Liderança em nossos tempos

Muitos conhecem Simon Sinek, principalmente a partir de seu livro “Comece pelo Porquê”. Nele, ressalta que existem “apenas” duas maneiras de influenciar o comportamento humano: manipulando-o ou inspirando-o. Destaca, também, que tendemos a confiar naqueles nos quais percebemos valores ou crenças comuns. E, principalmente, enfatiza a necessidade de se ter um propósito em tudo o que fazemos.

Aliás, numa pesquisa recente entre jovens, quase metade (48%) dos entrevistados expressaram incerteza em suas carreiras futuras. E, 44% relataram que “encontrar um emprego que se alinhe com meus valores” era o principal desafio no mercado de trabalho.

As pessoas parecem aspirar ao antigo conceito grego de Aretê (“adaptação perfeita, excelência, virtude”), que expressa o cumprimento do propósito a que o indivíduo se destina. A “virtude”, segundo Sócrates, seria a realização da própria essência.

Seu livro “O jogo infinito” retoma as ideias de James Carse, que conceituara jogos infinitos como aqueles nos quais os participantes estão sempre mudando e as regras não são precisas, como ocorre nos negócios, na política, nas nossas vidas.

Já os jogos finitos seriam os que têm participantes conhecidos, regras fixas e um objetivo claro que ao ser alcançado, encerra o jogo. Os exemplos mais comuns são uma partida de futebol ou de xadrez.

Um dos erros de dirigentes é participar de jogos infinitos com a mentalidade finita. Já os que praticam a mentalidade infinita constroem empresas mais inspiradoras e inovadoras, com empregados mais confiantes nos pares e superiores.

Lembrando que quando falo “inovação” não me refiro a “tecnologias“; estas podem, ou não, comporem ideias inovadoras.

São empresas que se aproximam do que seja uma organização, na definição de Silvio Meira: “Uma organização é uma rede de agentes interdependentes, de arquitetura fluida, com regras mutantes de pertencimento, conexão, relacionamento e interação… num ambiente de mudanças contínuas nos e dos agentes, seus incentivos e relações de interdependência.”

Simon também cultiva sua popularidade com palestras e vídeos. Num desses (ver link abaixo), fala de sua experiência com os SEALs quando teria percebido que eles preferem alguém que pode não ter o melhor desempenho, mas é confiável, em vez de alguém com alto desempenho, mas não confiável. 

Isso não significa que os líderes possam abrir mão do desempenho em favor da confiança. Os dois parâmetros devem ser buscados concomitantemente.

Uma equipe de alto desempenho é uma coleção de habilidades, talentos e conhecimentos de seus membros e como eles os usam e os executam juntos. E eles só podem fazer isso se confiarem um no outro. 

É papel do líder criar um ambiente de trabalho que gere confiança. Boas pessoas num ambiente cáustico podem ser forçadas a fazer coisas horríveis.

Em vez de pensar em desempenho versus confiança, devemos pensar em desempenho E confiança.

Contrariando Maquiavel, que recomendava – à sua época – “que o príncipe seja mais temido do que amado“, hoje está claro para muitos que o desejável é que se tenha um time no qual as pessoas não temam o líder e que todos sejam estimulados a desempenhar algum papel de liderança.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

Um comentário em “Liderança em nossos tempos

  1. Muito interessante seu texto, como todos são. Acho que no fundo a maior parte das gestoras e gestores buscam uma equipe que possam confiar e um gestora ou gestor que possam confiar. É comum a líder ou o líder esquecerem de que eles também precisam ser uma pessoa confiável.

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