Paulo Freire, patrono

O pernambucano Paulo Freire faria cem anos hoje. Os políticos no poder atualmente acham que seu trabalho é perigoso, como aliás vêem toda educação. E, de fato, a proposta de Freire era transformadora (quase escrevi ‘revolucionária’). Ele é o “patrono da educação brasileira”; recebeu 35 títulos de Doutor Honoris Causa, concedidos por universidades européias eContinuar lendo “Paulo Freire, patrono”

O discurso da meritocracia

Declaração Universal dos Direitos Humanos Artigo 1Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade. Artigo 21. Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinçãoContinuar lendo “O discurso da meritocracia”

O que falta?

O Brasil convive – pacificamente – com várias crises, que afetam a maioria da população, em maior ou menor grau; a elite não é incomodada. Não é para qualquer país. A quietude do povo se explica, talvez, não por sua suposta índole mansa e ordeira, mas pela preocupação diária com a manutenção de sua subsistência.Continuar lendo “O que falta?”

“A instrução é como a liberdade: ela não se dá, conquista-se” (Jacotot)

Joseph Jacotot era um pedagogo extravagante, do início do século XIX. No período pós-revolucionário, era aceito que a instrução seria um instrumento para a redução das desigualdades. O governo ficaria nas mãos da elite instruída, que se empenharia em desenvolver formas de instrução para os homens do povo, repassando os conhecimentos – só os necessáriosContinuar lendo ““A instrução é como a liberdade: ela não se dá, conquista-se” (Jacotot)”

Sucesso e fracasso

Meritocracia! Faz sentido? O conceito até pode ser antigo – aristocratas, por exemplo, tinham o mérito de nascerem nobres – mas esse termo nasceu em 1958, criado pelo sociólogo Michael Young. Young ironizava; imaginava uma Inglaterra em que as pessoas, no futuro, seriam classificadas de acordo com seu mérito. Para ele isso não fazia sentido,Continuar lendo “Sucesso e fracasso”

O inconformismo é transformador

É incrível, mas há empresas que ainda tratam seus trabalhadores como “empregados”. Etimologicamente, em latim (implicare), emprego significava juntar. O “empregado” era “mais um” a se somar num empreendimento. Algo indistinto, normalizado, braços; a ser vigiado e controlado. O que tinha a fazer já estava definido; nada mais era permitido; seria uma violação. Uma usurpaçãoContinuar lendo “O inconformismo é transformador”

Trilhas e padrões

Numa palestra, Richard Feynman advertia: “… devemos olhar para as teorias que não funcionam e para a ciência que não é ciência. (…) É muito perigoso ter tal política de ensino – ensinar aos alunos apenas como obter certos resultados, em vez de como fazer um experimento com integridade científica.” Estereótipos são recursos de classificação.Continuar lendo “Trilhas e padrões”

Tenentismo

Pedro Bruno (1888-1949), ao pintar o quadro “A Pátria” queria representá-la como uma construção da nação. Requereria calma, serenidade, colaboração e persistência. União em torno de um propósito. Mas, depois, se não se tomar cuidado, alguém se apropria. Agora, por exemplo, há um grupo que se julga porta-bandeira, único defensor dos valores pátrios. Não háContinuar lendo “Tenentismo”

A curiosidade como princípio

Quase toda criança é curiosa. Nós, adultos, nos empenhamos em tirar dela essa alegria da descoberta. Procuramos lhe entregar tudo pronto, definido: isso pode, aquilo não! Isso é bom, o outro nem tanto. A escola é o principal agente da uniformização do conhecimento. Age, ainda, impondo limites. Principalmente comportamentais. Educação para vencer – os outrosContinuar lendo “A curiosidade como princípio”

Educação do atraso

Educação não é prioridade por aqui. Neste governo tivemos um ministro que durou três meses, o Breve; depois, um que imaginava que assumira o ministério da Propaganda, e agora um terceiro – acho que chama-se Ribeiro, abaixo. “A crise da Educação no Brasil não é uma crise; é um projeto“, constatava outro Ribeiro, o Darcy.Continuar lendo “Educação do atraso”