Como fazer o bem?

O regime de servidão foi regra na Rússia czarista de 1649 até 1861. Servidão é um eufemismo para escravidão dos próprios conterrâneos: os camponeses (“mujiques“) eram obrigados a permanecer nas terras onde nasciam, sem direito à sua propriedade, que era dos nobres. Esses camponeses eram, também, propriedades dos aristocratas, que poderiam dispor deles da formaContinuar lendo “Como fazer o bem?”

Os rinocerontes estão à solta

Em 1959, Eugène Ionesco (1909-1994) publicou a peça O Rinoceronte, um marco do Teatro do Absurdo, uma antecipação da realidade que vivemos. A peça trata de uma epidemia de “rinocerontismo” que ataca a cidade: de repente, as pessoas começam a virar rinocerontes. Bérenger, um personagem, se recusa a ceder à onda que acomete a todosContinuar lendo “Os rinocerontes estão à solta”

O coração que treme diante do sofrimento

OS OLHOS DOS POBRES (Charles Baudelaire) “Ah! Você quer saber por que eu a odeio hoje. Será, certamente, menos fácil para você compreender do que para mim, explicar; porque você é, creio, o mais belo exemplo da impermeabilidade feminina que se possa encontrar. Tínhamos passado juntos um longo dia que me parecera curto. Nós nosContinuar lendo “O coração que treme diante do sofrimento”

Só temos que nos aturar e respeitar

Este é o milésimo artigo que publico no site Balaio Caótico! Desde que criei o blog, por estímulo de amigos, em junho de 2020, publiquei uma média de 1,2 textos por dia! Não é normal, reconheço, mas foi uma ótima experiência que vivi, principalmente durante a fase crítica da pandemia. Os incautos que me leem,Continuar lendo “Só temos que nos aturar e respeitar”

A pós-modernidade ainda representa nosso tempo?

A partir dos anos 1840, Charles Baudelaire identificava o que viria a ser reconhecido como Modernismo, ao destacar a atividade de Constantin Guys, como jornalista e ilustrador. Nascia a ideia de que a modernidade seria a reunião do eterno e do transitório, revelando um interesse especial na moda e sua relação com a beleza, comContinuar lendo “A pós-modernidade ainda representa nosso tempo?”

O lobo da estepe

Ontem, 9 de agosto, alguns lembraram da morte de Hermann Hesse, há exatos 60 anos. Seus livros me acompanharam na juventude e me ajudaram a ver o mundo sob outras perspectivas. Ele buscava a sabedoria, não como erudição, mas como o desnudamento da oculta santidade da vida, a sacralidade do existir. Ele fora muito influenciadoContinuar lendo “O lobo da estepe”

“A maior nobreza dos homens é a de erguer sua obra em meio à devastação” (Sabato)

Ernesto Sabato viveu cem anos. Doutor em física, abandonou a ciência aos 30 anos para dedicar-se à literatura. Estava convencido de que “a razão não serve para a existência”. Nos últimos anos via o mundo moderno em tons sombrios, tempos de crises em que um certo racionalismo parece disposto a usurpar o espaço da espiritualidade:Continuar lendo ““A maior nobreza dos homens é a de erguer sua obra em meio à devastação” (Sabato)”

“Acho que o grande mundo dos homens não deve ser como este.” (LI P’O, China, século VIII)

Leonardo Fróes costuma brincar com a vida levada a sério. Para ele, o dramático está perto do patético: “Só as aves entendem/ o que estou olhando ao longe/ sem pensar mas sentindo/ minha insignificância perfeita.” Sua poesia, diz Fabrício Carpinejar, “celebra até a queda; não reclama da fila, encontra algo da fila para pensar”. OLHARContinuar lendo ““Acho que o grande mundo dos homens não deve ser como este.” (LI P’O, China, século VIII)”

O triunfo do fracasso

Em fevereiro de 1949, Arthur Miller, muito tenso, aguardava a estreia de sua peça “A Morte do Caixeiro Viajante” na Broadway. Imaginava: que importância teria para aquela multidão, vivendo no clima de prosperidade do após-guerra, a vida e a morte de um homem tão simples e insignificante como um caixeiro-viajante? Foi um sucesso, inclusive deContinuar lendo “O triunfo do fracasso”

“Nunca é meio-dia na floresta”

Gonçalo M. Tavares é um fenômeno literário. Seu primeiro trabalho foi publicado em 2011; depois, desembestou: como dramaturgo, poeta, romancista, ensaísta contei mais de 40 obras! Coleciona prêmios: 11. Suas poesias tratam da vida, com agudo poder de observação e síntese. AS DUAS VELHAS São duas velhas, lado a lado, no café. Não se olham:Continuar lendo ““Nunca é meio-dia na floresta””