Avareza

Milagres e maravilhas (Folclore Judaico) “Dois discípulos de facções rivais, jactavam-se dos milagres de seus respectivos rabis. – Tome o meu rabi – começou um deles – igual a ele o mundo ainda não viu. É capaz de realizar tais maravilhas que os seus cabelos ficariam em pé, com a simples descrição dos mesmos. OutroContinuar lendo “Avareza”

Vida à venda

“Eu penso em ‘As mil e uma noites‘: falava-se, narrava-se até o amanhecer para afastar a morte, para adiar o prazo deste desenlace que deveria fechar a boca do narrador.” (Michel Foucault) Na 39ª noite, Sherazade conta o trágico desfecho decorrente da paixão entre irmãos. O pai deles encontra o túmulo do casal. No leito,Continuar lendo “Vida à venda”

Nunca fuja de um leão!

Contar histórias é uma tradição que se perde. Pais não têm tempo e os filhos são impacientes, não aprenderam a ouvir. Os árabes eram mestres nesta prática. A educação – em sentido amplo – era prazerosamente transmitida por via oral, através de contos. Todos já ouviram falar no “As Mil e Uma Noites”. Num conto,Continuar lendo “Nunca fuja de um leão!”

“Só acredito nas pessoas que ainda se ruborizam”

Nelson Rodrigues era um gênio, exclama Ronaldo Bôscoli (1928-1994) em suas memórias (“Eles e Eu”). Bôscoli era um típico playboy da zona sul carioca. Com o empobrecimento da família, precisou trabalhar. O que lhe pareceu palatável foi jornalismo esportivo: algum prazer no fazer. No Última Hora, conheceu Nelson Rodrigues. Um dia, Nelson se aproximou e,Continuar lendo ““Só acredito nas pessoas que ainda se ruborizam””

A arte de ser esposa, dona de casa e dama perfeita

Le Ménagier de Paris é um manual com conselhos dados a uma dona de casa francesa medieval, com receitas culinárias jardinagem e convivência conjugal. Escrito em 1393 por um cavalheiro para educar sua esposa, foi publicado pela primeira vez pelo barão Jérôme Pichon em 1846. Um bondoso marido teria se sensibilizado com a inexperiência deContinuar lendo “A arte de ser esposa, dona de casa e dama perfeita”

Do inconsciente consciente (Mário Quintana)

“O meu inconsciente é mais observador que o meu consciente. Eu, por exemplo, se falo a primeira vez com fulano, não saberei lembrar depois (ou desenhar, o que dá no mesmo) o formato do seu nariz, a disposição das suas sobrancelhas, o jeito da boca, nem mesmo se tinha bigode ou não. Mas basta encontrá-loContinuar lendo “Do inconsciente consciente (Mário Quintana)”

Vacinas. A opinião de Machado de Assis

Crônica, 9 de dezembro de 1894 “Tudo tende à vacina. Depois da varíola, a raiva; depois da raiva, a difteria; não tarda a vez do cólera-morbo. O bacilo-vírgula, que nos está dando que fazer, passará em breve do terrível mal que é, a uma simples cultura científica, logo de amadores, até roçar pela banalidade. (…)Continuar lendo “Vacinas. A opinião de Machado de Assis”

“Eu pedi, pedi, para a senhora me botar no mundo?”

O pernambucano Nelson Rodrigues morreu há 40 anos. Sua família mudou-se para o Rio quando tinha 4 anos de idade, por motivos políticos. Era odiado pela esquerda porque apoiava a ditadura militar; assumia-se como reacionário. Isso mudou quando seu filho, Nelsinho, foi preso e torturado, apesar de sua ‘amizade’ com os militares. Devia desconfiar, aContinuar lendo ““Eu pedi, pedi, para a senhora me botar no mundo?””

O ipê amarelo (texto de José Ortiz Monteiro)

“Há um ipê na frente de minha casa. Um ipê amarelo, plantado com minha mão. Nobre árvore, consagrada como símbolo da Pátria. Cada ano, no rigor de um rito, num relance de dias, ele floresce e se apaga, recamando o chão de flores de ouro. (…) Ontem, um homem estava sentado junto da árvore. EraContinuar lendo “O ipê amarelo (texto de José Ortiz Monteiro)”

Nossas amazonas

1541. Francisco Pizarro era o governador do Peru e seu irmão, Gonzalo Pizarro era obcecado com as histórias de El Dorado. Gonzalo resolveu fazer uma expedição para encontrá-lo. Ele ficou vagando por meses nos contrafortes orientais dos Andes, já entre densas florestas. Sem mantimentos, seu primo Francisco de Orellana, o segundo no comando, propôs dividirContinuar lendo “Nossas amazonas”