Que utopia é desejável, a tua?

Em 1879, Jules Verne escreveu um romance que contemplava sua utopia, a France-Ville, uma cidade modelo onde a higiene e a educação seriam suas bases. Assim como a ilha de Utopia de Thomas More, são utopias ‘positivas’. Descrevem locais com abundância de riquezas e paz. Um sossego. Etimologicamente, entretanto, utopia refere-se a um “não lugar”,Continuar lendo “Que utopia é desejável, a tua?”

“Um homem notável tem filhos notáveis”

Assim pensava sir Francis Galton, um dos propulsores da eugenia, com suas ideias sobre determinismo biológico. Era primo de Darwin. Galton era um polímata – um gênio, diriam, ou “o cão chupando manga”, na minha região – com um Q.I. de quase 200: médico, cientista, meteorologista, estatístico (os conceitos de ‘correlação’ e ‘regressão à média’Continuar lendo ““Um homem notável tem filhos notáveis””

O funcional tem beleza?

“Fotografamos torres de água e fornos porque são honestos. Eles são funcionais e refletem o que fazem – é disso que gostamos. Uma pessoa sempre é o que quer ser, nunca o que é. Mesmo um animal geralmente desempenha um papel na frente da câmera.” Bernd e Hilla Becher passaram a vida juntos fotografando aContinuar lendo “O funcional tem beleza?”

“De onde viemos? O que somos? Para onde vamos?”

O título acima foi o nome dado por Gauguin a este quadro. Ele inspirou o biólogo Edward O. Wilson a escrever seu livro “A conquista social da Terra”, no qual apresenta sua visão da evolução, da natureza e da sociedade humanas, de forma esperançosa porém cautelosa. No centro de tudo, a tensão permanente entre egoísmoContinuar lendo ““De onde viemos? O que somos? Para onde vamos?””

“Deus é número”

Pitágoras viveu entre 569-500 a.C. Nasceu na ilha de Samos e viajou por todo o mundo antigo. Assentou-se em Crotona, na atual Calábria, onde fundou sua escola. Teria sido ele quem cunhou as palavras “filosofia” (“amor pela sabedoria”) e “matemática” (“aquilo que é aprendido”). Entre suas crenças estava a metempsicose, a transmigração das almas. SeusContinuar lendo ““Deus é número””

Pioneira

A ciência da mudança climática tem séculos, não décadas e foi iniciada por uma mulher. A noção de que as atividades humanas podem estar aquecendo o planeta começou a entrar em foco nas décadas de 1960 e 1970, antes de surgir um consenso científico nas décadas de 1980 e 1990. Mas os contornos aproximados daContinuar lendo “Pioneira”

Saadi

(Trechos de O Jardim das Rosas, na tradução de Aurelio Buarque de Hollanda, 1952) O Idiota Certo vizir tinha um filho idiota. Mandou-o estudar com um sábio, a quem disse: – Cuida desse menino. Talvez ele se torne inteligente. Durante alguns meses o sábio ensinou à criança, sem nenhum resultado. Desiludido, escreveu ao pai: “TeuContinuar lendo “Saadi”

Corta-jaca

“Neste mundo de misériasQuem imperaÉ quem é mais folgazãoÉ quem sabe cortar jacaNos requebrosDe suprema, perfeição, perfeição (…)” (Corta-jaca, de Chiquinha Gonzaga) O “maxixe” de Chiquinha Gonzaga intitulado “Gaúcho”, conhecido como “Corta-jaca”, foi executado por Nair de Teffé, ao violão, em fina “soirée” no Palácio do Governo, a que compareceram representantes do corpo diplomático eContinuar lendo “Corta-jaca”

Um receituário

Plínio, o Velho, morreu em 79 d.C. em decorrência da erupção do Vesúvio. No ano de 77 escreveu um compêndio com o conhecimento científico de então, em 37 volumes. Tratava de zoologia, cosmologia, botânica, mineralogia etc. Entre os temas, alguns livros listavam os “fármacos” e suas indicações para a cura de várias doenças. Algumas indicações: . “(…)Continuar lendo “Um receituário”

Os judeus nova-iorquinos

“… porque já em PortugalQuem não costuma mentirnão alcança um só real” (Gil Vicente, 1526) “Ser judeu implica ser um igual para manter a diferença”, resume Reinaldo Azevedo. Com a invasão holandesa, em 1630, muitos judeus que haviam fugido das perseguições em Portugal e Espanha vieram com os tolerantes holandeses. Já havia judeus por aqui,Continuar lendo “Os judeus nova-iorquinos”