Invisíveis

A vertiginosa velocidade das mudanças em curso, em todos os meios humanos, tem tornado, a muitos de nós, desassociados com o ambiente ao redor e, até consigo mesmos. Há um deslocamento, um distanciamento crescente, entre nossas aspirações, desejos, sonhos e a nossa realidade. Mesmo quando parte desses desejos é atingido, a insatisfação (a infelicidade) éContinuar lendo “Invisíveis”

O mito de um mundo melhor

A linguagem é mutante. Palavras podem perder seu significado original, etimológico, e ser postitzada, num deturpado processo de Scrum social. Assim ocorre com a palavra Mito. Virou até reverência política, ao vazio, ao nada, à negação, ao retrocesso, ao ódio, à deterioração. O social é o paroxismo da Complexidade, penso. Imaginem: bilhões de seres, cadaContinuar lendo “O mito de um mundo melhor”

A vida, por um biólogo

Cada uma das espécies biológicas é produto de infindas bifurcações na árvore genealógica dos seres, que remonta a um tronco familiar comum. A ideia da “árvore da vida” surgiu a partir de rabiscos deixados por Darwin. Do alto de nosso progresso autodestrutivo, esquecemos que os verdadeiros protagonistas da evolução são micro-organismos, em especial bactérias eContinuar lendo “A vida, por um biólogo”

Não há garantias

A “digitalização”, usemos este termo, se imiscui em tudo, convidada ou não. Ela, através de suas manifestações (AI, robótica, automação em geral, conectividades via redes sociais, VR, AR, XR, IoT etc.) dominará nossos ambientes no trabalho, na sociedade, no governo – na vida. Além de sua influência direta, ela permite a alavancagem de tecnologias nasContinuar lendo “Não há garantias”

A educação não é tudo; sem ela, porém, não se funda um futuro

A educação não garante, por si, um futuro promissor, equitativo e aspiracional. Entretanto, uma comunidade sem educação condena-se à dependência, escraviza-se aos detentores do saber, internos e externos. “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”, resumia Paulo Freire. Educação, frisemos, não é mera reprodução de um conhecimento padronizado,Continuar lendo “A educação não é tudo; sem ela, porém, não se funda um futuro”

Solo

“Hoje sorriem-me a terra e os céus;sinto no fundo da minha alma o sol;eu hoje vi-a…, vi-a e ela olhou-me…Creio hoje em Deus!” (Gustavo Adolfo Bécquer, 1836-1870) Há um lema repetido por Ana Primavesi: “Solo sadio, planta sadia, ser humano sadio”. Sua preocupação era manter a “terra viva”, para que ela possa gerar mais vida:Continuar lendo “Solo”

Eterna Primavesi

Ana Primavesi era agrônoma. Batalhou pela inclusão do aspecto biológico, em especial do solo, com visão holística, sistêmica. Tinha uma visão ecológica ou agroecológica de manejo, sendo a responsável pelo avanço nesses estudos. Foi uma das pioneiras na preservação do solo e recuperação de áreas degradadas, abordando o manejo do solo de maneira integrada comContinuar lendo “Eterna Primavesi”

Plantas, seu domínio

“Mesmo quando minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar, o meu coração fecha os olhos e sinceramente chora.” (Chico Buarque e Ruy Guerra) Celestino era um capitão de navio negreiro, experimentado em viagens entre o continente africano e o Brasil. Matar negros era um ofício. De uma vez, com sacos de cal despejados noContinuar lendo “Plantas, seu domínio”

A teia da natureza

Dersu Uzala era um caçador indígena que vivia nos confins da Sibéria. Dersu conhecia, compreendia e amava todas as formas e manifestações da vida. Ele falava aos animais, à floresta, às nuvens e ao sol, ao fogo e à noite. Sua existência nos foi trazida pelo livro do explorador russo Vladimir Arseniev, que o conheceuContinuar lendo “A teia da natureza”

O tempo

No início, era o caos. Já ouvimos isso. Embora pareça que estamos sempre no início, uma vez que o caos se alastra. Até o caos tem leis, apesar de se supor “imprevisível”. As leis da natureza eram assumidamente deterministas e reversíveis no tempo. Com a introdução do caos, a noção de lei da natureza passouContinuar lendo “O tempo”