Intocáveis

Falei noutro dia sobre os invisíveis; agora, abordo os intocáveis. Temos por aqui os que são intocáveis porque são inalcançáveis, inatingíveis, ninguém pode lhes tocar e, há aqueles que são intocáveis porque ninguém lhes quer tocar, e eles não tocam nosso coração. Os primeiros são os poderosos, principalmente os políticos, os magistrados, altos empresários, herdeiros,Continuar lendo “Intocáveis”

Homofobia

Atendi Brigitte ao balcão. Ele estava há um tempo na calçada esperando que os outros clientes saíssem, no frigorífico onde eu trabalhava. Ele era o retrato da tristeza. Cabisbaixo, não olhava ninguém nos olhos. Ao andar, arrastava uma das pernas, resultado de um espancamento que seu irmão mais velho lhe aplicara, anos antes, quando seContinuar lendo “Homofobia”

O massacre do navio Zong

A comida e a água não eram suficientes para a tripulação e os africanos escravizados. O encarregado da logística não era preparado. Algo precisava ser feito. Adivinhem! Numa reunião, a tripulação concordou por unanimidade: os negros alimentariam os tubarões. Começaram pelos considerados de retorno menos imediato: 54 mulheres e crianças foram jogadas ao mar. DoisContinuar lendo “O massacre do navio Zong”

Insulto não é argumento

O ministro Barroso faz uma análise pertinente e detalhada sobre o movimento de rompimento constitucional em curso – que visa assentar no poder absoluto um incompetente e suspeito de corrupção, que pelo seu combate se elegeu – e derruba cada uma das falsas acusações feitas ao sistema eleitoral. É um texto para estudo, porém ineficaz.Continuar lendo “Insulto não é argumento”

O que falta?

O Brasil convive – pacificamente – com várias crises, que afetam a maioria da população, em maior ou menor grau; a elite não é incomodada. Não é para qualquer país. A quietude do povo se explica, talvez, não por sua suposta índole mansa e ordeira, mas pela preocupação diária com a manutenção de sua subsistência.Continuar lendo “O que falta?”

Os poderosos e os bodes expiatórios

Jean de La Fontaine (1621-1695) escreveu a fábula “Os animais doentes da peste”. Esopo (620-564 a.C.) teria sido o primeiro a contá-la, sendo seguido por muitos outros, inclusive os nossos Justiniano José da Rocha (1812-1863) e Monteiro Lobato (1882-1948). La Fontaine procurou traçar um retrato da aristocracia francesa do antigo regime, ressaltando a crueldade dosContinuar lendo “Os poderosos e os bodes expiatórios”

A cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no Brasil

A cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no Brasil, e 71% das pessoas assassinadas no país são negras. Mas não há racismo neste país, dizem as autoridades! Só azar por nascer com a cor errada. Os liberais acreditam (querem que acreditemos) que isso é fruto da pobreza e, é-se pobre porque não seContinuar lendo “A cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no Brasil”

A política é como espumas

Ao escolher o nome para meu blog pensei nalgo que representasse meu querido país. Escolhi “Balaio Caótico“. Acho que não errei. Há algum tempo, ao acordar me perguntava: “Quem foi preso hoje?” Logo, a pergunta era: “Quem foi solto hoje?” Estou lendo o calhamaço “Ética”, de Fábio Konder Comparato, 716 páginas. Pretendia escrever sobre esseContinuar lendo “A política é como espumas”

A fissura da nossa democracia

“… O sono da vontade de dormir, O sono de ser sono. Mas é mais, mais de dentro, mais de cima: É o sono da soma de todas as desilusões, É o sono da síntese de todas as desesperanças …” (Álvaro de Campos) 2021. Os muros da iniciante democracia foram testados ultimamente; têm resistido, masContinuar lendo “A fissura da nossa democracia”