“Por mais bela que seja cada coisa/ Tem um monstro em si suspenso”

Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu no Porto, Portugal, em 1919 e viveu até 2004. QUANDO (Sophia de Mello Breyner) Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta Continuará o jardim, o céu e o mar, E como hoje igualmente hão-de bailar As quatro estações à minha porta. Outros em Abril passarão no pomarContinuar lendo ““Por mais bela que seja cada coisa/ Tem um monstro em si suspenso””

Como educar?

É sempre boa hora para se falar sobre educação, um esforço que pode mudar sociedades. O novo governo trouxe para o Ministério da Educação dois políticos cearenses prestigiados pela ênfase que foi dada à educação em seu estado. Nesta semana, faleceu Magda Becker Soares, uma educadora que via a alfabetização infantil por uma perspectiva multifacetada,Continuar lendo “Como educar?”

Cidades sonhadas

“A cidade não é feita disso, mas das relações entre as medidas de seu espaço e os acontecimentos do passado. (…) Mas a cidade não conta o seu passado, ela o contém como as linhas da mão, escrito nos ângulos das ruas, nas grades das janelas, nos corrimãos das escadas, nas antenas dos para-raios, nosContinuar lendo “Cidades sonhadas”

Submissão consentida

Entre os animais não-humanos vê-se regras de dominância, mas não de dominação. A dominação, típica dos humanos, é o poder de controlar os outros, como “autoridade”, normalmente com justificativas morais. A dominância é uma capacidade inata ou adquirida por um membro de grupo de sobressair. Isso não lhe dá o “direito” à coerção da vontadeContinuar lendo “Submissão consentida”

Corrupção

Tenho um amigo que fala sempre que estamos condenados à mediocridade, porque saímos de um governo odiento, que apresentava o futuro como a negação do avanço da civilidade e da ciência, e, escolhemos outro que teria se caracterizado pela corrupção. Como se corrupção fosse característica de um governo. Ele não mede palavras, acha que trocamosContinuar lendo “Corrupção”

O mundo muda conforme nosso olhar

“… iremos ao encontro do próximo milênio sem esperar encontrar nele nada além daquilo que seremos capazes de levar-lhe.” (Italo Calvino) Um ano novo! Esperança e fé na concretização de sonhos só sonhados, que parecem depender de intervenções sobrenaturais para suas realizações. Isso, porque viver é um exercício – em si – de aprimoramento eContinuar lendo “O mundo muda conforme nosso olhar”

Desacelere!

O burnout se tornou a condição que define a geração Millennial, os nascidos entre 1981 e 1996. Renata Corrêa, prefaciando o livro “Não aguento mais não aguentar mais”, de Anne Helen Petersen, conta de sua experiência pessoal quando, recém-separada e com uma filha pequena, dependia de um trabalho freelance e outros eventuais. Uma viração, ouContinuar lendo “Desacelere!”

A luta identitária

Em nome do bem muito mal já foi e será praticado. Tendemos a absolutizar tudo que nos importa e achamos que o certo é aquilo no que acreditamos. Tá feito o dissenso. E, como nossa vida só faz sentido se tivermos razão, tá criada a dissidência. E o mundo se fragmenta, se encurrala em nichosContinuar lendo “A luta identitária”

Maquiavelicamente III

A moral maquiavélica era pragmática, suportada pela observação atenta da realidade: ao bom e ao justo não cabe corrigir o mal, mas apenas defender-se dele. A astúcia de alguns pode estar nos rodeando, tentando nos conduzir, como títeres, para fins e situações pensados por outros. A vitória nem sempre cabe aos bons, mas geralmente aosContinuar lendo “Maquiavelicamente III”

Maquiavelicamente II

A Justiça sofre uma crise de confiança no país. A impunidade parece ser a regra. Lentidão, possíveis favorecimentos, filigranas legais acessíveis a poderosos, mordomias aviltantes, exibicionismos, corporativismo, indultos escandalosos e outros vícios conduzem o Judiciário ao descrédito popular. Perder a confiança na Justiça gera um sentimento de anomia (ausência de lei ou de regra), minaContinuar lendo “Maquiavelicamente II”