O estado de ilusória vigília no qual vivemos

Rabindranath Tagore, nascido num 7 de maio, foi poeta, educador, escreveu cantos, óperas-balés, romances, peças de teatro, novelas, ensaios e, depois dos 60 anos se pôs a pintar. Foi o primeiro não-europeu a ganhar o Nobel de Literatura. Chegou a fundar uma escola, que chamou de a “morada da paz”. Seu sistema educacional não eraContinuar lendo “O estado de ilusória vigília no qual vivemos”

A militante do Ideal

“O que você está falando, menina? Estou falando que. Que o quê? Que. Vamos dizer que a menina, minha amiga, pretenderia o quê? Que.” (Poema de Pagu, pouco antes de sua morte) Patrícia Rehder Galvão, Pagu, foi um dos raros exemplos de mulher plena, que não se deixava aprisionar por grilhões mentais, além das onipresentesContinuar lendo “A militante do Ideal”

Mulheres, negras, pobres: loucas

Ninguém fala delas. Se não existiram enquanto viviam, como fazê-las presentes? Maio é o mês da Luta Antimanicomial; hoje, 6 de maio, é aniversário de Freud; dia 13 comemora-se a Abolição da Escravidão: tudo se relaciona com a sofrida experiência terrena de Stella do Patrocínio e de Aurora Cursino dos Santos. Hospício foi o destinoContinuar lendo “Mulheres, negras, pobres: loucas”

Limiares

O irlandês John O’Donohue era poeta e padre. Formou-se em Inglês, Filosofia e Teologia. Na Alemanha fez doutorado em Teologia Filosófica, dissertando sobre Hegel e, pós-doutorado sobre a mística de Mestre Eckhart, um expoente do neoplatonismo, como Plotino. Morreu dormindo, dois dias após seu aniversário de 52 anos. “A qualquer momento você pode se perguntar:Continuar lendo “Limiares”

“… achei um par de sapatos no lixo, lavei e remendei para ela calçar.”

Viver é, desde o nascimento, um processo adaptativo. Uns entendem e aceitam isso; a maioria, entretanto, não se apercebe que está por sua conta e reclama (do destino, dos outros … da própria vida). O conformismo, a resignação, o vitimismo, a fuga, a autocomplacência e outros posicionamentos negativos diante do desafio da vida, simplesmente nãoContinuar lendo ““… achei um par de sapatos no lixo, lavei e remendei para ela calçar.””

Lohengrin

Falei, outro dia, sobre Sêmele, a mãe de Dioniso (https://balaiocaotico.com/2022/03/31/o-que-o-mito-de-dioniso-nos-diz-hoje/). Vimos que a curiosidade de Sêmele em saber se seu amante era realmente Zeus, terminou por fulminá-la. Falaremos, agora, sobre o mito de Lohengrin, que virou uma das mais lindas óperas de Wagner, peça que chegou perto do ideal wagneriano de “obra de arte total”.Continuar lendo “Lohengrin”

Mil cairão ao teu lado (texto de Jénerson Alves)

“Não temerás o terror da noite/ nem a flecha que voa de dia,/ nem a peste que caminha na treva,/ nem a epidemia que devasta ao meio-dia. Caiam mil ao teu lado/ e dez mil à tua direita,/ a ti nada atingirá.” (Salmos 91 5-7) O que será de um pacifista convocado para a guerra?Continuar lendo “Mil cairão ao teu lado (texto de Jénerson Alves)”

“Os deuses, quando amam, prendem o frêmito do cosmos”

Volto a mostrar mais um pouco da poesia de Khliébnikov. Abaixo há um link para uma publicação anterior. Após uma permanência no Irã, Khliébnikov regressou a Moscou, em 1921. A atmosfera da Nova Política Económica, de Lenin, que encontrou, com a sua essência mercantil, parecia profundamente alheia à sua natureza . Este não era oContinuar lendo ““Os deuses, quando amam, prendem o frêmito do cosmos””

Nossa visão parcial do todo

Schopenhauer já foi considerado o “mais racional dos filósofos do Irracional”, por Thomas Mann. Na sua época, a razão passava a conduzir os homens. O homem se descobria criador. A verdade se confundia com realização. O futuro passava a representar acumulações. Surgia a religião secular do Progresso e do Desenvolvimento, que hoje nos encurrala. ParaContinuar lendo “Nossa visão parcial do todo”

A obsessão pelo homogêneo, a “pureza”

Falei, noutro texto (https://balaiocaotico.com/2022/03/24/iliberalismo/), sobre o papel de Carl Schmitt na “fundação” teórica do Estado que depois reconheceríamos como nazista. Ele acreditava num “Estado total, aquele para o qual tudo é político, pelo menos potencialmente. (…) os pontos extremos da grande política são aqueles momentos nos quais o inimigo é percebido com uma clareza concretaContinuar lendo “A obsessão pelo homogêneo, a “pureza””