Somos partes

A vida humana provém, descende, da vida da Terra. Muitos ignoram isso, ou fingem desconhecer, como se fossem extraterrestres. Há quem tenha dificuldade de perceber a vida que nos atravessa ininterruptamente. “A vida é somente a borboleta dessa enorme lagarta que é Gaia, ela é a metamorfose deste planeta”, diz, poeticamente, Emanuele Coccia (foto). “NossaContinuar lendo “Somos partes”

O país indesejado pelas elites

“As elites veem as eleições como oportunidades de manipular as pessoas e não como meios de ouvi-las. Os Big Data tornaram os votos marginais como fontes de feedback, e os manifestantes preferem usar as eleições como ocasiões para demonstrações do que como instrumentos de mudança política.” (Zygmunt Bauman e Leônidas Donskins) A democracia, em qualquerContinuar lendo “O país indesejado pelas elites”

Sobre educação e fome. Sobre o quê?

Em 1954, Roger Cousinet (1881-1973) falava: “A educação não pode mais ser uma ação exercida por um professor sobre os alunos, ação que se revelou ilusória; ela é, na realidade, uma atividade por meio da qual a criança trabalha seu próprio desenvolvimento, colocada em condições favoráveis e com o auxílio de um educador que éContinuar lendo “Sobre educação e fome. Sobre o quê?”

Os rinocerontes estão à solta

Em 1959, Eugène Ionesco (1909-1994) publicou a peça O Rinoceronte, um marco do Teatro do Absurdo, uma antecipação da realidade que vivemos. A peça trata de uma epidemia de “rinocerontismo” que ataca a cidade: de repente, as pessoas começam a virar rinocerontes. Bérenger, um personagem, se recusa a ceder à onda que acomete a todosContinuar lendo “Os rinocerontes estão à solta”

Há crianças na rua

Um amigo me apresentou a poesia abaixo, publicada em 1955, de Armando Tejada (1929-1992). Até quando nossa “humanidade” continuará ignorando a miséria? Por que muitos, ao invés de se solidarizarem, temem crianças abandonadas à sorte das ruas? Elas são violentas? E a sociedade? É natural, é a vontade de Deus, é incompetência das famílias queContinuar lendo “Há crianças na rua”

Como era possível?

COMO FAZÍAMOS? (Adaptação de uma publicação de Laura Muschio) Às vezes me pergunto:o que nossa geração fez parasobreviver de comida contendo lactose? Como fomos capazes de crescersem comida para bebê, suplementos,hormônios e multivitaminas? Como vivíamossem Coca zero, Red Bull,aperitivos e bebidas longas,se esperávamos pelo domingopara beber água com gáscom pós dissolvidos? Como passamosos invernos rigorososcomContinuar lendo “Como era possível?”

A coisa

Num filme de 1985, “A Coisa” (The Stuff), dirigido por Larry Cohen, uma equipe de mineradores encontra uma substância branca e gosmenta, parecida com um iogurte, com sabor agradável e atrativo. A substância, apelidada de “Coisa”, faz com que todas pessoas que a comam sejam devoradas ou transformadas em zumbis. Típico terror B. Antes, emContinuar lendo “A coisa”

O coração que treme diante do sofrimento

OS OLHOS DOS POBRES (Charles Baudelaire) “Ah! Você quer saber por que eu a odeio hoje. Será, certamente, menos fácil para você compreender do que para mim, explicar; porque você é, creio, o mais belo exemplo da impermeabilidade feminina que se possa encontrar. Tínhamos passado juntos um longo dia que me parecera curto. Nós nosContinuar lendo “O coração que treme diante do sofrimento”

O pregador

Eclesiastes nos traz ao chão. Mostra nossa insignificância diante da vida. Quando feliz ou triste, convém retornar às palavras de Coélet, aquele que fala na assembleia, o pregador, identificado por muitos como Salomão. A Bíblia é interessante, se lida com desprendimento. As crônicas bíblicas, muitas com ensinamentos e valores essenciais, não podem ser vistas comoContinuar lendo “O pregador”

Medos e mentiras

Recuperei uma entrevista de Delfim Netto, de 2007, na qual fala sobre Lula: “Lula já rejeitava o marxismo em seu discurso de posse no Sindicato dos Metalúrgicos, em 1975. Ele disse literalmente que ‘parte da humanidade havia sido esmagada pelo Estado, escravizada pela ideologia marxista, tolhida nos seus mais comezinhos ideais de liberdade, limitada emContinuar lendo “Medos e mentiras”