O que o mito de Dioniso nos diz hoje?

A população mundial cresce sem freios, com a xenofobia entre seus efeitos. O estrangeiro é rejeitado, alegadamente por sua alteridade, além dos aspectos econômicos. O diferente é visto como um perigo ou, pelo menos, requer um esforço para adaptabilidade e convivência. As sociedades têm seus regramentos – reflexo e condicionamento dos costumes – que sãoContinuar lendo “O que o mito de Dioniso nos diz hoje?”

Nativismo internacionalista

O termo “modernus” entra em cena quando termina o que conhecemos como Antiguidade, por volta do século V d.C.: justamente nos séculos de “trevas”, nos quais se enfraquece a lembrança das grandezas passadas e instaura-se a inovação, mesmo sem que os inovadores percebam. Isso nos é contado por Umberto Eco. Há um paralelismo entre aqueleContinuar lendo “Nativismo internacionalista”

“Continuam a viver em nós todos aqueles que se foram embora.” (Pirandello)

“Todos vivemos com a ilusão de que os outros, por fora, nos vejam como nós imaginamos ser por dentro. E não é assim.” (Pirandello) Luigi Pirandello é filho do Caos. Este era o nome (Càvusu, no dialeto local) da pequena aldeia onde nasceu, localizada em Agrigento, na Sicília. Cedo, deu-se conta da farsa que éContinuar lendo ““Continuam a viver em nós todos aqueles que se foram embora.” (Pirandello)”

“Tá apertado mas não tá justo” (Alice Ruiz)

“Tá apertado mas não tá justo” Quando os piches de Alice Ruiz surgiram, todos entendiam o recado: apesar do aperto social, não havia justiça. Anos de ditadura. A pichação é um recurso antigo; até na soterrada Pompeia ela foi encontrada, em forma de poesia, mas também como protesto. Lembram dos muros de Berlim? Só pichações.Continuar lendo ““Tá apertado mas não tá justo” (Alice Ruiz)”

As indefinidas formas da vida

Carlito Carvalhosa era um artista múltiplo: pintor, gravador, escultor; um dos principais artistas da arte contemporânea do país.  Há anos lutava contra um câncer no intestino. Foi vencido. Numa das suas fases produzia esculturas de aparência orgânica e maleável, com diversos materiais; noutra, pinturas gigantes … um percurso artístico não linear, imprevisível, mas com umaContinuar lendo “As indefinidas formas da vida”

Quantas histórias viveu Lorca! Deixou os registros.

German Lorca faria 99 anos no próximo 28 de maio. Ontem, antecipou-se. EU E VOCÊ “Leve-as! Não quero ver essa fotografias que falam de nós dois, que contam nossa história. Minhas saudades são mais lindas na memória. Invocando-as assim você as afastaria. Esconda esses cartões onde tudo fenece, onde o nosso passado esplêndido aparece semContinuar lendo “Quantas histórias viveu Lorca! Deixou os registros.”

Um ano rico

“Certa manhã, ao despertar de sonhos intranquilos, Gregor Samsa encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso”. No primeiro dia de 1913, Franz Kafka escreveu: “O tiro da meia-noite. Gritos na ruela e na ponte. Toques de sino e batidas de relógio”. Era mais uma carta endereçada a Felice Bauer, sua paixão. Ele, em Praga,Continuar lendo “Um ano rico”

O último dos românticos

“A beleza está na natureza e acontece na realidade sob os mais variados aspectos. Quando a descobrimos, ela pertence à arte, ou melhor, ao artista que a consegue ver.” (Courbet) Quando Courbet chegou a Paris tinha 20 anos. Alugou um quarto na casa em que nascera Victor Hugo. Não era um principiante; sabia desenhar. Porém,Continuar lendo “O último dos românticos”

Design alocêntrico

Neri Oxman é uma designer americana-israelense e professora do MIT Media Lab. É conhecida pela arte e arquitetura que combinam design, biologia, computação e engenharia de materiais. Seu trabalho incorpora design ambiental e morfogênese digital, com formas e propriedades que são determinadas pelo contexto. Ela cunhou a frase “ecologia material“, ou “naturecêntrico” para definir seuContinuar lendo “Design alocêntrico”

Flutuações quânticas: experimentos em fluxo

O artista londrino Markos R. Kay trabalha na interseção da arte digital e da ciência, construindo pontes entre o trabalho às vezes esotérico dos cientistas e do público. Para sua peça Quantum Fluctuations: Experiments in Flux (2016), Kay começou a expressar visualmente uma interação quântica – um fenômeno que é notoriamente inobservável. Primeiro, Kay criouContinuar lendo “Flutuações quânticas: experimentos em fluxo”