Poesia concreta

Eugen Gomringer nasceu na Bolívia, mas possui nacionalidade suíça. Estudou economia e história da arte. Em 1953, publicou seu primeiro livro de poemas, considerado o marco inicial da “poesia concreta”. Esse rótulo (poesia concreta) surgiria em seguida, mas no mesmo ano, quando do lançamento do Manifesto de Poesia Concreta, do sueco-brasileiro Öyvind Fahlström. No Brasil,Continuar lendo “Poesia concreta”

“Acho que o grande mundo dos homens não deve ser como este.” (LI P’O, China, século VIII)

Leonardo Fróes costuma brincar com a vida levada a sério. Para ele, o dramático está perto do patético: “Só as aves entendem/ o que estou olhando ao longe/ sem pensar mas sentindo/ minha insignificância perfeita.” Sua poesia, diz Fabrício Carpinejar, “celebra até a queda; não reclama da fila, encontra algo da fila para pensar”. OLHARContinuar lendo ““Acho que o grande mundo dos homens não deve ser como este.” (LI P’O, China, século VIII)”

“Nunca é meio-dia na floresta”

Gonçalo M. Tavares é um fenômeno literário. Seu primeiro trabalho foi publicado em 2011; depois, desembestou: como dramaturgo, poeta, romancista, ensaísta contei mais de 40 obras! Coleciona prêmios: 11. Suas poesias tratam da vida, com agudo poder de observação e síntese. AS DUAS VELHAS São duas velhas, lado a lado, no café. Não se olham:Continuar lendo ““Nunca é meio-dia na floresta””

“… haverá ordem e eles quase não terão de pensar”

Em 1948, Bertolt Brecht retornava a uma Alemanha em reconstrução, mas já dividida pela Guerra Fria. Havia passado quinze anos no exílio, boa parte deles com os nazistas em seus calcanhares. Com o fim da guerra, acabara a perseguição baseada em opções políticas? Não. Ainda em Los Angeles, antes da sua volta, fora interrogado porContinuar lendo ““… haverá ordem e eles quase não terão de pensar””

Caos e Criação

Na mitologia grega, por Hesíodo, tem-se que “Sim, bem primeiro nasceu Caos, depois também Terra (Gaia) de amplo seio, de todos sede irresvalável sempre, dos imortais que têm a cabeça do Olimpo nevado …” No Gênesis, cita-se que “a terra estava vazia e vaga, as trevas cobriam o abismo (…)” (Gn 1, 2). Em hebraico:Continuar lendo “Caos e Criação”

Tudo é esforço neste mundo onde se querem coisas

A inquietação de Fernando Pessoa – um marco na nossa vulgar existência – tinha sempre uma motivação filosófica: a busca do autoconhecimento, as relações entre o Eu e o mundo, os dilemas entre subjetividade e pertencimento, a busca por uma existência com sentido. “MEU CORAÇÃO NÃO APRENDEU NADA” (Álvaro de Campos, 1928) Mestre, meu mestreContinuar lendo “Tudo é esforço neste mundo onde se querem coisas”

O futuro como repetição

“… frequentemente os gregos parecem não ter acreditado muito em seus mitos políticos e eram os primeiros a rir deles quando os apresentavam em cerimônias”, comenta Paul Veyne. Porém, a procura da verdade é uma aquisição que a humanidade faz com extrema lentidão, lamentava Nietzsche, em 1873. Ferreira Gullar, sabia que “O mito é nadaContinuar lendo “O futuro como repetição”

“Sou dono e senhor do meu destino; eu sou o comandante da minha alma” (Henley)

O poeta inglês William Henley teve uma vida difícil, salteada de perdas. Aos doze anos de idade teve uma artrite causada pelo bacilo da tuberculose, o que levou à amputação da perna esquerda, aos dezesseis anos. Pouco depois, perdeu o pai e tornou-se arrimo da família. Dentre seus poemas, Invictus, de 1888, é um dosContinuar lendo ““Sou dono e senhor do meu destino; eu sou o comandante da minha alma” (Henley)”

“Quem é quem é?”

“Aonde quer que eu vá, descubro que um poeta esteve lá antes de mim.” (Sigmund Freud) Como nos comportaríamos se tivéssemos o manto da invisibilidade, se pudéssemos escolher ser ou não visto? Como se possuíssemos o anel de Giges, conforme a fábula contada por Glauco, irmão mais velho de Platão, na República: “… debruçando-se para oContinuar lendo ““Quem é quem é?””

Perdas e achados

A vida é uma trilha de perdas. Algumas são comezinhas, como perder o horário, a derrota do time, queda dos cabelos, quebrar uma unha, derrota do político preferido, falência etc. Outras são relevantes, marcantes: perder a confiança em alguém, ou a esperança no país, a saúde, a paz interior, um ente querido, o interesse pelaContinuar lendo “Perdas e achados”