Intocáveis

Falei noutro dia sobre os invisíveis; agora, abordo os intocáveis. Temos por aqui os que são intocáveis porque são inalcançáveis, inatingíveis, ninguém pode lhes tocar e, há aqueles que são intocáveis porque ninguém lhes quer tocar, e eles não tocam nosso coração. Os primeiros são os poderosos, principalmente os políticos, os magistrados, altos empresários, herdeiros,Continuar lendo “Intocáveis”

A educação não é tudo; sem ela, porém, não se funda um futuro

A educação não garante, por si, um futuro promissor, equitativo e aspiracional. Entretanto, uma comunidade sem educação condena-se à dependência, escraviza-se aos detentores do saber, internos e externos. “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”, resumia Paulo Freire. Educação, frisemos, não é mera reprodução de um conhecimento padronizado,Continuar lendo “A educação não é tudo; sem ela, porém, não se funda um futuro”

Trazemos a maldade conosco?

O mal está no coração da pessoa? É inato, adquirido ou reativo? O ser humano é um “ser caído”, que carrega o pecado na sua origem? Temos, de fato, o “livre-arbítrio” e, se sim, ele nos chegou como galardão ou como punição? “Se o homem já é como um de nós, versado no bem eContinuar lendo “Trazemos a maldade conosco?”

A arrogância do “saber estabelecido”

Em 1927, Freud ressaltava que o juízo que fazemos sobre a atividade humana é limitado por nossas perspectivas. Isso é devido, principalmente, por nos restringirmos a um ou a alguns campos do saber. E, desse ponto de vista especializado, encontramos “verdades” que queremos aplicar ao variado mundo social. Manifestações complexas não se explicam de formaContinuar lendo “A arrogância do “saber estabelecido””

Solidão, por Márcio Kazuo Teramoto

Cercado por uma multidão. Tempos estranhos, mesmo com uma centena de “amigos” virtuais ou não, a solidão se impõe. Triste sina, acesso as milhares de pessoas e não se consegue tempo para acessar o próprio interior. Talvez essa seja a causa. Esconde-se por trás de avatares e personagens criados para agradar os “amigos”. Esquece daContinuar lendo “Solidão, por Márcio Kazuo Teramoto”

Gurus ou guris?

“Achei que iria chegar aos 55 anos e as empresas iriam querer os gurus – mas elas querem os guris”, disse recentemente Romeo Deon Busarello. É a crença no etarismo. A razão disso é que muitos ficam para trás, soterrados pelas inovações, sentindo-se incapazes de situar-se “neste mundo”, o das novidades transformadoras. “O mundo nãoContinuar lendo “Gurus ou guris?”

Educação, cultura e sociologia

Aleksandr Luria (1902-1977), neurologista russo, via os pensamentos simbólico e narrativo como fundadores do processo de hominização. Oliver Sacks (1933-2015) era um de seus seguidores. Luria foi um dos criadores da psicologia cultural-histórica, que enfatiza o papel mediador da cultura, particularmente da linguagem, no desenvolvimento de funções mentais superiores. Criar narrativas, dizia, significou e significaContinuar lendo “Educação, cultura e sociologia”

Todo aprendizado provém do erro

Como aprender sem tentar e, correr o risco de errar? O sistema educacional em geral não aceita erros, só acertos. Provas, exames, notas … o tormento dos alunos e, traumas dos adultos. Mensagem errada. Reprodução de saberes requer apenas memorização e significa a perpetuação do já estabelecido; o louvor ao estático. O mundo nada temContinuar lendo “Todo aprendizado provém do erro”

Paulo Freire, patrono

O pernambucano Paulo Freire faria cem anos hoje. Os políticos no poder atualmente acham que seu trabalho é perigoso, como aliás vêem toda educação. E, de fato, a proposta de Freire era transformadora (quase escrevi ‘revolucionária’). Ele é o “patrono da educação brasileira”; recebeu 35 títulos de Doutor Honoris Causa, concedidos por universidades européias eContinuar lendo “Paulo Freire, patrono”

O discurso da meritocracia

Declaração Universal dos Direitos Humanos Artigo 1Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade. Artigo 21. Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinçãoContinuar lendo “O discurso da meritocracia”