“Os detentores do poder ficam tão ansiosos por estabelecer o mito da sua infalibilidade que se esforçam ao máximo para ignorar a verdade”. (Boris Pasternak)

Em 1997, Ariano Suassuna escreveu a seguinte carta para o amigo Francisco Brennand: “’É preciso cerrar os dentes e compartilhar a sorte do nosso país’, escreveu, um dia, o grande poeta que foi Bóris Pasternak.  Era um tempo em que sua pátria, a Rússia, vivia a opressão violenta, aberta e declarada do Stalinismo. Hoje, oContinuar lendo ““Os detentores do poder ficam tão ansiosos por estabelecer o mito da sua infalibilidade que se esforçam ao máximo para ignorar a verdade”. (Boris Pasternak)”

A estupidez salva

Lembro de épocas em que gostos idênticos nos aproximavam. Hoje, notei, participo mais de grupos cujas características são desgostos comuns: o que nos une é o que desagrada, o que inquieta. O que separa nos une. Muita tensão. Provocações, desvios de foco, fumaça em vários tons para que não se veja o incêndio, diversionismo, estradasContinuar lendo “A estupidez salva”

Petit pois

Um pouco das (prováveis) memórias de Jean Giraudoux, do seu livro “Duas Existências”, com sua fantasia poética: “Junho de 1888. Clotilde Marsaudon decidiu me enfiar pelo nariz um petit pois (ervilha). O que vai me livrar de todas as doenças, impedirá meu cabelo de encrespar-se, e ela me dará um pedaço de chocolate. Ela temContinuar lendo “Petit pois”

Legenda Aurea

Jacobus de Voragine (1230-1298) foi um cronista italiano e arcebispo de Gênova. Ele foi o autor, ou mais precisamente o compilador, da Legenda Aurea, a Lenda de Ouro, uma coleção das vidas lendárias dos santos maiores da igreja medieval, uma das obras religiosas mais populares da Idade Média. Nessas lendas, o mais empolgante e dramáticoContinuar lendo “Legenda Aurea”

“Aquelas meias-tintas tão necessárias aos melhores efeitos da pintura”

O cara, com menos de 19 anos, estreou no jornalismo. Uma das estreias mais precoces de nossa história literária. Em 1858, Machado de Assis escrevia uma série de artigos críticos sob o título “O passado, o presente e o futuro da literatura”! Quando eu tinha 19 anos já me metia a ler Hegel, era maçomContinuar lendo ““Aquelas meias-tintas tão necessárias aos melhores efeitos da pintura””

“Eu sei de uma cura para tudo: água salgada. Suor, lágrimas, ou o mar.”

Karen Blixen era baronesa. Nasceu Karen Christentze Dinesen. Foi uma escritora dinamarquesa, mas escrevia em inglês por fidelidade à língua de seu amante falecido e, de seu amado, Shakespeare. Adotou o pseudônimo “Isak”, aquele que ri. Mulher escritora, vocês sabem, não era uma boa ideia. Sua mãe fora uma defensora do voto feminino, ativa naContinuar lendo ““Eu sei de uma cura para tudo: água salgada. Suor, lágrimas, ou o mar.””

Avareza

Milagres e maravilhas (Folclore Judaico) “Dois discípulos de facções rivais, jactavam-se dos milagres de seus respectivos rabis. – Tome o meu rabi – começou um deles – igual a ele o mundo ainda não viu. É capaz de realizar tais maravilhas que os seus cabelos ficariam em pé, com a simples descrição dos mesmos. OutroContinuar lendo “Avareza”

Vida à venda

“Eu penso em ‘As mil e uma noites‘: falava-se, narrava-se até o amanhecer para afastar a morte, para adiar o prazo deste desenlace que deveria fechar a boca do narrador.” (Michel Foucault) Na 39ª noite, Sherazade conta o trágico desfecho decorrente da paixão entre irmãos. O pai deles encontra o túmulo do casal. No leito,Continuar lendo “Vida à venda”

Nunca fuja de um leão!

Contar histórias é uma tradição que se perde. Pais não têm tempo e os filhos são impacientes, não aprenderam a ouvir. Os árabes eram mestres nesta prática. A educação – em sentido amplo – era prazerosamente transmitida por via oral, através de contos. Todos já ouviram falar no “As Mil e Uma Noites”. Num conto,Continuar lendo “Nunca fuja de um leão!”

“É preciso viver.”

Amandine Aurore Lucile Dupin: George Sand, como se assumiu literariamente. O nome masculino, e os trajes, não eram sinais de homossexualismo. Ao contrário. Era uma força animal, muito feminina; uma criatura poderosa e indômita – após superar traumas da infância e juventude. E, ia aumentando seu poder de atração à medida que envelhecia. Já sessentona,Continuar lendo ““É preciso viver.””