E a multidão vendo atônita/ Ainda que tarde/ O seu despertar

Simbolicamente, a Rosa dos Ventos representa luz e sorte. Significa também a necessidade de mudanças, de se encontrar uma direção, um caminho a seguir. Rosa-dos-Ventos (Chico Buarque) E do amor gritou-se o escândaloDo medo criou-se o trágicoNo rosto pintou-se o pálidoE não rolou uma lágrimaNem uma lástimaPra socorrer E na gente deu o hábitoDe caminhar pelas trevasDe murmurar entre as pregasDeContinuar lendo “E a multidão vendo atônita/ Ainda que tarde/ O seu despertar”

O poeta-operário

ESTRELA (Maiakóvski, 1913) “Escutai! Se as estrelas se acendem será porque alguém precisa delas? Por que alguém as quer lá em cima? Será que alguém por elas clama, por essas cuspidelas de pérolas? Ei-lo aqui, pois, sufocado, ao meio-dia, no coração dos turbilhões de poeira; ei-lo, pois, que corre para o bom Deus, temendo chegarContinuar lendo “O poeta-operário”

“A noite é um rosário de horas sem resposta”

Insomnia mi (Meus sonhos) (Poema de Ariel Francisco) “O néon faz um buraco no meio da noitee o freon abre um buraco no céu” (Dessa Darling) “Escuridão a noite todaconstrói sua cidadela inquestionávelde pensamentos intrusivos se você ouvir com atençãovocê pode ouviro sussurro da subida das águas se você cobrir seus ouvidosvocê vai ouvir tambémContinuar lendo ““A noite é um rosário de horas sem resposta””

Um itinerário

A paraense Eneida de Moraes foi jornalista, escritora, militante política e pesquisadora brasileira. Um pessoa infame (de má fama) por enfrentar regimes autoritários e manter a coragem de defender ideias comunistas. Não defendo suas ideias, claro, mas sua renitência é impressionante: 11 prisões durante o Estado Novo, com direito a torturas, clandestinidade e exílio. “Considero-meContinuar lendo “Um itinerário”

“aventura é ser mãe e pai”

Quantos sentidos temos? Alguns, nenhum. Outros, seis ou sete. Além dos cinco tradicionais, supõem-se que haja um sexto sentido, o “feeling“, a intuição, o pressentimento – a integração de todos os cinco, ou a emergência de um sentimento agregado, segundo o neurologista Martin Portner. Pode, ainda, haver um sétimo, a sinestesia, que alguns preferem entenderContinuar lendo ““aventura é ser mãe e pai””

“O que não sabe é um ignorante, mas o que sabe e não diz nada é um criminoso”

Eugen Bertholt Friedrich Brecht estudou medicina, mas realizou-se como dramaturgo e poeta. Passou parte da vida fugindo: primeiro do nazismo e depois, do macarthismo. À POSTERIDADE (Bertolt Brecht) I Não há dúvida que vivo numa idade escura! Uma palavra sem malícia é um absurdo. Uma fronte suave Revela um coração duro. Aquele que está rindoContinuar lendo ““O que não sabe é um ignorante, mas o que sabe e não diz nada é um criminoso””

Tem gente com fome

O pernambucano Francisco Solano Trindade era cineasta, teatrólogo, pintor, ator, folclorista e poeta. Era, também, militante do Movimento Negro. Morreu num asilo, pobre e esquecido. “ia falar do seu corpo/ de suas mãos/ amada/ quando soube que a polícia espancou um companheiro/ e o poema não saiu’’. (década de 1920) “mataram o Ozeias/ um sujeitoContinuar lendo “Tem gente com fome”

Vento

Gwendolyn B. Bennett foi uma artista, escritora, poeta e jornalista americana. Foi, também, uma forte influenciadora dos direitos das mulheres afro-americanas. EPITÁFIO Quando eu estiver morta, esculpe isto na minha pedra: Aqui jaz uma mulher, raiz adequada para flores e árvores, Cuja carne viva, agora se desfazendo em volta do osso, Não quer nada maisContinuar lendo “Vento”

“Amanhã ainda não será outro dia”

O Brasil, contrariando os mandatários atuais, que nem perdem tempo em classificar a “poesia” (imaginem: se acham o temor à pandemia uma frescura!), tem duas datas comemorativas para os que acham que “para viajar basta existir“. A tradicional homenageia Castro Alves, que nasceu em 14 de março de 1847. Depois, oficializou-se o 31 de outubro,Continuar lendo ““Amanhã ainda não será outro dia””

“teus braços foram feitos/ para abraçar horizontes” (poesias de Mia Couto)

IDADES No início, eu queria um instante. A flor. Depois, nem a eternidade me bastava. E desejava a vertigem do incêndio partilhado. O fruto. Agora, quero apenas o que havia antes de haver vida. A semente. DANOS E ENGANOS Aquele que acredita ter visto o mundo, não aprendeu a escutar-se no vento. Aquele que seContinuar lendo ““teus braços foram feitos/ para abraçar horizontes” (poesias de Mia Couto)”