As mulheres e a usurpação de seu espaço

“Se as mulheres são melhores do que os homens não poderia dizer. Mas posso dizer que certamente não são piores.” Esta frase é atribuída a Golda Meir. No entanto, elas foram e ainda são discriminadas nos espaços político, econômico e cultural. Admiro a rebeldia dos que não se aceitam subjugar por conta de seu sexoContinuar lendo “As mulheres e a usurpação de seu espaço”

A vida hesita

Que livro! Leyla Afife Kamile, carregava no nome a pretensão paterna. Leyla significava que ela levava a noite nos olhos; Afife, “casta, imaculada” e, Kamile, “perfeição”. Ela deveria ser pura como a água. Mas, nem toda água é pura. A história começa quando Leyla, agora Leila Tequila, está morta, numa lata de lixo, num subúrbioContinuar lendo “A vida hesita”

Façamos do alimento o nosso remédio

Um amigo era hipocondríaco. Suas gavetas, no trabalho ou em casa, suas valises, seus bolsos – onde menos se esperava – eram cheios de remédios. Remédios para as suas doenças crônicas – das quais falava com um certo orgulho (sim, também tinha síndrome de Münchausen) – e para eventualidades. Ao viajar, se pudesse, se hospedariaContinuar lendo “Façamos do alimento o nosso remédio”

Para onde vai o ser humano?

Temos uma grande capacidade de autoencantamento, autoilusão; achamo-nos superiores a todos os demais seres e, a aura tecnológica nos galgou a patamares pouco imaginados. Por outro lado, o ser humano é – em linhas gerais – cada vez mais oco. Perdemos densidade moral e espiritual à medida em que nos sentimos senhores do mundo. TudoContinuar lendo “Para onde vai o ser humano?”

Intocáveis

Falei noutro dia sobre os invisíveis; agora, abordo os intocáveis. Temos por aqui os que são intocáveis porque são inalcançáveis, inatingíveis, ninguém pode lhes tocar e, há aqueles que são intocáveis porque ninguém lhes quer tocar, e eles não tocam nosso coração. Os primeiros são os poderosos, principalmente os políticos, os magistrados, altos empresários, herdeiros,Continuar lendo “Intocáveis”

O futuro é desdobramento do presente

O futuro está na esquina, dobrando a esquina. O Brasil é riquíssimo, senão não desperdiçaria todas as oportunidades que surgem. Stefan Zweig veio três vezes ao Brasil. Na última, escolheu-o para estabelecer-se, fugindo da fúria nazista. Em 1941, escreveu o simbólico “Brasil, País do Futuro”. Há boatos de que ele teria sido “estimulado” a encherContinuar lendo “O futuro é desdobramento do presente”

A educação não é tudo; sem ela, porém, não se funda um futuro

A educação não garante, por si, um futuro promissor, equitativo e aspiracional. Entretanto, uma comunidade sem educação condena-se à dependência, escraviza-se aos detentores do saber, internos e externos. “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”, resumia Paulo Freire. Educação, frisemos, não é mera reprodução de um conhecimento padronizado,Continuar lendo “A educação não é tudo; sem ela, porém, não se funda um futuro”

Estrada do Sol

Somos educados para reconhecermos e valorizarmos a cultura ocidental, especificamente a europeia. O mundo não se resume à Europa, apesar de sua fantástica dominação a partir da Idade Moderna. Ignoramos, em geral, a cultura oriental (exceto a bíblica), principalmente a chinesa, vietnamita, japonesa, coreana, a africana (egípcia, civilização Núbia, civilização Axumita – lembram da rainhaContinuar lendo “Estrada do Sol”

Educação, cultura e sociologia

Aleksandr Luria (1902-1977), neurologista russo, via os pensamentos simbólico e narrativo como fundadores do processo de hominização. Oliver Sacks (1933-2015) era um de seus seguidores. Luria foi um dos criadores da psicologia cultural-histórica, que enfatiza o papel mediador da cultura, particularmente da linguagem, no desenvolvimento de funções mentais superiores. Criar narrativas, dizia, significou e significaContinuar lendo “Educação, cultura e sociologia”

Complexidade

“Não basta unir o saber (a ciência) à alma (à consciência); é preciso incorporá-la àquele; não basta regá-lo, é indispensável com ela tingi-lo.” (Montaigne) Em 1982, Edgar Morin publicou “Ciência com consciência”, que deu origem ao Paradigma da Complexidade, já exposto nos primeiros volumes de “O Método”. Defendia, já então, o desenvolvimento de uma ciênciaContinuar lendo “Complexidade”