Reverência pela vida

Sempre admirei Rubem Alves. No seu conto A Máquina do Tempo, diz que “O tempo é isto: o poder que faz com que coisas que existem deixem de existir para que outras, que não existiam, venham a existir. Se o tempo não tivesse passado eu continuaria a ser menino e vocês (referindo-se às netas) nãoContinuar lendo “Reverência pela vida”

Simetria burra

A vaidade tem várias expressões. A estética pessoal normalmente é uma preocupação daqueles voltados à beleza formal ou exterior, aparente. Ela está associada à arte, mas nem sempre. Vemos muitos apegados a aspectos estéticos apenas para capturarem admiração e ‘aprovação’ dos outros, ao invés de um genuíno prazer artístico. Fernando Sabino, no livro “A MulherContinuar lendo “Simetria burra”

Escolha uma cor (Etgar Keret)

Etgar Keret é um autor israelense, cujos contos nos deixam fora de lugar. O trivial é mesclado com disparates e fantasias, supostamente improváveis (inesperadas, indesejadas). Ele orgulha-se de ser o autor cuja obra é a mais furtada nas bibliotecas públicas de Israel. Prefere ser reconhecido como judeu do que como israelense: os judeus se construíramContinuar lendo “Escolha uma cor (Etgar Keret)”

Pai contra mãe

Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro, filho de um mulato e uma lavadeira portuguesa. Não gostava, porém, de abordar questões escravagistas. Em 1906, 18 anos após o fim da escravidão, entretanto, publica o conto “Pai Contra Mãe”, no livro “Relíquias da Casa Velha”. Neste conto a escravidão é o ambiente usado para destacarContinuar lendo “Pai contra mãe”

Os poderosos e os bodes expiatórios

Jean de La Fontaine (1621-1695) escreveu a fábula “Os animais doentes da peste”. Esopo (620-564 a.C.) teria sido o primeiro a contá-la, sendo seguido por muitos outros, inclusive os nossos Justiniano José da Rocha (1812-1863) e Monteiro Lobato (1882-1948). La Fontaine procurou traçar um retrato da aristocracia francesa do antigo regime, ressaltando a crueldade dosContinuar lendo “Os poderosos e os bodes expiatórios”

Diferenças na unidade

“Mais velho, fui morar um ano em Israel e tive contato com diversas formas de vida judaica. Para alguém que nasceu e cresceu na diáspora, era divertido e interessante perceber a tamanha variedade de ‘judaísmos’. As diferenças apenas me confirmavam que a definição verdadeira do que é ‘ser judeu’ só poderia ser alcançada através daContinuar lendo “Diferenças na unidade”

Outro conto sobre asnos

UM ASNO SINGULAR (contada por Hâytham bin ‘Uday) “Eu estava no depósito de lixo da cidade de Kufa quando um cego parou diante de um vendedor de montarias e lhe disse: – Venda-me um asno que não seja tão pequeno que se despreze, nem tão grande que se destaque; se o caminho estiver livre, queContinuar lendo “Outro conto sobre asnos”

O poeta e o vendedor de melancias

(Tradução do árabe por Mamede Mustafa Jarouche) “Disseram ao poeta Al-Mutanabbi: – As notícias sobre a sua avareza se espalharam por todo canto, tornando-se motivo de conversas noturnas entre muitos camaradas. Em suas poesias, porém, você louva a generosidade e seus praticantes, e censura a prática da avareza. Não foi você que disse em umContinuar lendo “O poeta e o vendedor de melancias”