Maquiavelicamente II

A Justiça sofre uma crise de confiança no país. A impunidade parece ser a regra. Lentidão, possíveis favorecimentos, filigranas legais acessíveis a poderosos, mordomias aviltantes, exibicionismos, corporativismo, indultos escandalosos e outros vícios conduzem o Judiciário ao descrédito popular. Perder a confiança na Justiça gera um sentimento de anomia (ausência de lei ou de regra), minaContinuar lendo “Maquiavelicamente II”

Maquiavelicamente

Maquiavel (1469-1527) deixou muitas observações sobre a prática política, que permanecem atuais. Não era “antiético”, tinha sua própria “ética”, polêmica, pois prioriza a conservação do poder e o bem geral da comunidade, ao invés da “salvação da alma”. Dessa forma, uma atitude requer perspectiva histórica para poder ser qualificada de boa ou má. Não defendiaContinuar lendo “Maquiavelicamente”

“Não podemos todos nos dar bem?”

Tendo a acreditar que o perdão nos liberta dos grilhões do passado. Temos, também, que aprender a nos perdoar. O erro passado, irresponsável ou impensado, deve nos calejar, não deveria nos punir eternamente. O erro acontece, muitas vezes, inconscientemente. Não é verdade que a razão nos conduz a todo momento. É raro, aliás. O perdãoContinuar lendo ““Não podemos todos nos dar bem?””

Escolhas

Toda a revolução tecnológica dos últimos séculos, com o “domínio” da natureza e o “progresso”, trouxe, sim, melhorias na produtividade, renda, consumo, saúde etc. A miséria e a exclusão, entretanto, não foram satisfatoriamente endereçadas. E, o crescimento da solidão parece superar ao da população, como um custo oculto embutido nesse processo. Vemos contingentes populacionais enormesContinuar lendo “Escolhas”

A dor

Algofobia, o medo da sensação de dor. A dor não é apenas assunto médico, também é sociológico. Nossa tolerância à dor tem diminuído rapidamente. Essa angústia tem por consequência uma “anestesia permanente”, diz Byung-Chul Han. Toda condição dolorosa é evitada, inclusive as “dores de amor”. O amor deixa de ser uma entrega total; há umContinuar lendo “A dor”

Gerenciamento do sofrimento

O sistema de conhecimento atual é compartimentado. Uma pergunta básica como “A que serve nossa existência?” recebe respostas parciais, seccionadas por áreas de especialistas. Falta-nos um estímulo ao pensamento complexo, que reúna conhecimentos esparsos e consiga articulá-los. Isso dificulta termos uma visão conectada, integrada ao nosso contexto e nos leva à dissociação com o ambienteContinuar lendo “Gerenciamento do sofrimento”

O discurso do livre mercado

A desigualdade pode ser atenuada, trazida para níveis aceitáveis? Políticas econômicas inclusivas podem fazer esse papel? A cada ano sobe o número de bilionários no país. E os miseráveis se avolumam. O Coeficiente de Gini do País foi de 89,2 em 2021, acima dos 84,5 em 2000 e um dos mais altos do mundo. OContinuar lendo “O discurso do livre mercado”

Nossos sonhos

Evitamos sonhar, talvez para fugirmos de pesadelos. Nos sonhos temos a oportunidade de ajustarmos nossas emoções e de imaginarmos soluções para nossos infindáveis problemas. Nos tempos atuais parece que perdemos o interesse por nossos sonhos; poucos se lembram deles ao acordar. A virtualidade do cotidiano tende a tomar seu lugar; os sonhos tornam-se aspirações espelhadasContinuar lendo “Nossos sonhos”

Não há mistério maior que a miséria (Oscar Wilde)

Há uma ânsia por “felicidade”, esse maná moderno. E, achamos que esta felicidade está nos outros, na sua atenção, no reconhecimento, nos afetos e cuidados demonstrados, naquilo que fortaleça nosso ego. A felicidade – curtos momentos de paz interior – está em nós mesmos. Daí, quebramos a cara, pois procuramos onde não se está. EsquecemosContinuar lendo “Não há mistério maior que a miséria (Oscar Wilde)”

Nossa natureza é competitiva ou cooperativa?

Somos maus por natureza (ou pela quebra da confiança divina, a partir do pecado original) ou, nada disso, somos bons e podemos nos corromper em decorrência das agruras do mundo? Para John Locke, “O homem nasce como uma folha em branco, destituído de caracteres ou ideias.” Ele discordava de que Deus decida o destino dosContinuar lendo “Nossa natureza é competitiva ou cooperativa?”