Um certo mal-estar

Jurei absoluta fidelidade a mim mesmo, como fizera Nietzsche ao procurar suas próprias ideias, além das dominantes de então. Para ele, não mais o impressionavam “nem as ideias feudais, nem as ideias dos democratas burgueses, nem o socialismo. Ao redor delas não existem mais que uma mescla informe de sentimentos, de estilos, de instituições eContinuar lendo “Um certo mal-estar”

Tudo é esforço neste mundo onde se querem coisas

A inquietação de Fernando Pessoa – um marco na nossa vulgar existência – tinha sempre uma motivação filosófica: a busca do autoconhecimento, as relações entre o Eu e o mundo, os dilemas entre subjetividade e pertencimento, a busca por uma existência com sentido. “MEU CORAÇÃO NÃO APRENDEU NADA” (Álvaro de Campos, 1928) Mestre, meu mestreContinuar lendo “Tudo é esforço neste mundo onde se querem coisas”

Sobre a mediocridade rasteira

“Até neste belo mundo há infelizes. Mas, que é afinal a infelicidade?”, perguntava-se Nietzsche, aos 15 anos. Anotou, também, que “infinita é a procura da verdade”, o que se tornaria sua inquietação por toda a vida, enquanto lúcido. Nessa busca, ele que poderia ter se tornado um pastor luterano, como o pai – trajetória interrompidaContinuar lendo “Sobre a mediocridade rasteira”

“Quem é quem é?”

“Aonde quer que eu vá, descubro que um poeta esteve lá antes de mim.” (Sigmund Freud) Como nos comportaríamos se tivéssemos o manto da invisibilidade, se pudéssemos escolher ser ou não visto? Como se possuíssemos o anel de Giges, conforme a fábula contada por Glauco, irmão mais velho de Platão, na República: “… debruçando-se para oContinuar lendo ““Quem é quem é?””

A luta das mulheres

Por que a humanidade, em vez de entrar em um estado verdadeiramente humano, está se afundando em uma nova espécie de barbárie, perguntavam Theodor Adorno e Max Horkheimer, em 1947! Temos visto, passivamente, o retorno do autoritarismo, revestido de preceitos conservadores, que julgávamos superados. Árduas conquistas do passado são derrubadas simplesmente porque alguns grupos seContinuar lendo “A luta das mulheres”

Formação de subalternos

Somos dependentes de “educadores”; sem estes, estamos condenados à ignorância! Parece indiscutível que carecemos de educação, mas, necessariamente de “explicadores”? A educação depende sempre de um terceiro, um mestre, que nos abrirá os olhos para a realidade e aprendizagem? Sem isso não há progresso intelectual? Paulo Freire, entre nós, defendia a Educação como um atoContinuar lendo “Formação de subalternos”

A coletânea da vida, por Enildo Luiz Gouveia

Quantos de nós já não fomos outros e outras? Lembro-me da disputa filosófica travada entre Heráclito e Parmênides, na Grécia Antiga. Heráclito, defensor do movimento constante, da guerra dos contrários, e Parmênides, defensor da permanência, da imutabilidade do ser. A grande questão era: algum fenômeno ou realidade pode ser a causa de si mesmo? OuContinuar lendo “A coletânea da vida, por Enildo Luiz Gouveia”

“O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo.”

A crônica abaixo, de Rubem Alves é provocadora, polêmica. Ao desacreditar o povo como expressão da vontade da nação – portanto, da democracia – (por ser manipulável), pode alimentar argumentos caros a alguns: alguém tem que falar em seu lugar, um autocrata, talvez. No final ele se redime e diz ter esperança num povo capazContinuar lendo ““O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo.””

O homem merece a liberdade?

O Utilitarismo é irmão siamês do Liberalismo. Jeremy Bentham (1748-1832), pai do Utilitarismo, um defensor das ideias de Adam Smith (1723-1790), argumentava que cada pessoa era o melhor juiz de seus próprios lucros, que não deveria haver empecilhos criados pelos governos, inclusive com relação a se emprestar dinheiro a juros (usura), tema em voga naContinuar lendo “O homem merece a liberdade?”

O bem e o mal, de mãos dadas, na ciência

Nem todas as “invenções” que beneficiaram a humanidade foram desenvolvidas por pessoas que pensavam no “bem” como objetivo. Fritz Haber foi um cientista aclamado por sua descoberta, juntamente com Carl Bosch, do método para síntese do amoníaco, percursor do nitrato dos fertilizantes. Isso foi antes da I Guerra. Receberia o Nobel de Química em 1918.Continuar lendo “O bem e o mal, de mãos dadas, na ciência”