Como era possível?

COMO FAZÍAMOS? (Adaptação de uma publicação de Laura Muschio) Às vezes me pergunto:o que nossa geração fez parasobreviver de comida contendo lactose? Como fomos capazes de crescersem comida para bebê, suplementos,hormônios e multivitaminas? Como vivíamossem Coca zero, Red Bull,aperitivos e bebidas longas,se esperávamos pelo domingopara beber água com gáscom pós dissolvidos? Como passamosos invernos rigorososcomContinuar lendo “Como era possível?”

O coração que treme diante do sofrimento

OS OLHOS DOS POBRES (Charles Baudelaire) “Ah! Você quer saber por que eu a odeio hoje. Será, certamente, menos fácil para você compreender do que para mim, explicar; porque você é, creio, o mais belo exemplo da impermeabilidade feminina que se possa encontrar. Tínhamos passado juntos um longo dia que me parecera curto. Nós nosContinuar lendo “O coração que treme diante do sofrimento”

Só temos que nos aturar e respeitar

Este é o milésimo artigo que publico no site Balaio Caótico! Desde que criei o blog, por estímulo de amigos, em junho de 2020, publiquei uma média de 1,2 textos por dia! Não é normal, reconheço, mas foi uma ótima experiência que vivi, principalmente durante a fase crítica da pandemia. Os incautos que me leem,Continuar lendo “Só temos que nos aturar e respeitar”

A pós-modernidade ainda representa nosso tempo?

A partir dos anos 1840, Charles Baudelaire identificava o que viria a ser reconhecido como Modernismo, ao destacar a atividade de Constantin Guys, como jornalista e ilustrador. Nascia a ideia de que a modernidade seria a reunião do eterno e do transitório, revelando um interesse especial na moda e sua relação com a beleza, comContinuar lendo “A pós-modernidade ainda representa nosso tempo?”

“O que não foi/ tocado é o que/ deixou sua marca/ mais nítida na mão.”

Volto com Ruy Espinheira Filho, o poeta baiano (quase um pleonasmo) que traz toda a complexidade da vida num lirismo nunca abandonado. À sua memória, aflora o eterno fluir, com nossa pegada – visível, indelével ou fugaz, efêmera – no tempo. Talvez por isso tenha recebido a alcunha de “poeta da memória”. “Com que contundênciaContinuar lendo ““O que não foi/ tocado é o que/ deixou sua marca/ mais nítida na mão.””

“Incerto, incauto renasço a cada dia” (Adonis)

Ali Ahmad Said Esber é um poeta sírio. Adotou o pseudônimo de Adonis em referência a uma fábula fenícia que se irradiou na mitologia grega. Na mitologia, Adonis atraiu o amor de Afrodite e de Perséfone. Problemas. Uma mulher só já requer atenção; duas desestabilizam. Vocês viram o debate de ontem. Ares, amante de AfroditeContinuar lendo ““Incerto, incauto renasço a cada dia” (Adonis)”

“Como guardará/ Esta noite e outras e manhãs e tardes e nossas vozes que aos poucos cessarão” (Ruy Espinheira)

Ruy Alberto de Assis Espinheira Filho nasceu em 1942, em Salvador. É jornalista, poeta, romancista, contista, ensaísta e cronista. É membro da Academia de Letras da Bahia. Ele é um dos mais importantes poetas líricos brasileiros da modernidade, na opinião de Miguel Sanches Neto. NESTA VARANDA (Ruy Espinheira Filho) Logo mais não estaremosAqui nesta varanda, emContinuar lendo ““Como guardará/ Esta noite e outras e manhãs e tardes e nossas vozes que aos poucos cessarão” (Ruy Espinheira)”

Poesia concreta

Eugen Gomringer nasceu na Bolívia, mas possui nacionalidade suíça. Estudou economia e história da arte. Em 1953, publicou seu primeiro livro de poemas, considerado o marco inicial da “poesia concreta”. Esse rótulo (poesia concreta) surgiria em seguida, mas no mesmo ano, quando do lançamento do Manifesto de Poesia Concreta, do sueco-brasileiro Öyvind Fahlström. No Brasil,Continuar lendo “Poesia concreta”

“Acho que o grande mundo dos homens não deve ser como este.” (LI P’O, China, século VIII)

Leonardo Fróes costuma brincar com a vida levada a sério. Para ele, o dramático está perto do patético: “Só as aves entendem/ o que estou olhando ao longe/ sem pensar mas sentindo/ minha insignificância perfeita.” Sua poesia, diz Fabrício Carpinejar, “celebra até a queda; não reclama da fila, encontra algo da fila para pensar”. OLHARContinuar lendo ““Acho que o grande mundo dos homens não deve ser como este.” (LI P’O, China, século VIII)”

“Nunca é meio-dia na floresta”

Gonçalo M. Tavares é um fenômeno literário. Seu primeiro trabalho foi publicado em 2011; depois, desembestou: como dramaturgo, poeta, romancista, ensaísta contei mais de 40 obras! Coleciona prêmios: 11. Suas poesias tratam da vida, com agudo poder de observação e síntese. AS DUAS VELHAS São duas velhas, lado a lado, no café. Não se olham:Continuar lendo ““Nunca é meio-dia na floresta””