O bispo e o celibato

Em julho de 1957, o padre Hosana Siqueira e Silva matou, com três tiros, o bispo de Garanhuns, dom Francisco Expedito Lopes. O padre havia sido excomungado naquele dia, acusado de quebra do voto de castidade. Os boatos da época davam conta que o pároco mantinha um romance com uma prima. A jovem morava comContinuar lendo “O bispo e o celibato”

“Libertados e educados”

Em janeiro de 1945, Czeslaw Milosz foi guiado por uma jovem que portava uma submetralhadora. Estava liberado do domínio da Alemanha. Passava ao domínio da Rússia. Ele seria, então, um dos milhões de europeus a ser “libertados e educados”. Mudar de tirano era dito como ‘libertação’. Doutrinação política era ‘educação’. As palavras vão à frente,Continuar lendo ““Libertados e educados””

A voz da Rússia

Anna Akhmátova (1889-1966): sua obra é a mais importante manifestação literária de uma mulher russa no século XX, sobrevivente do stalinismo. Nasceu Anna Goriênko, mas adotou o nome da bisavó materna, de origem tártara, Akhmátova. Busco no livro maravilhoso do fantástico Lauro Machado Coelho – ainda o reconhecerão! – alguns poemas de Anna. “De manhã,Continuar lendo “A voz da Rússia”

Verissimo e o social

Erico Verissimo foi, nos anos 50, diretor do Departamento de Assuntos Culturais da OEA. Seus discursos mostram da sua independência e insubmissão a correntes políticas. Criticava os que rotulavam como comunistas qualquer um que defendesse igualdade social. Segundo ele, “não só atrás da Cortina de Ferro, mas nos países democráticos, intelectuais são encarados com desconfiançaContinuar lendo “Verissimo e o social”

Nada, basta!

O dadaísmo surgiu em 1916. Artistas descrentes de uma sociedade responsável pelos desastres da Primeira Guerra Mundial decidiram romper com os valores e princípios estabelecidos, inclusive os artísticos. A palavra ‘dadá‘ significava apenas a própria falta de significado. Nihilistas, irracionais e, às vezes, subversivos, os dadaístas romperam com as formas e o conceito da arte.Continuar lendo “Nada, basta!”

Feminista, revolucionária, anti-escravagista, heroína e, crente na justiça humana

Marie Gouze nasceu em 1748 e foi decapitada em 1793, aos 45 anos. Era filha de um amor proibido entre Anne-Olympe, uma lavadeira, e um marquês. Aos 18 anos já era mãe e viúva. Casara-se, forçada, com um sujeito muito mais velho e abusivo, que a obrigava a manter relações sexuais. Após sua morte nuncaContinuar lendo “Feminista, revolucionária, anti-escravagista, heroína e, crente na justiça humana”

O tempo adiado (poema de Ingeborg Bachmann)

“Vêm aí dias piores. O tempo adiado até nova ordem surge no horizonte. Em breve deves amarrar os sapatos e espantar os cães para os charcos. Pois as vísceras dos peixes esfriaram no vento. A luz da anileira arde pobremente. Teu olhar pressente a penumbra: o tempo adiado até nova ordem desponta no horizonte. DoContinuar lendo “O tempo adiado (poema de Ingeborg Bachmann)”

“Como há gente curiosa neste mundo!”

Xavier de Maistre nasceu em 1763, no então reino da Sardenha. Em 1794, após participar de um duelo com um oficial, foi punido com um confinamento disciplinar de 42 dias em seu quarto em Turim. Sem tornozeleiras. Escreveu seu livro mais famoso, ‘Viagem ao redor do meu quarto’. Exilou-se na Rússia e participou de campanhasContinuar lendo ““Como há gente curiosa neste mundo!””

O prazer do ódio

O ódio move, talvez tanto quanto a paixão. Como a paixão, sua materialização não sacia. Dia desses, li sobre uma mulher que largou sua vida e dedicou-se unicamente a buscar vingança, num relato de Drauzio Varella. Sua irmã de 15 anos foi estuprada e esfaqueada na região genital. A revolta a fez largar o emprego,Continuar lendo “O prazer do ódio”

A educação caseira

Olimpia, ou Olimpíade, causou tanto furor quanto seu marido (Filipe II) e seu filho (o Grande Alexandre) no século IV a.C. Adotou vários nomes: Políxena (“a hospitaleira”), vinculava-a à mítica princesa de Tróia, filha de Príamo e da qual Aquiles se enamorou. Mírtale, ao casar-se com Filipe ou ao iniciar-se nos mistérios de Samotrácia, umaContinuar lendo “A educação caseira”