Cosima

Cosima Wagner morreu aos 93 anos de idade. Ao sentar, nunca se apoiava no espaldar de uma cadeira. Fora educada para sentar-se direito: aquilo que causa dor faz bem, aprendeu. Seus pais não eram casados. Só aos nove anos pôde ter um sobrenome, quando seu pai resolveu reconhecê-la: Franz Liszt. Fruto dos amores adúlteros deContinuar lendo “Cosima”

Sua Profundidade, Dra. Sylvia Earle

“Mesmo que você nunca tenha a chance de ver ou tocar o oceano, o oceano toca você a cada respiração, cada gota de água que você bebe, cada mordida do que você consome. Todos, em todos os lugares, estão inextricavelmente conectados e totalmente dependentes da existência do mar. ” – (Dra. Sylvia A. Earle) SylviaContinuar lendo “Sua Profundidade, Dra. Sylvia Earle”

Judas merece uma chance?

“Sentido da minha obra: Tantos homens privados da graça? Como viver sem a graça? Devemos nos dedicar a isso E fazer o que o cristianismo nunca fez: ocupar-nos dos malditos.” (Albert Camus) Hoje, sábado de Aleluia, há a tradição da Malhação de Judas, trazida pelos portugueses. Costuma-se colocar máscaras ou nomes de políticos num bonecoContinuar lendo “Judas merece uma chance?”

“Aquelas meias-tintas tão necessárias aos melhores efeitos da pintura”

O cara, com menos de 19 anos, estreou no jornalismo. Uma das estreias mais precoces de nossa história literária. Em 1858, Machado de Assis escrevia uma série de artigos críticos sob o título “O passado, o presente e o futuro da literatura”! Quando eu tinha 19 anos já me metia a ler Hegel, era maçomContinuar lendo ““Aquelas meias-tintas tão necessárias aos melhores efeitos da pintura””

“Eu sei de uma cura para tudo: água salgada. Suor, lágrimas, ou o mar.”

Karen Blixen era baronesa. Nasceu Karen Christentze Dinesen. Foi uma escritora dinamarquesa, mas escrevia em inglês por fidelidade à língua de seu amante falecido e, de seu amado, Shakespeare. Adotou o pseudônimo “Isak”, aquele que ri. Mulher escritora, vocês sabem, não era uma boa ideia. Sua mãe fora uma defensora do voto feminino, ativa naContinuar lendo ““Eu sei de uma cura para tudo: água salgada. Suor, lágrimas, ou o mar.””

“A verdadeira imagem do passado passa rapidamente” (Benjamin)

Walter Benjamin (1892-1940), como muitos à frente de seu tempo, só obteve fama após a morte. Um vida atormentada e sem reconhecimento, como Kafka. Só a posteridade os ergueria à fama. “Como tudo seria diferente se vencessem na vida aqueles que venceram na morte.” (Cícero) Para os que se antecipam, a “história se passa comoContinuar lendo ““A verdadeira imagem do passado passa rapidamente” (Benjamin)”

O terror não se controla

“Se a história passada fosse tudo o que importa no jogo, as pessoas mais ricas seriam os bibliotecários” ironiza Warren Buffett. Ele está certo. O passado só nos é útil se usado como prisma do presente. A história não é um fóssil. Ela é radioativa – emite sinais que podem ser captados. Aliás, os fósseisContinuar lendo “O terror não se controla”

Concentração fundiária

“Precisamos, precisamos esquecer o Brasil! Tão majestoso, tão sem limites, tão despropositado, ele quer repousar de nossos terríveis carinhos. O Brasil não nos quer! Está farto de nós! Nosso Brasil é no outro mundo. Este não é o Brasil. Nenhum Brasil existe. E acaso existirão os brasileiros?” (Trecho de Hino Nacional, de Carlos Drummond deContinuar lendo “Concentração fundiária”

“O que não sabe é um ignorante, mas o que sabe e não diz nada é um criminoso”

Eugen Bertholt Friedrich Brecht estudou medicina, mas realizou-se como dramaturgo e poeta. Passou parte da vida fugindo: primeiro do nazismo e depois, do macarthismo. À POSTERIDADE (Bertolt Brecht) I Não há dúvida que vivo numa idade escura! Uma palavra sem malícia é um absurdo. Uma fronte suave Revela um coração duro. Aquele que está rindoContinuar lendo ““O que não sabe é um ignorante, mas o que sabe e não diz nada é um criminoso””

Tem gente com fome

O pernambucano Francisco Solano Trindade era cineasta, teatrólogo, pintor, ator, folclorista e poeta. Era, também, militante do Movimento Negro. Morreu num asilo, pobre e esquecido. “ia falar do seu corpo/ de suas mãos/ amada/ quando soube que a polícia espancou um companheiro/ e o poema não saiu’’. (década de 1920) “mataram o Ozeias/ um sujeitoContinuar lendo “Tem gente com fome”