“… haverá ordem e eles quase não terão de pensar”

Em 1948, Bertolt Brecht retornava a uma Alemanha em reconstrução, mas já dividida pela Guerra Fria. Havia passado quinze anos no exílio, boa parte deles com os nazistas em seus calcanhares. Com o fim da guerra, acabara a perseguição baseada em opções políticas? Não. Ainda em Los Angeles, antes da sua volta, fora interrogado porContinuar lendo ““… haverá ordem e eles quase não terão de pensar””

Caos e Criação

Na mitologia grega, por Hesíodo, tem-se que “Sim, bem primeiro nasceu Caos, depois também Terra (Gaia) de amplo seio, de todos sede irresvalável sempre, dos imortais que têm a cabeça do Olimpo nevado …” No Gênesis, cita-se que “a terra estava vazia e vaga, as trevas cobriam o abismo (…)” (Gn 1, 2). Em hebraico:Continuar lendo “Caos e Criação”

Tudo é esforço neste mundo onde se querem coisas

A inquietação de Fernando Pessoa – um marco na nossa vulgar existência – tinha sempre uma motivação filosófica: a busca do autoconhecimento, as relações entre o Eu e o mundo, os dilemas entre subjetividade e pertencimento, a busca por uma existência com sentido. “MEU CORAÇÃO NÃO APRENDEU NADA” (Álvaro de Campos, 1928) Mestre, meu mestreContinuar lendo “Tudo é esforço neste mundo onde se querem coisas”

O futuro como repetição

“… frequentemente os gregos parecem não ter acreditado muito em seus mitos políticos e eram os primeiros a rir deles quando os apresentavam em cerimônias”, comenta Paul Veyne. Porém, a procura da verdade é uma aquisição que a humanidade faz com extrema lentidão, lamentava Nietzsche, em 1873. Ferreira Gullar, sabia que “O mito é nadaContinuar lendo “O futuro como repetição”

“Sou dono e senhor do meu destino; eu sou o comandante da minha alma” (Henley)

O poeta inglês William Henley teve uma vida difícil, salteada de perdas. Aos doze anos de idade teve uma artrite causada pelo bacilo da tuberculose, o que levou à amputação da perna esquerda, aos dezesseis anos. Pouco depois, perdeu o pai e tornou-se arrimo da família. Dentre seus poemas, Invictus, de 1888, é um dosContinuar lendo ““Sou dono e senhor do meu destino; eu sou o comandante da minha alma” (Henley)”

“Quem é quem é?”

“Aonde quer que eu vá, descubro que um poeta esteve lá antes de mim.” (Sigmund Freud) Como nos comportaríamos se tivéssemos o manto da invisibilidade, se pudéssemos escolher ser ou não visto? Como se possuíssemos o anel de Giges, conforme a fábula contada por Glauco, irmão mais velho de Platão, na República: “… debruçando-se para oContinuar lendo ““Quem é quem é?””

Perdas e achados

A vida é uma trilha de perdas. Algumas são comezinhas, como perder o horário, a derrota do time, queda dos cabelos, quebrar uma unha, derrota do político preferido, falência etc. Outras são relevantes, marcantes: perder a confiança em alguém, ou a esperança no país, a saúde, a paz interior, um ente querido, o interesse pelaContinuar lendo “Perdas e achados”

“Aquilo que repousa na transformação fluida”

Paul Arvid Dornonville de La Cour, nasceu em 1902 e viveu até 1956. Foi escritor, poeta, tradutor e crítico literário dinamarquês. AGORA VOU Agora entro na pedra,logo serei montanha e frio,se não posso abrir minha profundidade,terei que ser uma fechadura.Algum dia as montanhas vão estourar,algum dia as fechaduras vão saltar,a pedra vai levantar seu olhoContinuar lendo ““Aquilo que repousa na transformação fluida””

“A Terra é minha pátria, a humanidade é minha família” (Gibran)

Gibran Khalil Gibran foi poeta, pintor e escritor. Em suas veias corria o sangue de uma multiplicidade de culturas como a fenícia, aramaica, assíria, persa, grega, árabe e outras. Libanês, emigrou para os EUA, quando tinha doze anos de idade, levado (com os irmãos) por uma mãe corajosa – uma costureira -, que buscava aContinuar lendo ““A Terra é minha pátria, a humanidade é minha família” (Gibran)”

“General, o homem é muito útil/ Ele sabe voar e sabe matar/ Mas tem um defeito: Ele sabe pensar” (Brecht)

NÃO HÁ VAGAS O preço do feijãonão cabe no poemaO preço do arroznão cabe no poema Não cabem no poema o gása luzo telefonea sonegaçãodo leiteda carnedo açúcardo pão O funcionário públiconão cabe no poemacom seu salário de fomesua vida fechadaem arquivos Como não cabe no poemao operárioque esmerila seu dia de açoe carvãonas oficinasContinuar lendo ““General, o homem é muito útil/ Ele sabe voar e sabe matar/ Mas tem um defeito: Ele sabe pensar” (Brecht)”