Para o que serve o poeta?

“Se alguém, vendo Deus, compreende o que viu, não viu Deus.” (Pseudo-Dionísio) “A poesia talvez não diga nada. A rigor, não diz. O uso que faz das palavras não é paradizer o que as palavras dizem, mas o que elas não são capazes de dizer. Como a música,a poesia também não encontra palavras que aContinuar lendo “Para o que serve o poeta?”

O Círculo Sagrado

Laura Riding (1901-1991) foi uma poetisa americana, estranha. Ela acreditava ter poderes; considerava-se uma bruxa. Muito inteligente, porém pérfida. Segundo Rosa Montero, ela era uma força maligna; por onde passava, tudo desmoronava. UMA GENTILEZA (Laura Riding) Estar viva é estar curiosa.Quando perder interesse pelas coisasE não estiver mais atenta, álacrePor fatos, acabo este minguado inquérito.AContinuar lendo “O Círculo Sagrado”

“Apenas as virtudes que admitem excessos”

As pretensões da pobreza, de Thomas Carew “Miserável pobre diabo, és por demais presumido Ao reivindicares um lugar no céu, na altura, Só porque tua humilde choça, ou tua tina, Acalenta alguma virtude indolente ou farisaica Sob o sol barato ou pelas fontes sombrias Com raízes e hortaliças; onde tua mão direita, Arrancando as paixõesContinuar lendo ““Apenas as virtudes que admitem excessos””

Não coloques teu coração no que é transitório

Gulistan, ou Jardim das Rosas, de Saadi (trecho) “Perguntaram a um sábio: Entre as muitas árvores célebres que o Altíssimo Deus criou altaneiras e umbrosas, nenhuma é chamada ‘azad‘, ou livre, excetuando o cipreste, que não dá frutos. Qual o mistério disso? O sábio replicou: cada uma tem seu fruto adequado e sua estação determinada,Continuar lendo “Não coloques teu coração no que é transitório”

“A inconsistência frágil das horas turbulentas”

Maria do Sameiro Barroso, nasceu em Braga (Portugal), em 1951. É médica, tradutora, ensaísta e poetisa. Noite Dissecada Já não pernoitas no jardim luminosodas quimeras inocentes.Com os olhos vazados e a íris sem cor,persegues os laços negros, a lua negra,alheio aos subterfúgios da luz e da doçura.Com os pulmões cheios de águae os olhos esvaziadosContinuar lendo ““A inconsistência frágil das horas turbulentas””

O tempo e suas perspectivas

Maria Rita Kehl é psicanalista, crítica literária, jornalista, escritora e poetisa. Tem 69 anos. Imprevisões do tempo (1980) “Eu era muito velha. Aos quinze anos podia jurar que as noites de sábado foram feitas para se pintar os olhos e ter um namorado. Aos dezoito a maior batalha consistia em encher a semana de responsabilidadesContinuar lendo “O tempo e suas perspectivas”

“Meu quarto está cheio de vigas quebradas de luz”

Nas colinas do amanhecer (Alexander Posey) “Veja, a taça azul-celeste da ipomeiaÉ minha para beber o néctarNaquela manhã, derramamento de orvalho prateado,E música sobre os ventos que cortejamE suspirar seus votosEntre os ramos! Eis que sou rico em diamantes raros,E pérolas, e respirar um ar dourado;Meu quarto está cheio de vigas quebradasDe luz; minha vidaContinuar lendo ““Meu quarto está cheio de vigas quebradas de luz””

A imperfeição é nosso paraíso

“Mesmo que esta simplicidade completa Pudesse afastar todo tormento, ocultar Esse composto perverso e vital, o eu, Fizesse dele coisa nova num mundo De água clara, branco e nítido, ainda assim Seria preferível, necessário, mais, Mais que um mundo de neve e cheiros brancos. Haveria ainda a consciência inquieta: Daí a vontade de fugir, voltarContinuar lendo “A imperfeição é nosso paraíso”

O tempo

Jean-Marie Guyau era poeta e filósofo. Alguns o consideram o Nietzsche francês. Nietzsche e Bergson o tinham em alta conta. Ficou conhecido como “filósofo da vida”, pois nutria uma paixão profunda pela existência. Refletia sobre o “tempo”, mas esse lhe foi ingrato: morreu em 1888, aos 33 anos, da doença dos poetas. Abraçou o estoicismoContinuar lendo “O tempo”

“O poema tem que resistir à inteligência, até quase conseguir”

“Não há mudança de morte no paraíso?A fruta madura nunca cai? Ou faça os ramosPendure sempre pesado naquele céu perfeito,Imutável, mas tão parecido com nossa terra perecendo,Com rios como o nosso que procuram maresEles nunca encontram, as mesmas margens recuandoQue nunca toque com angústia inarticulada?Por que colocar a pera nas margens do rioOu temperar asContinuar lendo ““O poema tem que resistir à inteligência, até quase conseguir””