A fogueira está queimando

Por José Ambrósio* Os festejos juninos têm a magia de sempre me reconduzir à já distante infância em pequenas cidades interioranas como Vitória de Santo Antão (Sítio Poço do Boi, hoje Pombos), Amaraji e Moreno (Tapera, hoje Bonança). Década de 60. Fogueiras, fogos, balões, milho assado, pamonha, canjica bolos e muitas brincadeiras. E era duranteContinuar lendo “A fogueira está queimando”

Sobre o Uno

“Três coisas conduzem a Deus: a música, o amor e a filosofia.” (Plotino) Para nosso azar, essas três coisas não são bem vistas atualmente. Plotino é um personagem importante, embora desconhecido por muitos. Viveu de 205 a 270 d.C. Nasceu no Egito e morreu em Roma. Hoje é classificado como um dos principais pensadores doContinuar lendo “Sobre o Uno”

Caveat emptor

A expressão latina do título significa “toma cuidado, comprador”. O risco, claramente é do cliente. A esperteza como regra de negócio. Isso já se mostrou ineficaz, exceto para golpistas: qualquer empresa que se pretenda duradoura, precisa manter sua base de clientes satisfeita, confiante, fortalecendo sua marcas. Todo aluno de marketing logo aprende que o custoContinuar lendo “Caveat emptor”

De vulgari eloquentia

A realidade é coisa delicada, de se pegar com as pontas dos dedos. Um gesto mais brutal, e pronto: o nada. A qualquer hora pode advir o fim. O mais terrível de todos os medos. Mas, felizmente, não é bem assim. Há uma saída – falar, falar muito. São as palavras que suportam o mundo,Continuar lendo “De vulgari eloquentia”

Mudanças?

“Durante a campanha eleitoral deste ano, voltou-se muito a falar em esquerda e direita. Para muitos, esquerda é sinônimo de comunismo. Direita, sinônimo de democracia. E, em certos meios católicos, a esquerda é o Anticristo e a direita, a Igreja ou pelo menos a posição político-social em que se encontra a Igreja.” Isso foi escrito por AlceuContinuar lendo “Mudanças?”

O sebo

1857. A Inglaterra dominava a Índia, através da Companhia da Índias. Montaram um exército com 250 mil mercenários nativos, chamados Sipaios (soldado, em hindi). Armaram-lhes com rifles cujos cartuchos, de papel, tinham que ser abertos nos dentes. Aí começaram os problemas: os cartuchos eram untados com sebo animal. Os sipaios hindus não aceitaram porque asContinuar lendo “O sebo”

Somos aquilo que comemos

Weston Andrew Price (1870-1948) era um crítico da modernidade. Afirmava, nos anos 1930, que na civilização moderna, apesar de todo seu desenvolvimento aparente, da conveniência que oferece e de seu progresso técnico e científico, o homem torna-se fisicamente decadente. Apresentava a modernidade como degeneração física. Ele era um cientista da saúde. Aos cientistas sociais cabiaContinuar lendo “Somos aquilo que comemos”

Filhos do Céu

Nossa vida é exígua. Triste isso, para a maioria (há os que já se encheram dela). Mas, esse ser que se pensa como pessoa, consciente de si (achamos que somos), é mero veículo do eterno (ou do muito antigo). A morte é desintegração. A morte em vida significa a despersonalização, o sentimento predominante de desagregação,Continuar lendo “Filhos do Céu”

Tudo deve ser quebrado para ser verdadeiramente completo

Considere a história sagrada asteca dos Cinco Sóis – na qual os deuses lutavam para refazer o mundo repetidas vezes, cada tentativa melhor que a anterior. Os seres humanos existem no Nepantla, um espaço liminar entre criação e destruição, ordem e caos. Nosso tempo atual era considerado o quinto sol; os quatro anteriores foram destruídosContinuar lendo “Tudo deve ser quebrado para ser verdadeiramente completo”

O homem é um ser encarnado

“… por que então ter de ser homem – que se esquiva do destino e anseia por ele? … Vê, eu vivo. De quê? Nem a infância nem o futuro minguam … Inúmera, a existência transborda-me do coração.” (Rainer Maria Rilke) Rilke foi uma influência em Gabriel Marcel. Este, por sua vez, influenciou Sartre, Merleau-Ponty,Continuar lendo “O homem é um ser encarnado”