Existir

Contardo Calligaris morreu em março deste ano. Um dia antes da sua morte, numa conversa com Maria Homem, sua companheira, a pergunta séria: “O que vai ser de mim sem você?” Ele, consciente, olhou nos seus olhos e disse: “Vai ser o que você quiser”. Esse era seu princípio: crie sua vida! Quantos estão, nesteContinuar lendo “Existir”

Pai contra mãe

Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro, filho de um mulato e uma lavadeira portuguesa. Não gostava, porém, de abordar questões escravagistas. Em 1906, 18 anos após o fim da escravidão, entretanto, publica o conto “Pai Contra Mãe”, no livro “Relíquias da Casa Velha”. Neste conto a escravidão é o ambiente usado para destacarContinuar lendo “Pai contra mãe”

Pequeno Texto sobre pessoas e baobás (por Márcio Kazuo Teramoto)

“Um baobá, se a gente custa a descobri-lo, nunca mais se livra dele. Atravanca todo o planeta. Perfura-o com suas raízes. E se o planeta é pequeno e os baobás numerosos, o planeta acaba rachando.“ (Antoine de Saint-Exupéry) E como o baobá, os sentimentos como inveja, ódio, avareza…nos racham e nos destroem, de dentro paraContinuar lendo “Pequeno Texto sobre pessoas e baobás (por Márcio Kazuo Teramoto)”

O invisível gera o visível, por Márcio Kazuo Teramoto

“O Essencial é invisível aos olhos” (Antoine de Saint-Exupéry) Tamanha sabedoria em uma simples frase. O mundo visível é consequência do mundo invisível. Se quer uma realidade diferente, mude primeiro por dentro. A cada vez que leio esta frase de Exupéry, lembro de uma velha história. Em um sítio havia uma amoreira; não dava frutosContinuar lendo “O invisível gera o visível, por Márcio Kazuo Teramoto”

“Uma poça … que viveu alguns segundos”

Tempos nebulosos, sem memória, descompensados, extremados, centrífugos … requerem poesia. Ana Martins Marques é poesia. EM BRANCO Dizem que Cézannequando certa vez pintou um quadrodeixando inacabada parte de uma maçãpintou apenas a parte da maçãque compreendia. É por issomeu amorque eu dedico a vocêeste poemaem branco. HISTÓRIA “Tenho 39 anos. Meus dentes têm cerca deContinuar lendo ““Uma poça … que viveu alguns segundos””

Zadig e as curvas do destino

Um bando de salteadores abordou Zadig e um deles disse: “Tudo o que levas nos pertence, e a tua pessoa pertence ao nosso amo!”. Zadig e seu criado sacaram as espadas e resistiram ao ataque. Arbogad, o líder dos assaltantes, observava e ficou impressionado com a valentia de Zadig. Mandou seus homens pararem e convidouContinuar lendo “Zadig e as curvas do destino”

I-Juca-Pirama

I-Juca-Pirama significa “o que há de ser morto”, em tupi. É um dos poemas de Gonçalves Dias (1823-1864), da sua fase indianista. Narra a história de um índio tupi que, após uma batalha contra os timbiras, é preso e seu destino é a morte, para ser devorado. É exigido que ele faça o seu cantoContinuar lendo “I-Juca-Pirama”

“Sê leal contigo mesmo”

Em Hamlet, Polônio é o primeiro-ministro da Dinamarca e conselheiro do rei; pai da infeliz Ofélia e de Laertes. Como político, é escorregadio, equilibrista e camaleônico, um pioneiro da PNL: fala o que o interlocutor quer ouvir, num esforço de rapport – o empático “profissional”. Há um momento em que Polônio vai chamar Hamlet paraContinuar lendo ““Sê leal contigo mesmo””

“Continuam a viver em nós todos aqueles que se foram embora.” (Pirandello)

“Todos vivemos com a ilusão de que os outros, por fora, nos vejam como nós imaginamos ser por dentro. E não é assim.” (Pirandello) Luigi Pirandello é filho do Caos. Este era o nome (Càvusu, no dialeto local) da pequena aldeia onde nasceu, localizada em Agrigento, na Sicília. Cedo, deu-se conta da farsa que éContinuar lendo ““Continuam a viver em nós todos aqueles que se foram embora.” (Pirandello)”

Kemet e a produção intelectual

Os antigos egípcios costumavam chamar seu país de ‘Kemet‘ (terra negra), uma referência à cor do solo, rico e fértil durante a inundação anual do Nilo (Hapi, como era chamado pelos egípcios), para diferenciá-lo de ‘deshret‘ (terra vermelha), do deserto.  Lá está o berço da Universidade, fato ignorado propositalmente pelo Ocidente. Em geral fala-se da Universidade de Bolonha,Continuar lendo “Kemet e a produção intelectual”