveu ao pai: “TeuContinuar lendo “Saadi”

Corta-jaca

“Neste mundo de misériasQuem imperaÉ quem é mais folgazãoÉ quem sabe cortar jacaNos requebrosDe suprema, perfeição, perfeição (…)” (Corta-jaca, de Chiquinha Gonzaga) O “maxixe” de Chiquinha Gonzaga intitulado “Gaúcho”, conhecido como “Corta-jaca”, foi executado por Nair de Teffé, ao violão, em fina “soirée” no Palácio do Governo, a que compareceram representantes do corpo diplomático eContinuar lendo “Corta-jaca”

Um receituário

Plínio, o Velho, morreu em 79 d.C. em decorrência da erupção do Vesúvio. No ano de 77 escreveu um compêndio com o conhecimento científico de então, em 37 volumes. Tratava de zoologia, cosmologia, botânica, mineralogia etc. Entre os temas, alguns livros listavam os “fármacos” e suas indicações para a cura de várias doenças. Algumas indicações: . “(…)Continuar lendo “Um receituário”

Os judeus nova-iorquinos

“… porque já em PortugalQuem não costuma mentirnão alcança um só real” (Gil Vicente, 1526) “Ser judeu implica ser um igual para manter a diferença”, resume Reinaldo Azevedo. Com a invasão holandesa, em 1630, muitos judeus que haviam fugido das perseguições em Portugal e Espanha vieram com os tolerantes holandeses. Já havia judeus por aqui,Continuar lendo “Os judeus nova-iorquinos”

Maquiavelismo

O choque de realidade trazido por Maquiavel foi visto como uma política de dominação, do excesso, e que fazia apologia da impostura, da mentira e da ilusão. Pragmatismo, para propósitos de poder; um retrato de como o Governo é, e não como deveria ser. Entre os defensores do relativismo moral de Maquiavel, encontra-se o juristaContinuar lendo “Maquiavelismo”

Sinto vergonha de mim (Ruy Barbosa)

“Sinto vergonha de mimpor ter sido educador de parte desse povo,por ter batalhado sempre pela justiça,por compactuar com a honestidade,por primar pela verdadee por ver este povo já chamado varonilenveredar pelo caminho da desonra. Sinto vergonha de mimpor ter feito parte de uma eraque lutou pela democracia,pela liberdade de sere ter que entregar aos meusContinuar lendo “Sinto vergonha de mim (Ruy Barbosa)”

Um diplomata, de fato

Neste engenho, o Massangana, em Cabo de Santo Agostinho, Joaquim Nabuco passou seus primeiros oito anos, sob os cuidados de padrinhos. “Das recordações da infância a que eclipsa todas as outras e a mais cara de todas é o amor que tive por aquela que me criou até os meus oito anos como seu filhoContinuar lendo “Um diplomata, de fato”

Boécio

“Se o Pai gerou o Filho, ele que foi criado teve um início na sua existência. Daí é evidente que houve um tempo em que o Filho não existia. Segue necessariamente que sua substância veio do nada.” (Ário, diácono de Alexandria, 236-336 d.C., fundador da doutrina ‘arianista’) A doutrina arianista era uma visão antitrinitária deContinuar lendo “Boécio”

Relato de Franz Liszt de sua visita a Beethoven

“Tinha eu cerca de onze anos quando meu respeitável mestre, Czerny, me levou para ver Beethoven. Já havia muito tempo o meu professor tinha falado a Beethoven de mim, pedindo-lhe que me desse audiência algum dia. Todavia, Beethoven tinha tal aversão a crianças-prodígio que persistentemente se recusou a me ver. Finalmente Czerny, incansável, persuadiu-o, deContinuar lendo “Relato de Franz Liszt de sua visita a Beethoven”

O sebo

1857. A Inglaterra dominava a Índia, através da Companhia da Índias. Montaram um exército com 250 mil mercenários nativos, chamados Sipaios (soldado, em hindi). Armaram-lhes com rifles cujos cartuchos, de papel, tinham que ser abertos nos dentes. Aí começaram os problemas: os cartuchos eram untados com sebo animal. Os sipaios hindus não aceitaram porque asContinuar lendo “O sebo”