A gangrena do hospital

Na Idade Média, os “médicos”, ao lidarem com a peste tinham seus cuidados. Usavam uma máscara com bico que possuía em seu interior uma composição de perfumes e ervas que o ajudavam a lidar com os miasmas – os ares infectos. Além disso, um casacão, para protegê-los de contaminantes, botas, luvas, uma vara e umaContinuar lendo “A gangrena do hospital”

Legibilidade

James C. Scott, em seu livro Seeing like a State, apresenta o conceito de “Legibilidade“: “Centenas de anos atrás, as florestas serviam para muitas coisas – eram locais onde as pessoas colhiam madeira, mas também onde os habitantes locais procuravam alimentos e caçavam, bem como um ecossistema para animais e plantas. De acordo com aContinuar lendo “Legibilidade”

O acaso ocorre por acaso?

Incerteza, sorte, acaso, coincidência. A incerteza, se bem trabalhada, leva ao risco. A sorte, se não desperdiçada – se estivermos preparados – consagra. O acaso atua na sombra da realidade; é a diversão da Vida. A coincidência é o encontro fortuito de acasos. Esqueçam o que leram. Por trás dessas incógnitas está a prestidigitadora probabilidade,Continuar lendo “O acaso ocorre por acaso?”

Despedida de Maturana

Escrevi ontem um post sobre o trabalho de Humberto Maturana: (https://wordpress.com/post/balaiocaotico.com/9799). Hoje, ele morreu, aos 92 anos. Não há causalidade nisso, por favor!; talvez sincronicidade, uma coincidência significativa, diria Jung. “Seres vivos são sistemas autopoiéticos moleculares, ou seja, sistemas moleculares que nós mesmos produzimos, e a realização dessa produção de nós mesmos como sistemas molecularesContinuar lendo “Despedida de Maturana”

Carregamos, individualmente, uma história de milhões de anos

A biologia “tradicional”, numa abordagem reducionista, considera a vida como uma reação baseada tão somente nos ácidos nucleicos, em resumo. Mas, começa a se destacar a biologia sistêmica, na qual o comportamento do inteiro e complexo sistema biológico é visto como mais importante – ou tão quanto – o evento molecular isolado. Isso nos remeteContinuar lendo “Carregamos, individualmente, uma história de milhões de anos”

A decisão de assumir riscos

“Israel desenvolveu uma criatividade proporcional não ao tamanho físico do país, mas aos perigos que ele enfrenta”, disse Shimon Peres, presidente entre 2007 e 2014. Um país do tamanho do nosso menor estado, com solo estéril, pouca água e cercado de hostilidades. O único recurso “natural” é sua população. Um povo que tem uma históriaContinuar lendo “A decisão de assumir riscos”

O fogo sagrado

Morreu nesta quarta-feira, 28 de abril, o “astronauta esquecido”, Michael Collins. Esquecido porque, enquanto seus colegas Neil Armstrong e Buzz Aldrin davam um giro na Lua, ele precisou ficar na garagem. Por mais de 21 horas, pilotou sozinho o módulo lunar. Perdia contato com Houston sempre que a espaçonave circundava o lado escuro da lua.Continuar lendo “O fogo sagrado”

Ciência e imaginação

A ciência precisa de imaginação. Faz sentido. Einstein, através de experimentos imaginados, associava a intuição à apreensão inteligível de um sistema de conceitos que escapam aos dados imediatos dos sentidos. Intuição intelectualizada, através de experimentos mentais que propiciariam a compreensão do incompreensível. Um “ato intuitivo” a serviço da inteligência. Ele sonhava com uma única teoriaContinuar lendo “Ciência e imaginação”

Povos primitivos?

Em 1960, Claude Lévi-Strauss foi entrevistado por Georges Charbonnier. Selecionei um trecho de suas respostas quando questionado sobre “povos primitivos”. Ele faz uma analogia: considera os “primitivos” como uma máquina mecânica e, as sociedades “modernas” como termodinâmicas, movidas a vapor. “… As primeiras (primitivas) são as que utilizam a energia que lhes foi fornecida inicialmenteContinuar lendo “Povos primitivos?”

Somos colônias

Somos apenas 10% humano. Para cada célula de nosso corpo existem nove células não humanas que nos colonizam: bactérias, fungos, vírus e arqueias. Somos mais “eles” do que “nós”: só no intestino abrigamos cerca de 100 trilhões deles! 50 milhões deles só na ponta de um dedo, por exemplo. Cerca de 4 mil espécies diferentesContinuar lendo “Somos colônias”