O menino de pés descalços (de Márcio Kazuo Teramoto)

Seus pés pareciam cascos como falava sua mãe, pele castigada pela recusa de usar calçados.Morando no interior, corria feliz de um lado para o outro.Os arranha-gatos, uma planta cheia de espinhos se dobrava diante dele, um ou outro pequeno arranhão apenas. Manteve seu costume até começar a frequentar a escola, e mesmo assim, após usarContinuar lendo “O menino de pés descalços (de Márcio Kazuo Teramoto)”

‘Cozinhar não é serviço… Cozinhar é um modo de amar os outros’ – Mia Couto

A avó, a cidade e o semáforo Quando ouviu dizer que eu ia à cidade, Vovó Ndzima emitiu as maiores suspeitas: – E vai ficar em casa de quem? – Fico no hotel, avó. – Hotel? Mas é casa de quem? Explicar, como? Ainda assim, ensaiei: de ninguém, ora. A velha fermentou nova desconfiança: umaContinuar lendo “‘Cozinhar não é serviço… Cozinhar é um modo de amar os outros’ – Mia Couto”

Tristeza

(Dedicado para aquele que não vai chegar) (por Márcio Kazuo Teramoto) Dor maldita que não sai da alma. Punhal que teima em ferir o coração. Me leve, me carregue para longe desta dor. Como me curar se vivo ainda a doença? Nada mais é colorido, nada mais é música. Tudo é escuro, sem som, sóContinuar lendo “Tristeza”

Corta-jaca

“Neste mundo de misériasQuem imperaÉ quem é mais folgazãoÉ quem sabe cortar jacaNos requebrosDe suprema, perfeição, perfeição (…)” (Corta-jaca, de Chiquinha Gonzaga) O “maxixe” de Chiquinha Gonzaga intitulado “Gaúcho”, conhecido como “Corta-jaca”, foi executado por Nair de Teffé, ao violão, em fina “soirée” no Palácio do Governo, a que compareceram representantes do corpo diplomático eContinuar lendo “Corta-jaca”

Relato de Franz Liszt de sua visita a Beethoven

“Tinha eu cerca de onze anos quando meu respeitável mestre, Czerny, me levou para ver Beethoven. Já havia muito tempo o meu professor tinha falado a Beethoven de mim, pedindo-lhe que me desse audiência algum dia. Todavia, Beethoven tinha tal aversão a crianças-prodígio que persistentemente se recusou a me ver. Finalmente Czerny, incansável, persuadiu-o, deContinuar lendo “Relato de Franz Liszt de sua visita a Beethoven”

A fogueira está queimando

Por José Ambrósio* Os festejos juninos têm a magia de sempre me reconduzir à já distante infância em pequenas cidades interioranas como Vitória de Santo Antão (Sítio Poço do Boi, hoje Pombos), Amaraji e Moreno (Tapera, hoje Bonança). Década de 60. Fogueiras, fogos, balões, milho assado, pamonha, canjica bolos e muitas brincadeiras. E era duranteContinuar lendo “A fogueira está queimando”