A Quarta Teoria Política

A Rússia voltou à cena geopolítica, pretendendo ser protagonista. Após ser menosprezada nos anos 1990, quando do fim da URSS, tem se preparado para recuperar sua autoestima, aliás, sua ideia de grandeza. Há alguns mentores dessa ressignificação russa no tabuleiro político. Um deles é o economista Sergey Glazyev, membro da Academia Russa de Ciências, ex-assessorContinuar lendo “A Quarta Teoria Política”

Entre o mito e a memória

Filha de um operário e de uma empregada doméstica, Lélia Gonzalez nasceu em Belo Horizonte. Era a penúltima de 18 irmãos. A exemplo do que ocorre com uma parcela considerável das mulheres negras desse país, ela trabalhou como empregada doméstica e babá. Apesar das dificuldades, Lélia Gonzalez graduou-se em História e Geografia. Em 1962, tornou-seContinuar lendo “Entre o mito e a memória”

“Se houver líderes de verdade, e a grande qualidade de um líder autêntico é nem querer dominar, nem querer perpetuar-se, o povo se une para defender os próprios direitos.” (Dom Hélder)

Assisti atentamente à leitura da “Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito!” realizada na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Lembrei-me dos idos dos anos 1970, quando, estudantes, corríamos dos cachorros (cães pastores-alemães!) do governador nomeado por suas qualidades de subalternidade – não merece ter o nomeContinuar lendo ““Se houver líderes de verdade, e a grande qualidade de um líder autêntico é nem querer dominar, nem querer perpetuar-se, o povo se une para defender os próprios direitos.” (Dom Hélder)”

O lobo da estepe

Ontem, 9 de agosto, alguns lembraram da morte de Hermann Hesse, há exatos 60 anos. Seus livros me acompanharam na juventude e me ajudaram a ver o mundo sob outras perspectivas. Ele buscava a sabedoria, não como erudição, mas como o desnudamento da oculta santidade da vida, a sacralidade do existir. Ele fora muito influenciadoContinuar lendo “O lobo da estepe”

“A maior nobreza dos homens é a de erguer sua obra em meio à devastação” (Sabato)

Ernesto Sabato viveu cem anos. Doutor em física, abandonou a ciência aos 30 anos para dedicar-se à literatura. Estava convencido de que “a razão não serve para a existência”. Nos últimos anos via o mundo moderno em tons sombrios, tempos de crises em que um certo racionalismo parece disposto a usurpar o espaço da espiritualidade:Continuar lendo ““A maior nobreza dos homens é a de erguer sua obra em meio à devastação” (Sabato)”

Poesia concreta

Eugen Gomringer nasceu na Bolívia, mas possui nacionalidade suíça. Estudou economia e história da arte. Em 1953, publicou seu primeiro livro de poemas, considerado o marco inicial da “poesia concreta”. Esse rótulo (poesia concreta) surgiria em seguida, mas no mesmo ano, quando do lançamento do Manifesto de Poesia Concreta, do sueco-brasileiro Öyvind Fahlström. No Brasil,Continuar lendo “Poesia concreta”

Tem gente com fome

Convenhamos, termos gente passando fome atualmente é um escárnio, uma maldade, uma ignorância do que é a vida. Você pode passar toda a sua vida bem nutrido, ignorando a fome que nos rodeia, mas nunca será alimentado de humanidade, a não ser que adquira uma sensibilidade pela dor alheia. A fome é atroz! Só quemContinuar lendo “Tem gente com fome”

Jô Soares, Pinzón e o Cabo de Santo Agostinho (por José Ambrósio dos Santos)

A historiografia oficial não é neutra, nem necessariamente tem compromisso com a verdade factual; ela traduz o que convém aos mandantes e cria um repertório que se coaduna com os interesses de grupos que se beneficiam, no processo histórico. A persistência em se celebrar o “descobrimento” do Brasil por Pedro Álvares Cabral é um dessesContinuar lendo “Jô Soares, Pinzón e o Cabo de Santo Agostinho (por José Ambrósio dos Santos)”

O triunfo do fracasso

Em fevereiro de 1949, Arthur Miller, muito tenso, aguardava a estreia de sua peça “A Morte do Caixeiro Viajante” na Broadway. Imaginava: que importância teria para aquela multidão, vivendo no clima de prosperidade do após-guerra, a vida e a morte de um homem tão simples e insignificante como um caixeiro-viajante? Foi um sucesso, inclusive deContinuar lendo “O triunfo do fracasso”

“Como descobrir lugar aonde me agradasse descer para principiar minha vida”

Não podemos esquecer Agostinho da Silva, o filósofo português que dedicou 22 anos de sua vida ao Brasil e optou por perder a nacionalidade portuguesa ao escolher a brasileira. Além de filósofo, era professor, filólogo, tradutor, poeta, ensaísta e pedagogo. Ensinou no Rio, Paraíba, Pernambuco e Bahia. Estudou entomologia no Instituto Oswaldo Cruz. Foi umContinuar lendo ““Como descobrir lugar aonde me agradasse descer para principiar minha vida””