“Punge-me sempre, cada vez mais a dúvida: o brasileiro é um povo em formação ou em dissolução?” (Capistrano de Abreu)

Capistrano de Abreu (1853-1927) era cearense e foi viver, às próprias custas, no Rio, aos 21 anos. Ao envelhecer, assistia a uma profunda crise dos valores e da linguagem pública. Comungava com José Bonifácio, que morrera em 1838, um amargor pela condução do país. Para Bonifácio, “no Brasil, o real vai além do possível.” “EsqueçaContinuar lendo ““Punge-me sempre, cada vez mais a dúvida: o brasileiro é um povo em formação ou em dissolução?” (Capistrano de Abreu)”

Brasil

“A terra em si, Senhor excelentíssimo, é um paraíso; aqui mesmo são tantas as produções que eu não sei a que lado me volte,” (Alexandre Rodrigues Ferreira, 1783) Quando foi ‘descoberto’, o Brasil não era o Brasil, claro. Era uma grande porção de terra com grande potencial exploratório. Até hoje. A descoberta foi, oficialmente, atribuídaContinuar lendo “Brasil”

Inventividade

“Cunha Sales, inventor do Pantheon Ceroplástico, teve certamente a idéia de só gastar cera com bons defuntos; mas acaba de aprender que a podia gastar com piores.Não falo dos propriamente mortos, mas dos vivos, a quem quis ensinar história por meio de uma vista de pessoas históricas. Não podendo fazê-lo de graça, estabeleceu uma entrada,Continuar lendo “Inventividade”

“A dor é um século, a morte um momento” (Gresset)

Falemos um pouco sobre escravidão, essa coisa “benéfica para os descendentes”, na opinião de quem ocupa a Fundação Palmares, criada para “promover a preservação dos valores culturais, sociais e econômicos decorrentes da influência negra na formação da sociedade brasileira”. Escravidão é história a ser apagada, como convém ao negaciosismo vigente. Foram 338 anos de sofrimentos,Continuar lendo ““A dor é um século, a morte um momento” (Gresset)”

“O maior inimigo da verdade não costuma ser a mentira, mas o mito” (John Kennedy)

5 de setembro de 1945. A Segunda Guerra Mundial havia terminado apenas três dias antes com a rendição do Japão, e fazia menos de um mês desde que os americanos haviam inaugurado a era nuclear lançando suas bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki. Os EUA ainda comemoravam sua vitória. Mas, no Canadá, um jovem criptógrafoContinuar lendo ““O maior inimigo da verdade não costuma ser a mentira, mas o mito” (John Kennedy)”

“Ignorância é Força”

Em 1946, Eric Arthur Blair, um inglês de 43 anos, alugou uma casa no norte de uma ilha escocesa, no fim de uma trilha de terra, inacessível por carro, sem telefone e sem luz elétrica. No fim do mundo. Queria isolamento. Sua esposa havia morrido recentemente, estava com tuberculose e logo começariam as hemoptises. SeuContinuar lendo ““Ignorância é Força””

“Em uma terra radiante, vive um povo triste” (Paulo Prado)

Paulo Prado era rico, elegante, esportista e culto. Eça de Queirós ficou impressionado quando o conheceu: ” Menino, tu és uma perfeição humana”, exclamou. Era um mecenas, discreto. Coisa rara. Ao redor dos cinquenta anos tomou coragem para “tentar entender o Brasil”, e o brasileiro: ainda uma incógnita. O brasileiro, que senta na glória, antesContinuar lendo ““Em uma terra radiante, vive um povo triste” (Paulo Prado)”

A revolta dos alfaiates

Em 12 de agosto de 1798, apareceram alguns “papéis sediciosos” afixados nos pontos principais de Salvador. Eram 11 textos diferentes (manuscritos), mas com a mesma invocação: incitação à revolta contra a Coroa. Eis um deles (grafia original): “Avizo ao Pôvo Bahinence Ó vós Homens Cidadaons, ó vós Pôvos curvados, e abandonados pelo Rei, pelos seusContinuar lendo “A revolta dos alfaiates”

Promessas políticas

Abril de 1917. Lênin escapa de Zurique – com o apoio dos alemães, sabendo que ele minaria as forças russas – e enquanto vai para Petrogrado (Leningrado e agora São Petersburgo), rumo à famosa estação Finlândia, escreve as ‘Teses de Abril’. Esse será seu discurso que pretende transformar seu partido em majoritário entre os sovietesContinuar lendo “Promessas políticas”

Uma guerra patriótica

Jean Jaurès era um político francês do começo do século passado, pacifista. A primeira grande guerra estava no ar; os europeus, na prática, a queriam. A Alemanha queria consolidar-se como potência; a França queria vingança da derrota em 1870; os ingleses eram o maior império e ciosos de seu poderio … Então, aconteceu. Era aContinuar lendo “Uma guerra patriótica”