“Uma poça … que viveu alguns segundos”

Tempos nebulosos, sem memória, descompensados, extremados, centrífugos … requerem poesia. Ana Martins Marques é poesia. EM BRANCO Dizem que Cézannequando certa vez pintou um quadrodeixando inacabada parte de uma maçãpintou apenas a parte da maçãque compreendia. É por issomeu amorque eu dedico a vocêeste poemaem branco. HISTÓRIA “Tenho 39 anos. Meus dentes têm cerca deContinuar lendo ““Uma poça … que viveu alguns segundos””

Zadig e as curvas do destino

Um bando de salteadores abordou Zadig e um deles disse: “Tudo o que levas nos pertence, e a tua pessoa pertence ao nosso amo!”. Zadig e seu criado sacaram as espadas e resistiram ao ataque. Arbogad, o líder dos assaltantes, observava e ficou impressionado com a valentia de Zadig. Mandou seus homens pararem e convidouContinuar lendo “Zadig e as curvas do destino”

I-Juca-Pirama

I-Juca-Pirama significa “o que há de ser morto”, em tupi. É um dos poemas de Gonçalves Dias (1823-1864), da sua fase indianista. Narra a história de um índio tupi que, após uma batalha contra os timbiras, é preso e seu destino é a morte, para ser devorado. É exigido que ele faça o seu cantoContinuar lendo “I-Juca-Pirama”

“Sê leal contigo mesmo”

Em Hamlet, Polônio é o primeiro-ministro da Dinamarca e conselheiro do rei; pai da infeliz Ofélia e de Laertes. Como político, é escorregadio, equilibrista e camaleônico, um pioneiro da PNL: fala o que o interlocutor quer ouvir, num esforço de rapport – o empático “profissional”. Há um momento em que Polônio vai chamar Hamlet paraContinuar lendo ““Sê leal contigo mesmo””

“Continuam a viver em nós todos aqueles que se foram embora.” (Pirandello)

“Todos vivemos com a ilusão de que os outros, por fora, nos vejam como nós imaginamos ser por dentro. E não é assim.” (Pirandello) Luigi Pirandello é filho do Caos. Este era o nome (Càvusu, no dialeto local) da pequena aldeia onde nasceu, localizada em Agrigento, na Sicília. Cedo, deu-se conta da farsa que éContinuar lendo ““Continuam a viver em nós todos aqueles que se foram embora.” (Pirandello)”

Kemet e a produção intelectual

Os antigos egípcios costumavam chamar seu país de ‘Kemet‘ (terra negra), uma referência à cor do solo, rico e fértil durante a inundação anual do Nilo (Hapi, como era chamado pelos egípcios), para diferenciá-lo de ‘deshret‘ (terra vermelha), do deserto.  Lá está o berço da Universidade, fato ignorado propositalmente pelo Ocidente. Em geral fala-se da Universidade de Bolonha,Continuar lendo “Kemet e a produção intelectual”

“Os céus nos usam assim como nós usamos as tochas: não as acendemos para que se iluminem a si mesmas.”

“Breve é a vida, longa é a arte”, dizia Hipócrates (460-377 a.C.). A vida é um sopro – divino ou não – e se dissipa; a arte, criada pelo mortal, vence a morte e imortaliza seu criador. Shakespeare morreu em 1616, há 405 anos, aproximadamente 15 gerações atrás, mas sua obra está presente nos nossosContinuar lendo ““Os céus nos usam assim como nós usamos as tochas: não as acendemos para que se iluminem a si mesmas.””

Hipoteca histórica

Islã significa, literalmente, submissão (a Alá). À medida que 2022 se aproxima, quando haverá novas eleições presidenciais na França, mais atual fica o livro de Michel Houellebecq, “Submissão“. O livro trata da vida insossa de François, um professor universitário de literatura, alheio à política (“sentia-me tão politizado quanto uma toalha de rosto”, diz), vida sentimentalContinuar lendo “Hipoteca histórica”

O poeta-operário

ESTRELA (Maiakóvski, 1913) “Escutai! Se as estrelas se acendem será porque alguém precisa delas? Por que alguém as quer lá em cima? Será que alguém por elas clama, por essas cuspidelas de pérolas? Ei-lo aqui, pois, sufocado, ao meio-dia, no coração dos turbilhões de poeira; ei-lo, pois, que corre para o bom Deus, temendo chegarContinuar lendo “O poeta-operário”