“Uma poça … que viveu alguns segundos”

Tempos nebulosos, sem memória, descompensados, extremados, centrífugos … requerem poesia. Ana Martins Marques é poesia. EM BRANCO Dizem que Cézannequando certa vez pintou um quadrodeixando inacabada parte de uma maçãpintou apenas a parte da maçãque compreendia. É por issomeu amorque eu dedico a vocêeste poemaem branco. HISTÓRIA “Tenho 39 anos. Meus dentes têm cerca deContinuar lendo ““Uma poça … que viveu alguns segundos””

I-Juca-Pirama

I-Juca-Pirama significa “o que há de ser morto”, em tupi. É um dos poemas de Gonçalves Dias (1823-1864), da sua fase indianista. Narra a história de um índio tupi que, após uma batalha contra os timbiras, é preso e seu destino é a morte, para ser devorado. É exigido que ele faça o seu cantoContinuar lendo “I-Juca-Pirama”

Amendoeira

Para fugir desse ambiente tóxico da política (argh!), dos descaminhos econômicos, da falta de gestão na infraestrutura, à exceção dos puxadinhos – louváveis – do Tarcísio Freitas, dos desmontes dos poucos pontos em que avançamo-nos (combate aos desmatamentos, proteção aos indígenas, direitos à diversidade, inclusão social …), nada como procurar nosso leitor do cotidiano, CarlosContinuar lendo “Amendoeira”

“Paranoia é a patologia dos regimes inseguros e, em especial, das ditaduras.” (Coetzee)

Óssip Mandelstam, quando criança, colecionava pregos. Uma premonição, talvez. Até que tomaram todos os seus pregos, colecionados com capricho, para encaixotarem o que quer que fosse. Ele foi um dos maiores poetas e escritores do período soviético. Não gostava de rememorar lembranças visuais (“Minha memória não é amorosa, mas hostil …”), só as sonoras, auditivasContinuar lendo ““Paranoia é a patologia dos regimes inseguros e, em especial, das ditaduras.” (Coetzee)”

Sobre o bem e o mal

“Do bem e do malTodos tem seu encanto: os santos e os corruptos.Não há coisa na vida inteiramente má.Tu dizes que a verdade produz frutos…Já viste as flores que a mentira dá?” (Mário Quintana) “O bem é um mal necessário. Se não existisse o bem, ou a ideia dele, não conheceríamos o mal, portanto oContinuar lendo “Sobre o bem e o mal”

Viver é aprender a conjugar o verbo perder (Bishop)

Elizabeth Bishop parou, acidentalmente, no Brasil; ficou por mais de 15 anos. Apaixonou-se pela geografia e por Lotta (Maria Carlota Costallat de Macedo Soares), arquiteta e paisagista. O desenlace é trágico – Lotta morreu de overdose durante uma visita à ex-amante, em Nova Iorque. Era mais uma tragédia na vida de Elizabeth: seu pai morreuContinuar lendo “Viver é aprender a conjugar o verbo perder (Bishop)”

Um pouco da Teogonia

A Teogonia, a Genealogia dos Deuses, teria sido escrita por Hesíodo, nos séculos VIII e VII a.C. Talvez fosse contemporâneo de Homero, talvez primos … não se sabe. É mito, mas revela a necessidade de se conceber o humano com referência direta e indispensável ao divino. “Ciente de sua precariedade, de sua mortalidade, o homemContinuar lendo “Um pouco da Teogonia”

“Sê plural como o universo” (Pessoa)

Senhor, meu passo está no Limiar (Fernando Pessoa) Senhor, meu passo está no Limiar Da Tua Porta. Faz-me humilde ante o que vou legar… Meu mero ser que importa? Sombra de Ti aos meus pés tens, desenho De Ti em mim, Faz que eu seja o claro e humilde engenho Que revela o teu Fim.Continuar lendo ““Sê plural como o universo” (Pessoa)”

Quantas histórias viveu Lorca! Deixou os registros.

German Lorca faria 99 anos no próximo 28 de maio. Ontem, antecipou-se. EU E VOCÊ “Leve-as! Não quero ver essa fotografias que falam de nós dois, que contam nossa história. Minhas saudades são mais lindas na memória. Invocando-as assim você as afastaria. Esconda esses cartões onde tudo fenece, onde o nosso passado esplêndido aparece semContinuar lendo “Quantas histórias viveu Lorca! Deixou os registros.”

E a multidão vendo atônita/ Ainda que tarde/ O seu despertar

Simbolicamente, a Rosa dos Ventos representa luz e sorte. Significa também a necessidade de mudanças, de se encontrar uma direção, um caminho a seguir. Rosa-dos-Ventos (Chico Buarque) E do amor gritou-se o escândaloDo medo criou-se o trágicoNo rosto pintou-se o pálidoE não rolou uma lágrimaNem uma lástimaPra socorrer E na gente deu o hábitoDe caminhar pelas trevasDe murmurar entre as pregasDeContinuar lendo “E a multidão vendo atônita/ Ainda que tarde/ O seu despertar”