“Um Tupi não chora nunca/ e tu choraste! … parte; não queremos/ com carne vil enfraquecer os fortes” (Gonçalves Dias)

Anthony Knivet (1560-1649) era inglês, ruivo, alfabetizado, barbudo – e escravo. Filho bastardo de um nobre inglês, se engajou na expedição de Cavendish em busca de fortuna. Era um observador arguto e possuía grande facilidade para as línguas. Foi capturado em Santos e permaneceu no Brasil como escravo de Martim Correia de Sá, por dezContinuar lendo ““Um Tupi não chora nunca/ e tu choraste! … parte; não queremos/ com carne vil enfraquecer os fortes” (Gonçalves Dias)”

“Aquelas meias-tintas tão necessárias aos melhores efeitos da pintura”

O cara, com menos de 19 anos, estreou no jornalismo. Uma das estreias mais precoces de nossa história literária. Em 1858, Machado de Assis escrevia uma série de artigos críticos sob o título “O passado, o presente e o futuro da literatura”! Quando eu tinha 19 anos já me metia a ler Hegel, era maçomContinuar lendo ““Aquelas meias-tintas tão necessárias aos melhores efeitos da pintura””

“A república está perdida.” (Cícero)

Por que alguns fazem um discurso de “guerra”? “A guerra, principalmente a civil, leva todas as nações, até mesmo aquelas declaradamente mais democráticas, a se tornarem autoritárias e totalitárias.” (John Dewey) “A natureza da guerra não consiste nos combates em si, mas numa reconhecida disposição neste sentido, durante todo o tempo em que não houverContinuar lendo ““A república está perdida.” (Cícero)”

“Eu sei de uma cura para tudo: água salgada. Suor, lágrimas, ou o mar.”

Karen Blixen era baronesa. Nasceu Karen Christentze Dinesen. Foi uma escritora dinamarquesa, mas escrevia em inglês por fidelidade à língua de seu amante falecido e, de seu amado, Shakespeare. Adotou o pseudônimo “Isak”, aquele que ri. Mulher escritora, vocês sabem, não era uma boa ideia. Sua mãe fora uma defensora do voto feminino, ativa naContinuar lendo ““Eu sei de uma cura para tudo: água salgada. Suor, lágrimas, ou o mar.””

Torço para que o espírito altivo, benigno, solidário prevaleça. Que possamos subir alguns degraus.

Em 1895, Gustave Le Bon publicou o clássico “Psicologia das Multidões”. Era médico, mas se interessava por psicologia, sociologia, antropologia e física. Seria, com licença da palavra, polímata. Há quem afirme que ele antecipou a teoria da relatividade de Einstein. Influenciou muitos políticos e pensadores, como Lenin, Hitler, Ortega y Gasset, Freud, Mussolini, Roosevelt, Churchill,Continuar lendo “Torço para que o espírito altivo, benigno, solidário prevaleça. Que possamos subir alguns degraus.”

“A verdadeira imagem do passado passa rapidamente” (Benjamin)

Walter Benjamin (1892-1940), como muitos à frente de seu tempo, só obteve fama após a morte. Um vida atormentada e sem reconhecimento, como Kafka. Só a posteridade os ergueria à fama. “Como tudo seria diferente se vencessem na vida aqueles que venceram na morte.” (Cícero) Para os que se antecipam, a “história se passa comoContinuar lendo ““A verdadeira imagem do passado passa rapidamente” (Benjamin)”

Estelionato da fé

Sinceramente, fico atônito ao ver personagens conhecidas que exploram a credulidade dos desesperados – emocional, econômica ou socialmente – tentando extrair-lhes seus sustentos em nome de Cristo! Isso me parece abusivo, mas permitimos em nome da liberdade de religião. Claro que deve haver a opção por vertentes religiosas. Mas, espoliação, não! Explorar a desesperança, emContinuar lendo “Estelionato da fé”

“Escurecer o sol”

Talvez poucos sejam consultados, mas cientistas querem bloquear a luz solar para reduzir o aquecimento global. A ideia de resfriar artificialmente o planeta para reduzir a mudança climática – na verdade, bloquear a luz solar antes que ela aqueça a atmosfera – ganhou um impulso nesta semana, quando as Academias Nacionais de Ciências (NAS) pediramContinuar lendo ““Escurecer o sol””

O terror não se controla

“Se a história passada fosse tudo o que importa no jogo, as pessoas mais ricas seriam os bibliotecários” ironiza Warren Buffett. Ele está certo. O passado só nos é útil se usado como prisma do presente. A história não é um fóssil. Ela é radioativa – emite sinais que podem ser captados. Aliás, os fósseisContinuar lendo “O terror não se controla”

Abismos científicos

Thomas Kuhn (1922-1996) dizia que quando surge um novo paradigma, substituindo um antigo, ocorre uma revolução científica. Num mesmo campo do saber, isto acontece de forma dialética: fase pré-paradigmática > ciência normal  > crise > revolução > nova ciência normal > nova crise > nova revolução > … Somos ‘contemporâneos’ de três revoluções científicas, em campos, por ora, distintos: Na primeira metade do século passado, a guiadaContinuar lendo “Abismos científicos”