O poeta-operário

ESTRELA (Maiakóvski, 1913) “Escutai! Se as estrelas se acendem será porque alguém precisa delas? Por que alguém as quer lá em cima? Será que alguém por elas clama, por essas cuspidelas de pérolas? Ei-lo aqui, pois, sufocado, ao meio-dia, no coração dos turbilhões de poeira; ei-lo, pois, que corre para o bom Deus, temendo chegarContinuar lendo “O poeta-operário”

O poeta e o vendedor de melancias

(Tradução do árabe por Mamede Mustafa Jarouche) “Disseram ao poeta Al-Mutanabbi: – As notícias sobre a sua avareza se espalharam por todo canto, tornando-se motivo de conversas noturnas entre muitos camaradas. Em suas poesias, porém, você louva a generosidade e seus praticantes, e censura a prática da avareza. Não foi você que disse em umContinuar lendo “O poeta e o vendedor de melancias”

Humanidade

Da antologia “O melhor do mau humor”, de Ruy Castro, selecionei o verbete “Humanidade”. Uma oportunidade para conhecermos essa espécie. “Se pudesse receber de volta a taxa de inscrição, eu pediria demissão da raça humana.” (Fred Allen) “Há momentos em que se tem de escolher entre ser humano e ter bom gosto.” (Bertolt Brecht) “ÉContinuar lendo “Humanidade”

Contos Salva-Vidas

Contos Salva-Vidas (Rivka Galchen) “Dez jovens decidem entrar em quarentena longe de Florença. O ano é 1348, época da peste bubônica. Os infectados desenvolvem protuberâncias na virilha ou nas axilas, seguidas de manchas escuras espalhadas pelo corpo. Dizem que alguns aparentam saúde no café da manhã, mas, lá pela hora do jantar, já estão dividindoContinuar lendo “Contos Salva-Vidas”

Fábulas sobre burros

HISTÓRIA DO BURRO, DO REI E DO JUDEU (Contada por Carlos Heitor Cony) “Deu-se que o rei tinha um burro de estimação -o que não era uma raridade, geralmente os reis costumam estimar muitos burros. Querendo melhorar o lado performático do animal, o rei baixou edital prometendo dar mil moedas de ouro àquele que ensinasseContinuar lendo “Fábulas sobre burros”

Educação por reguadas

“Quando eu nasci, as frases que hão de salvar a humanidade já estavam todas escritas. Só faltava uma coisa: salvar a humanidade.” (José de Almada Negreiros) Curar a infância (trecho), de Valter Hugo Mãe (…) Na mesa da professora, por hábito, ficava apenas a régua preferida, uma menos domingueira, mais normal ou habituada ao trabalho.Continuar lendo “Educação por reguadas”

“Os detentores do poder ficam tão ansiosos por estabelecer o mito da sua infalibilidade que se esforçam ao máximo para ignorar a verdade”. (Boris Pasternak)

Em 1997, Ariano Suassuna escreveu a seguinte carta para o amigo Francisco Brennand: “’É preciso cerrar os dentes e compartilhar a sorte do nosso país’, escreveu, um dia, o grande poeta que foi Bóris Pasternak.  Era um tempo em que sua pátria, a Rússia, vivia a opressão violenta, aberta e declarada do Stalinismo. Hoje, oContinuar lendo ““Os detentores do poder ficam tão ansiosos por estabelecer o mito da sua infalibilidade que se esforçam ao máximo para ignorar a verdade”. (Boris Pasternak)”

A estupidez salva

Lembro de épocas em que gostos idênticos nos aproximavam. Hoje, notei, participo mais de grupos cujas características são desgostos comuns: o que nos une é o que desagrada, o que inquieta. O que separa nos une. Muita tensão. Provocações, desvios de foco, fumaça em vários tons para que não se veja o incêndio, diversionismo, estradasContinuar lendo “A estupidez salva”

Petit pois

Um pouco das (prováveis) memórias de Jean Giraudoux, do seu livro “Duas Existências”, com sua fantasia poética: “Junho de 1888. Clotilde Marsaudon decidiu me enfiar pelo nariz um petit pois (ervilha). O que vai me livrar de todas as doenças, impedirá meu cabelo de encrespar-se, e ela me dará um pedaço de chocolate. Ela temContinuar lendo “Petit pois”