Vacinas. A opinião de Machado de Assis

Crônica, 9 de dezembro de 1894 “Tudo tende à vacina. Depois da varíola, a raiva; depois da raiva, a difteria; não tarda a vez do cólera-morbo. O bacilo-vírgula, que nos está dando que fazer, passará em breve do terrível mal que é, a uma simples cultura científica, logo de amadores, até roçar pela banalidade. (…)Continuar lendo “Vacinas. A opinião de Machado de Assis”

“Eu pedi, pedi, para a senhora me botar no mundo?”

O pernambucano Nelson Rodrigues morreu há 40 anos. Sua família mudou-se para o Rio quando tinha 4 anos de idade, por motivos políticos. Era odiado pela esquerda porque apoiava a ditadura militar; assumia-se como reacionário. Isso mudou quando seu filho, Nelsinho, foi preso e torturado, apesar de sua ‘amizade’ com os militares. Devia desconfiar, aContinuar lendo ““Eu pedi, pedi, para a senhora me botar no mundo?””

O ipê amarelo (texto de José Ortiz Monteiro)

“Há um ipê na frente de minha casa. Um ipê amarelo, plantado com minha mão. Nobre árvore, consagrada como símbolo da Pátria. Cada ano, no rigor de um rito, num relance de dias, ele floresce e se apaga, recamando o chão de flores de ouro. (…) Ontem, um homem estava sentado junto da árvore. EraContinuar lendo “O ipê amarelo (texto de José Ortiz Monteiro)”

Nossas amazonas

1541. Francisco Pizarro era o governador do Peru e seu irmão, Gonzalo Pizarro era obcecado com as histórias de El Dorado. Gonzalo resolveu fazer uma expedição para encontrá-lo. Ele ficou vagando por meses nos contrafortes orientais dos Andes, já entre densas florestas. Sem mantimentos, seu primo Francisco de Orellana, o segundo no comando, propôs dividirContinuar lendo “Nossas amazonas”

“Para fazer um céu basta uma estrela…” (Álvaro Moreyra)

“Os cabelos muito brancos. Magra. Feia. Triste. Sempre com lágrimas nos olhos. Sempre com estas palavras na boca: – Deus te ajude. Para os pequenos: Sia Isabel. Para os grandes: Bebê Chorona. Bebê Chorona, que sabia contar histórias, me ensinou, um dia, a origem da chuva. Aprendi que São Pedro manda os anjos, de tempoContinuar lendo ““Para fazer um céu basta uma estrela…” (Álvaro Moreyra)”

“Só eu sei que o sol nasce nos ladrilhos da cozinha”

“Tinha quatro anos quando fiquei densa, pesada de uma estranha sabedoria. Morávamos na Rua Maranhão, em São Paulo. Certa madrugada, a casa ainda escura, desci as escadas. Deslizei pelas salas, abri a porta da cozinha suspendendo-me nas pontas dos pés. E aí tive a grande revelação: o sol nascia nos ladrilhos brancos. O sol estavaContinuar lendo ““Só eu sei que o sol nasce nos ladrilhos da cozinha””

Sobre a verdade

“Quando alguém está honestamente 55% do tempo certo, isso é muito bom e não faz sentido discordar. Se alguém está 60% certo, isso é maravilhoso, sinal de boa sorte e essa pessoa deve agradecer a Deus. Mas o que deve ser inferido sobre estar 75% certo? Os sábios diriam que é algo suspeito. Bem, queContinuar lendo “Sobre a verdade”

Tão sagrada parece a pobreza dormindo.

Joseph Roth foi enviado por um jornal alemão à Rússia, para relatar a transformação comunista, em 1926, nove anos após a revolução. Ele, como tantos intelectuais, era simpatizante da mudança social que o leninismo conduzira na grande Rússia. Lenin havia morrido em 1924; em 1921 implantou a NEP, a Nova Política Econômica, um afago aoContinuar lendo “Tão sagrada parece a pobreza dormindo.”

“Como há gente curiosa neste mundo!”

Xavier de Maistre nasceu em 1763, no então reino da Sardenha. Em 1794, após participar de um duelo com um oficial, foi punido com um confinamento disciplinar de 42 dias em seu quarto em Turim. Sem tornozeleiras. Escreveu seu livro mais famoso, ‘Viagem ao redor do meu quarto’. Exilou-se na Rússia e participou de campanhasContinuar lendo ““Como há gente curiosa neste mundo!””

O prazer do ódio

O ódio move, talvez tanto quanto a paixão. Como a paixão, sua materialização não sacia. Dia desses, li sobre uma mulher que largou sua vida e dedicou-se unicamente a buscar vingança, num relato de Drauzio Varella. Sua irmã de 15 anos foi estuprada e esfaqueada na região genital. A revolta a fez largar o emprego,Continuar lendo “O prazer do ódio”