Nossa bússola é a previsão do perigo

O mito de Prometeu indica que, através da técnica os homens podiam conseguir, por conta própria, o que antes teriam que pedir aos deuses. Mas há limites, principalmente éticos. “O Prometeu ‘definitivamente desacorrentado’, ao qual a ciência confere forças antes inimagináveis e a economia, o impulso infatigável, clama por uma ética que, por meio deContinuar lendo “Nossa bússola é a previsão do perigo”

No que o passado tem de concreto, a mais do que a ficção?

Reza uma antiga lenda holandesa que um garoto chamado Hans Brinker teria descoberto uma rachadura num dique. Ele então passou a noite inteira com o dedo enfiado no buraco, enfrentando frio, fome, sono e sede, até receber ajuda na manhã seguinte. Com este ato de bravura, impediu o rompimento da barragem e salvou sua aldeia.Continuar lendo “No que o passado tem de concreto, a mais do que a ficção?”

O Círculo Sagrado

Laura Riding (1901-1991) foi uma poetisa americana, estranha. Ela acreditava ter poderes; considerava-se uma bruxa. Muito inteligente, porém pérfida. Segundo Rosa Montero, ela era uma força maligna; por onde passava, tudo desmoronava. UMA GENTILEZA (Laura Riding) Estar viva é estar curiosa.Quando perder interesse pelas coisasE não estiver mais atenta, álacrePor fatos, acabo este minguado inquérito.AContinuar lendo “O Círculo Sagrado”

Nossas amazonas

1541. Francisco Pizarro era o governador do Peru e seu irmão, Gonzalo Pizarro era obcecado com as histórias de El Dorado. Gonzalo resolveu fazer uma expedição para encontrá-lo. Ele ficou vagando por meses nos contrafortes orientais dos Andes, já entre densas florestas. Sem mantimentos, seu primo Francisco de Orellana, o segundo no comando, propôs dividirContinuar lendo “Nossas amazonas”

Arlequim

A primeira representação de Arlequim foi no século XVII, trazida pela ‘comedia dell’arte‘, onde ele seduz e toma a Colombina do Pierrot. Pierrot representava um bobo, sendo sempre enrolado, mas mesmo assim confiando nas pessoas. Também era apresentado como sendo lunático, distante e inconsciente da realidade. Colombina aparecia como uma serva e é caracterizada comoContinuar lendo “Arlequim”

Onde está o Ícaro?

A pintura “Paisagem com a Queda de Ícaro”, realizada ao redor de 1560 por Pieter Bruegel, o Velho, é rica semanticamente. Do intrépido Ícaro aparecem só as pernas, no mergulho para a punição pela desobediência ao pai, Dédalo. O mito é conhecido: Dédalo construiu o labirinto do qual Teseu escapou. O rei Minos, de Creta,Continuar lendo “Onde está o Ícaro?”

Unicórnio e castidade

O unicórnio foi ‘redescoberto’ pelos Padres da Igreja, na Alta Idade Média, a partir de um tratado (“Physiologus”) escrito em Alexandria, entre os séculos II e IV, possivelmente por um gnóstico. Um trecho: “O unicórnio é pequeno e muito selvagem. Ele possui um chifre na cabeça. Nenhum caçador consegue pegá-lo, a não ser por umaContinuar lendo “Unicórnio e castidade”

Fábulas de ama-de-leite

Assim Platão se referia aos mitos: fábulas. Mas, não há como separar quando o mito passou a ser história. Tróia era, até o século XIX, mitológica. Em 1871, Heinrich Schliemann encontrou os restos da cidade também denominada Ilion – de onde deriva o nome Ilíada. À pergunta “o que existia antes de existir alguma coisa”, osContinuar lendo “Fábulas de ama-de-leite”

A educação caseira

Olimpia, ou Olimpíade, causou tanto furor quanto seu marido (Filipe II) e seu filho (o Grande Alexandre) no século IV a.C. Adotou vários nomes: Políxena (“a hospitaleira”), vinculava-a à mítica princesa de Tróia, filha de Príamo e da qual Aquiles se enamorou. Mírtale, ao casar-se com Filipe ou ao iniciar-se nos mistérios de Samotrácia, umaContinuar lendo “A educação caseira”

Renart, o raposo

A fábula Renart, o raposo, é uma das mais originais da Idade Média, apesar de ser inspirada na de Esopo. É o típico enganador, malandro – figura universal. Uma alusão a Métis, a deusa da astúcia (também da prudência, saúde, virtudes e proteção). Métis, a que tentou engabelar Zeus e se deu mal – ZeusContinuar lendo “Renart, o raposo”