Um episódio de falso moralismo

O machismo se apóia numa falsa moralidade, hipócrita, para manter sua dominação sobre as mulheres. Desde cedo aprendi a desconfiar dos ‘moralistas’; normalmente escondem comportamentos que o contradizem – alguns, absurdos. Tenho vários casos próximos. O trecho abaixo é do livro “Os Histéricos – uma novela”, de Teixeira Coelho e Jean-Claude Bernardet: uma mulher queContinuar lendo “Um episódio de falso moralismo”

O homem sem qualidades

Muitos receberam o meme abaixo: “Trump ganhou uma biografia antes mesmo de nascer: entre os anos 30 e 40 do século passado, o alemão Robert Musil lançou o monumental ‘O Homem sem Qualidades’”. Isso me levou a reler o tijolo (quase 900 páginas) do anti-romance de Musil. É um clássico, porque não envelhece: o mundoContinuar lendo “O homem sem qualidades”

Autobiografia precoce

Autobiografia De Mim Mesmo À Maneira De Mim Próprio “E lá vou eu de novo, sem freio nem paraquedas. Saiam da frente, ou debaixo que, se não estou radioativo, muito menos estou radiopassivo. Quando me sentei para escrever vinha tão cheio de ideias que só me saíam gêmeas, as palavras – reco-reco, tati-bitati, ronronar, coré-coré,Continuar lendo “Autobiografia precoce”

Devagar e nunca

Os acontecimentos são lentos, demorados; para, às vezes, acontecerem. Neste momento parecem imediatos, urgentes. A letargia é o tom. Ninguém se incomoda com o andar da carruagem, mesmo que afetem sua breve vivência, e a tornem insuportável e insípida. Trago aqui, uma fábula, escrita em 1944, por Millôr Fernandes, no ritmo de nossa história. ComoContinuar lendo “Devagar e nunca”

“As glórias que vêm tarde já vêm frias” (Dirceu, de Marília)

Lygia Fagundes Telles é uma autora completa. Aos 97 anos, é a “dama da literatura brasileira”. Numa entrevista com Clarice Lispector, fala sobre o processo de criação: ” A gente exagera, inventa uma transparência que não existe porque – no fundo sabemos disso perfeitamente – tudo é sombra. Mistério. O artista é um visionário. UmContinuar lendo ““As glórias que vêm tarde já vêm frias” (Dirceu, de Marília)”

“… eles devem abrir caminho para nós, e não nós para eles”

Comentários de Goethe sobre seu encontro com Beethoven (julho de 1812) “… Vim a conhecer Beethoven em Teplitz. O seu talento assombrou-me; mas infelizmente a ele coube uma personalidade completamente destituída de autodomínio; ele pode não estar completamente errado ao julgar que o mundo é odioso, mas também é verdade que tal atitude não tornaContinuar lendo ““… eles devem abrir caminho para nós, e não nós para eles””

“… ricos nunca se desonram.”

Honra é um ‘valor’ para os aspirantes à riqueza; a classe média. Se o universo fosse constituído por sábios e filósofos, seria diabolicamente triste. Sabedoria válida é a de Salomão: beber bons vinhos, saborear pratos delicados, rolar sobre belas mulheres, repousar em camas macias. Excetuando-se isto, o resto é vaidade. Esses são pensamentos do sobrinhoContinuar lendo ““… ricos nunca se desonram.””

Do inconsciente consciente (Mário Quintana)

“O meu inconsciente é mais observador que o meu consciente. Eu, por exemplo, se falo a primeira vez com fulano, não saberei lembrar depois (ou desenhar, o que dá no mesmo) o formato do seu nariz, a disposição das suas sobrancelhas, o jeito da boca, nem mesmo se tinha bigode ou não. Mas basta encontrá-loContinuar lendo “Do inconsciente consciente (Mário Quintana)”

O turco mascate (de José Ortiz Monteiro)

“Adib Chammas, quieto ganhador de dinheiro, não falava. Tinha fábricas, o maior moinho de trigo do mundo, um banco e fazendas. Muitas fazendas. Já nem sabia quantas. Uma fazenda, contudo, sempre mereceu dele uma especial predileção. Ali, a porteira nunca fechava. As portas da casa sempre abertas. Assim, ele queria. Um dia, perguntei-lhe o motivoContinuar lendo “O turco mascate (de José Ortiz Monteiro)”

No que o passado tem de concreto, a mais do que a ficção?

Reza uma antiga lenda holandesa que um garoto chamado Hans Brinker teria descoberto uma rachadura num dique. Ele então passou a noite inteira com o dedo enfiado no buraco, enfrentando frio, fome, sono e sede, até receber ajuda na manhã seguinte. Com este ato de bravura, impediu o rompimento da barragem e salvou sua aldeia.Continuar lendo “No que o passado tem de concreto, a mais do que a ficção?”