“Abraçada à pipa/ A menina/ Em sono profundo”

“Do rosto manter Afastadas as moscas Só por enquanto … A noite irrompe e não me resta mais nada a fazer do que – por mais que me pareça desprovido de sentido – umedecer, com a água de uma jarra ao lado do leito de meu pai, os seus lábios. A luz do dia vinteContinuar lendo ““Abraçada à pipa/ A menina/ Em sono profundo””

Felicidade e ressentimento

Para Nietzsche, o ser humano declina. Seu grande medo é que o ressentimento se torne de tal forma contagioso e perigoso que consiga operar uma inversão dos valores. O ressentido exala vingança e impotência. Vivemos à busca da felicidade, mercadoria rara. Inexistente. Não existe a tal ‘felicidade’. Nem um ‘modelo de sucesso’ que a garanta.Continuar lendo “Felicidade e ressentimento”

“Apenas as virtudes que admitem excessos”

As pretensões da pobreza, de Thomas Carew “Miserável pobre diabo, és por demais presumido Ao reivindicares um lugar no céu, na altura, Só porque tua humilde choça, ou tua tina, Acalenta alguma virtude indolente ou farisaica Sob o sol barato ou pelas fontes sombrias Com raízes e hortaliças; onde tua mão direita, Arrancando as paixõesContinuar lendo ““Apenas as virtudes que admitem excessos””

Não coloques teu coração no que é transitório

Gulistan, ou Jardim das Rosas, de Saadi (trecho) “Perguntaram a um sábio: Entre as muitas árvores célebres que o Altíssimo Deus criou altaneiras e umbrosas, nenhuma é chamada ‘azad‘, ou livre, excetuando o cipreste, que não dá frutos. Qual o mistério disso? O sábio replicou: cada uma tem seu fruto adequado e sua estação determinada,Continuar lendo “Não coloques teu coração no que é transitório”

Progresso. Um evangelho?

O progresso tecnocientífico, norteado pela razão e experimentação, e pautado pelo valor da eficiência, provoca diversos efeitos ambivalentes na sociedade e na biosfera advindos da relação de efeito mútuo existente entre as criações humanas – dentre elas a técnica – e a vida social e o meio ambiente. Como fazer o ‘progresso’ incluir a defesaContinuar lendo “Progresso. Um evangelho?”

“O discurso amoroso é hoje de extrema solidão”

Roland Barthes, semiólogo, morreu em 1980. Em 1977 escreveu “Fragmentos de um discurso amoroso”, no qual coleta marcos da experiência amorosa e faz uma análise fria e cínica. Um trecho: “Encontro pela vida milhões de corpos; desses milhões posso desejar centenas; mas dessas centenas, amo apenas um. O outro pelo qual estou apaixonado me designaContinuar lendo ““O discurso amoroso é hoje de extrema solidão””

Somos únicos, porque múltiplos

Oscar Wilde dizia: “A maioria das pessoas são outras pessoas.” Completava: “Seus pensamentos são as opiniões de outras pessoas, suas vidas, uma imitação, suas paixões, uma citação.” Por essas e outras, há um ‘esforço’ generalizado para nos enquadrar em determinadas ‘identidades‘. Essas identidades já foram as nacionalidades ou nossas classes sociais. Ultimamente, tende a nosContinuar lendo “Somos únicos, porque múltiplos”

O criacionismo e a evolução

“… caso o mecanismo do relógio tivesse sido organizado de maneira diferente de como o vemos, com outras formas ajustadas umas às outras, ou numa ordem diversa, não teria sido animado por movimento algum e não teria servido para a finalidade que levou à sua realização. Surge espontaneamente o pensamento de que o relógio tenhaContinuar lendo “O criacionismo e a evolução”

“Se alguém lhe disser que uma certa pessoa fala mal de você, não se justifique sobre o que é dito sobre, mas responda: ‘Ele ignora minhas outras falhas, senão não teria mencionado só essas'” (Epiteto)

Epiteto (ou Epicteto) era um escravo do secretário de Nero. Viveu entre 55 e 135 d.C. Era um estoico. Preocupava-o o que torna uma vida plena e, como ter qualidades morais. Preocupações datadas. Hoje não faria sentido. “Se alguém realiza algum bem embora com trabalho, a labuta passa, mas o bem permanece; se alguém fazContinuar lendo ““Se alguém lhe disser que uma certa pessoa fala mal de você, não se justifique sobre o que é dito sobre, mas responda: ‘Ele ignora minhas outras falhas, senão não teria mencionado só essas’” (Epiteto)”

“O místico é uma pessoa que sente saudades de Deus”

Gershom Scholem (1897-1982) foi um historiador e filósofo judeu-alemão. Era estudioso da mística judaica e da cabala. Para Gershom, as religiões têm, em geral, três grandes estágios: o mítico, o doutrinário e o místico. A fase ‘mítica’ é a que envolve o homem, a natureza e as coisas num todo permeado por divindades. Cada expressãoContinuar lendo ““O místico é uma pessoa que sente saudades de Deus””