O lobo e o cão (Fedro)

“Que a liberdade tem encantos – eis o que lhes vou mostrar em poucas palavras. Um cão grande e gordo encontrou por acaso um lobo magro e desfeito. Depois de se cumprimentarem mutuamente, pararam: – Donde vens – perguntou o lobo – que és tão brilhante, e com que viandas adquiriste essa tão grande corpulência?Continuar lendo “O lobo e o cão (Fedro)”

O Turista aprendiz

1927. Mário de Andrade sai da Paulicéia e passa a conhecer o Brasil, ficção para a maioria dos ‘sulistas’. Regiões ‘remotas’, tradições peculiares … um outro Brasil. Antes, em abril de 1924, Mário voltara a Minas na “viagem da descoberta do Brasil”, quando o grupo modernista paulistano, a mecenas Olívia Guedes Penteado e amigos percorramContinuar lendo “O Turista aprendiz”

“… natural, simples, humano, fiel a si mesmo: este é o perfil de Brossa …”

Joan Brossa (1919 – 1998). Esse poeta é ícone de criatividade; sua obra se caracteriza pela experimentação e pelo humor, é engajada e irônica. Sua obra poética está ligada às suas raízes catalãs e à denúncia social. Artista múltiplo; seus territórios eram artes plásticas, teatro, música, cinema, cultura popular, design gráfico, circo, cabaré e, política.Continuar lendo ““… natural, simples, humano, fiel a si mesmo: este é o perfil de Brossa …””

O amor materno

“Quando eu morrer, quando vocês perceberem que eu morri, cubram o meu corpo. Ninguém deve ver meu corpo, não se pode deixar ver o corpo de uma mãe. Vocês, que são minhas filhas, têm a obrigação de cobri-lo, cabe somente a vocês fazer isso. Ninguém pode ver o cadáver de uma mãe, pois senão elaContinuar lendo “O amor materno”

O moleiro, seu filho e o burro (La Fontaine)

Li em algum lugar que um moleiro e seu filho, Um velho, o outro pequeno, e não muito criança, Garotinho de uns quinze anos, diz-me a lembrança, À feira iam vender seu asno, certo dia; Para ele parecer mais fresco e com mais brilho, Amarraram-lhe os pés, e suspenso ele ia; Pai e filho, depois,Continuar lendo “O moleiro, seu filho e o burro (La Fontaine)”

Um divulgador da ciência

Bernard le Bovier de Fontenelle influenciou com sua obra as grandes personalidades do Iluminismo. Sabia transmitir as ideias, mesmo as científicas e elaboradas eruditamente, de uma forma bastante palatável e compreensível para a maioria das pessoas na sociedade. Se as ciências em geral e a filosofia, em especial, se tornaram populares na França, foi graçasContinuar lendo “Um divulgador da ciência”

“Para fazer um céu basta uma estrela…” (Álvaro Moreyra)

“Os cabelos muito brancos. Magra. Feia. Triste. Sempre com lágrimas nos olhos. Sempre com estas palavras na boca: – Deus te ajude. Para os pequenos: Sia Isabel. Para os grandes: Bebê Chorona. Bebê Chorona, que sabia contar histórias, me ensinou, um dia, a origem da chuva. Aprendi que São Pedro manda os anjos, de tempoContinuar lendo ““Para fazer um céu basta uma estrela…” (Álvaro Moreyra)”

“Só eu sei que o sol nasce nos ladrilhos da cozinha”

“Tinha quatro anos quando fiquei densa, pesada de uma estranha sabedoria. Morávamos na Rua Maranhão, em São Paulo. Certa madrugada, a casa ainda escura, desci as escadas. Deslizei pelas salas, abri a porta da cozinha suspendendo-me nas pontas dos pés. E aí tive a grande revelação: o sol nascia nos ladrilhos brancos. O sol estavaContinuar lendo ““Só eu sei que o sol nasce nos ladrilhos da cozinha””

“Outro dia, quando saí para tomar um pouco de ar perto da casa de Tom Paine …” (Bob Dylan)

Thomas Paine era britânico. Viveu entre 1737 e 1809. Participou de duas revoluções, a da Independência americana (é um dos Pais Fundadores dos Estados Unidos) e da Revolução Francesa. “Participar em duas revoluções é viver para algum propósito”, escreveu para Washington. Não era um revolucionário “radical”; só queria liberdade, paz universal, civilização e comércio. SuaContinuar lendo ““Outro dia, quando saí para tomar um pouco de ar perto da casa de Tom Paine …” (Bob Dylan)”

Canções de uma ilha (Ingeborg Bachmann)

“(…) Quando alguém vai embora, tem de jogar ao mar o chapéu com as conchas recolhidas ao longo do verão, e partir com os cabelos ao vento, tem de lançar ao mar a mesa posta para o seu amor, tem de derramar no mar o resto de vinho que ficou no copo, tem de darContinuar lendo “Canções de uma ilha (Ingeborg Bachmann)”